Câmara apoia ex-trabalhadores da Cosipar

Vereadores vão enviar ofício ao TRT-PA pedindo celeridade no julgamento do caso

Durante a Sessão Ordinária desta terça-feira, dia 9, os vereadores receberam um grupo de ex-funcionários da Cosipar (Companhia Siderúrgica do Pará), que fechou as portas em outubro de 2012 e não quitou integralmente os direitos trabalhistas.

Neiba Nunes, presidente do Simetal (Sindicato dos Metalúrgicos de Marabá) disse que os trabalhadores querem que Distrito Industrial continue forte, mas nos últimos anos a luta por essa causa tem sido difícil. Ele lamentou que Cosipar não consiga pagar seus passivos trabalhistas. Por conta disso, o sindicato precisou ingressar na justiça trabalhista, mas os resultados não foram os esperados. O Ministério Público do Trabalho realizou audiência pública e formalizou um acordo com a empresa, mas que nunca foi cumprido. “Passaram-se 180 dias de demissão e o dinheiro que cada um recebeu foi apenas de R$ 10 mil. Faltam ainda as multas, FGTS, 13º Salário e Férias. Todos os cerca de 400 funcionários continuam sem trabalhar, sem receber um centavo”, desabafa Neiba.

Ele também lamentou que depois que a justiça local marcou um leilão de bens da Cosipar, este não aconteceu porque a empresa agiu de forma leviana. No dia 16 deste mês tem outro leilão marcado, mas que poderá ser suspenso mais uma vez porque o processo anterior não foi julgado no Tribunal Regional do Trabalho.

Para Neiba, não é justo que os trabalhadores tenham dedicado vários anos de suas vidas para a empresa e agora não consigam receber seus direitos. “É preciso que todos os vereadores se empenhem para que a inércia do Distrito Industrial não continue”, desabafou.

A vereadora Vanda Américo lamentou a crise que afeta o setor guseiro em Marabá e denunciou que a Cosipar sempre conseguiu financiamentos volumosos para investir em Marabá, mas a direção da empresa construiu hotéis em outras regiões do País, ao invés de aplicar os recursos de forma adequada. “Nunca fizeram reflorestamento e a crise do carvão só aconteceu porque o setor não investiu nesta área e os políticos fecharam os olhos e não fiscalizaram a aplicação dos empréstimos. Quantos milhões a Cosipar não pegou do governo, do BNDES e da Sudam e não canalizou os recursos para onde deveria? Tivemos uma geração de omissão. Se hoje vivemos essa crise é porque fomos todos omissos e só podemos agora é lamentar”, reconheceu.

simetal

Para Vanda, o uso do Distrito Industrial tem de ser revisto junto ao governo do Estado, porque grandes empresas como a Vale estão manipulando o DIM e a mineradora saiu sorrateiramente do distrito e deixou meio mundo de empresas quebradas. “Dezenas de pessoas pegaram dinheiro emprestado em banco para novos empreendimento e estão quebrando. Foi uma postura rasteira, covarde da Vale, que saiu deixando o sonho de uma população inteira transformado em pesadelo”, criticou.

Por sua vez, o vereador Miguel Gomes Filho, o Miguelito, disse que a pior coisa que surgiu na região foi a Vale. “O Distrito Industrial de Marabá está fechando porque a Vale quer. Ela fechou até mesmo a siderúrgica dela e fez isso de propósito. Além disso, conseguiu também quebrar Marabá economicamente. A Vale é tão ruim para nós que quando ela se instalou aqui só existia a Velha Marabá. O projeto Grande Carajás é 50 vezes maior que o da Usiminas, mas desafio os senhores a mostrar o que a Vale já fez pela Marabá Pioneira: nada. Os governos são fracos para cobrar a responsabilidade da mineradora”, alfinetou Miguelito.

Na avaliação de Adelmo Azevedo (PTB), os trabalhadores prejudicados pela Cosipar têm mesmo de partir para cima da empresa, que não cumpriu com sua responsabilidade e nem com acordo firmado perante a Justiça.

O vereador Gilsim Silva (PP) reconhece que a classe trabalhadora tem uma necessidade urgente de resgatar seus direitos e isso mexe com a dignidade de cada um, envolvendo até mesmo problemas de ordem familiar. Ele sugeriu que a Câmara consulte o Departamento Jurídico e emita um documento em solidariedade à ação judicial e mostrando à desembargadora Graziela Colares, do Tribunal Regional de Trabalho da 8ª Região, a preocupação de todos os 21 vereadores sobre o caso, e ainda pedindo celeridade da Justiça para solucionar o impasse.

A vereadora Antônia Carvalho, a Toinha do PT, opinou que uma ação contra os ricos é muito morosa e a Cosipar, embora tenha dado calote, não faliu totalmente porque continua com negócios em outras regiões do País, devendo honrar com seus compromissos. Ela sugeriu que se forme uma comissão para discutir como a Câmara pode ajudar a forçar a empresa a quitar as dívidas.

O vereador Alécio Stringari (PR) também acredita que é preciso encontrar patrimônio para pagar o dano trabalhista e espera que a empresa não se demore tanto a cumprir seu compromissos com os trabalhadores.

O vereador Guido Mutran, por seu turno, se disse preocupado com a chegada da Votorantim e a falta de especialidade de mão de obra para garantir empregos aos moradores do município. Ele também sugeriu o envio de uma carta para a desembargadora mostrando quantas famílias estão sendo prejudicadas pela morosidade desta ação, mas desrespeitar a autoridade judicial.

O vereador José Sidinei (PSDB) se solidarizou com os trabalhadores da indústria e lembrou que a ação contra a Viação Cidade Nova nunca foi resolvida, a Justiça nunca liberou o dinheiro para os trabalhadores. Ele sugeriu a criação de uma comissão de vereadores para chegar ao Judiciário e dialogar para dar celeridade à ação dos metalúrgicos. Sidinei sugeriu o fechamento do Distrito Industrial de Marabá para forçar as autoridades a resolverem o problema dos trabalhadores.

A presidente da Câmara, vereadora Júlia Rosa, garantiu que a Câmara está disposta a manter-se ao lado dos trabalhadores e reconheceu o prejuízo econômico para a comunidade local com o fechamento da Cosipar e de outras empresas do Distrito Industrial. “O imbróglio jurídico pode ser acompanhado pela assessoria jurídica da Câmara Municipal para garantir a celeridade do processo.