Câmara recebe secretário de Estado para debater desenvolvimento de Marabá

Adnan Demachki conversou com vereadores sobre guseiras, Cevital, hidrelétrica de Marabá e Ferrovia do Pará

A convite da Comissão Especial de Desenvolvimento da Câmara Municipal de Marabá, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia, Adnan Demachki, esteve nesta quarta-feira, 29, em Marabá, para discutir a atração de novos investimentos que visam beneficiar o município e a região sudeste do Pará de uma forma geral. Junto com ele, participou da reunião um grupo de empresários ligados à ACIM (Associação Comercial e Industrial de Marabá).
Presidida pela vereadora Irismar Melo, a Comissão de Desenvolvimento conta ainda com Gilson Dias como secretário, Cristina Mutran, Edinaldo Machado e Marcelo Alves como membros. Participaram ainda o presidente da Câmara, Pedro Corrêa, Nonato Dourado e Pastor Ronisteu.
Pedro Corrêa disse que vem acompanhando o interesse da Cevital em implantar uma siderúrgica em Marabá há mais de um ano e que reconhece que as tratativas são longas e demoradas, precisando de paciência. Por outro lado, colocou o Legislativo de Marabá à disposição da Sedeme para dar celeridade aos processos municipais que forem necessários. “A partir desta reunião, definitivamente a Câmara de Marabá passará a fazer parte desse processo de discussão da Cevital e estaremos vigilantes o tempo todo”, sustentou.
Irismar Melo explicou aos presentes e ao próprio Adnan que aquela reunião era uma preparação para realização de uma audiência pública articulada pela Comissão Especial de Desenvolvimento para o dia 11 de agosto deste ano, com a participação de vários atores, inclusive com a presença da bancada federal do Pará na Câmara dos Deputados.
Ela destacou que na pauta estavam um pedido de contribuição do governo do Estado para ajudar as guseiras do Distrito Industrial de Marabá a voltarem a produzir, discussão sobre a implantação da Cevital, Ferrovia Paraense, rodovias que passam por este município e Hidrelétrica de Marabá.
A vereadora disse ainda que a audiência não terá bandeira política, mas uma discussão ampla sobre o desenvolvimento de Marabá. “O Distrito Industrial está fechado e precisa ser revitalizado o quanto antes”, clamou Irismar.
O secretário de Estado de Planejamento disse que, no atual estágio, o projeto da Cevital está sendo redimensionado pela empresa para se adequar à relação custo-benefício, mas quando estiver pronto, ela e a Vale farão o anúncio em conjunto. Todavia, fez questão de reafirmar que não se pode comemorar nada ainda e que vários passos precisam ser dados, como a criação da ZPE (Zona de Processamento de Exportação), que depende do governo federal.
Ao usar da palavra, Adnan elogiou a postura da Comissão de Desenvolvimento da Câmara e apresentou o histórico do projeto da argelina Cevital, revelando o estágio atual das negociações com a Vale e o esforço que o Estado está fazendo para que a siderúrgica do grupo seja implantada em Marabá. “Criamos um grupo de trabalho para discutir a Siderúrgica em Marabá, para estudar os modais já existentes, como Ferrovia e hidrovia do Rio Tocantins”.
Sobre a existência de um protocolo de confidencialidade entre a Cevital e Vale, Adnan disse que ele é natural, porque o preço do produto precisa ser baixo para viabilizar o empreendimento, mas que a Vale não pode revelar para não comprometer as negociações com outras empresas.
Em relação ao polo guseiro de Marabá, o secretário de Estado disse que está pronto para realizar para contribuir, mas que as empresas do segmento precisam primeiro resolver as questões ambientais relacionadas à fonte energética, como o carvão vegetal, que precisa ser de plantio de eucalipto.
Eugênio Alegretti, representante da ACIM, parabenizou a Câmara pela provocação do assunto e agradeceu o empenho do secretário Adnan em discutir os interesses de Marabá. “Precisamos ser insistente com projetos, como do Salobo, que as pessoas acreditaram por várias décadas e um dia foi efetivado. Ele relembrou de vários projetos que demoraram para sair do papel, mas foram efetivados, mesmo com luta. “A verticalização do aço foi sonho que veio com a Sinobras”, comparou.