Comandante da Guarda Municipal mostra resultados positivos no combate à violência

Vereadores descartam a possibilidade de extinção do serviço que tem apoiado a comunidade

Após solicitação feita pelo vereador Coronel Antônio Araújo, pedindo a presença do diretor da Guarda Municipal na sessão da última quarta-feira, 26, o tenente coronel Fernando, da Guarda Municipal, fez uma breve apresentação dos trabalhos efetuados pela Guarda em Marabá. De acordo com ele, a oportunidade de esclarecer algumas dúvidas e apresentar o relatório de atividades que foram realizadas pela Guarda nesse semestre é oportuna e traz maior conhecimento a todos do real trabalho da instituição. “Sabemos que o crime é um fato social e que o problema da segurança pública existe, sendo notória a necessidade de uma guarda em Marabá devido aos altos índices de criminalidade no município”.

Na visão do coronel Fernando, o trabalho da Guarda é o de prevenir no auxílio e no combate à violência e criminalidade junto à sociedade, sendo os locais de atuação da instituição a defesa do patrimônio público, que é a atribuição constitucional, eventos, e efetuando rondas às proximidades das escolas, auxiliando ainda diversos órgãos do município, como DMTU, SEMA, entre outros.

O coronel lembrou que dentre os 100 municípios com as maiores taxas de homicídios por arma de fogo, Marabá se encontra entre os 10 primeiros, segundo o Mapa da Violência.

Para ele, a Guarda Municipal vem apresentando significativo crescimento em sua atuação, principalmente após o equipamento da guarda com veículos doados pela Vale, coibindo os delitos de menor potencial, deixando as outras forças atuarem nas questões mais complexas.

Ainda nas palavras do coronel Fernando, o desempenho da Guarda se torna cada dia mais eficaz. “No primeiro ano de atuação tivemos alguns projetos efetivados, a campanha “Irmão de Sangue”, apoio ao projeto “Amigo do Peito”, e a realização da ronda escolar, que está atendendo 53 escolas da área urbana, visando coibir alguns delitos ocorridos nas imediações das escolas”. “Estamos trabalho para implantar um projeto de responsabilidade social que é a Guarda Mirim, levando cidadania para essas crianças”, finalizou Fernando.

Presidente da Câmara, a vereadora Júlia Rosa parabenizou o coronel pela demonstração que trouxe para que a Casa tomasse conhecimento, realmente, do trabalho que é feito pela Guarda em Marabá. “Às vezes, é tão pouco o reconhecimento pela comunidade do trabalho de algumas instituições, e a Guarda traz esse braço na segurança, na comunidade escolar, que é tão vulnerável na questão da insegurança de alunos e do corpo docente”, explanou Júlia. Ela disse ainda que a sociedade passa por diversos problemas de inversão de valores, e que em um curto espaço de tempo, a atuação da Guarda pode não surtir o efeito desejado, mas a sociedade a médio e longo prazo irá notar os efeitos positivos.

Autor da solicitação, Coronel Araújo lembrou que é de suma importância a exposição do trabalho, das dificuldades e das limitações da Guarda. “No município, se chegou a ventilar a extinção da guarda, mas pela importância e pela atuação dos gestores não se deu continuidade a isso. Marabá iria perder muito, caso houvesse o fim da Guarda”.

Na opinião, de Araújo, a Guarda precisa ser melhor preparada e utilizada. “Estamos passando por alguns problemas de efetivo, estamos perdendo guardas inspetores para outras instituições de segurança”, alertou Araújo, reconhecendo que a situação econômica da prefeitura não é das mais fáceis, mas que no futuro, é preciso se pensar na ampliação do efetivo e na melhoria de salários. “Precisamos aumentar esse efetivo, tão logo o município tenha mais condições. Sou favorável a ideia de capacitar a guarda para o trânsito. “Sabemos que essa função é do DMTU, mas a  guarda pode auxiliar nesse serviço”, completou.

Para o vereador Eloi Ribeiro, o pastor Eloi, quando a Guarda foi criada ainda se ouvia falar que não era necessária, hoje a coisa já é diferente. Eloi questionou qual tem sido o trabalho da guarda nas praças do município e qual o resultado desses primeiros meses nas rondas às proximidades de escolas?

Já Ubirajara Sompré disse ser de extrema importância a segurança do cidadão. “Foi ventilada a extinção do órgão por falta de recurso, devido ao momento difícil em que o município atravessa, e não por não ser importante”. Ainda de acordo com ele, segurança deve ser prioridade no município. “A Guarda, além de ser parceira junto ao DMTU, Semma, Postura ajudando no trabalho deles, ainda intimida a ação de criminosos. A Guarda Mirim deve ser direcionada para trabalhar na inclusão das pessoas menos favorecidas”, opinou Sompré.

Morador da zona rural do município, onde o efetivo policial é bem menor e onde a Guarda Municipal ainda não atua, o vereador Alécio Stringari, o Alecio da Palmiteira, falou da importância da apresentação e da necessidade de se dar visibilidade aos feitos do órgão. “Quem vive em Marabá já conhece e vem acompanhando o trabalho de vocês.”

De acordo com ele, o trabalho da Guarda é visto principalmente coibindo a ação de “moleques” que ficam na rua atacando em porta de escolas e se fingindo de flanelinhas. “Sabemos que a Polícia Militar não tem efetivo para estar em frente das escolas, nas praças e na proteção do patrimônio público, por isso a Guarda pode, perfeitamente, preencher essa lacuna”, ponderou Alécio.

Para Palmiteira, a Guarda Mirim deve ser preparada para auxiliar na travessia dos alunos nas faixas de pedestres, para evitar acidentes e ainda para educar as pessoas. “Penso que a Guarda já deveria ter sido instalada há muito tempo, pois faz um trabalho junto ao cidadão e próximo às comunidades”.

Coube ao líder do governo na Casa, vereador Pedro Souza, explicar o episódio que foi suscitado, no início do governo, de acabar com a Guarda ou não. Pedro Souza lembrou a todos da forma como o atual prefeito recebeu o município no início do governo e que existiam muitas dívidas a serem pagas, e pouco recurso restava nos cofres do Executivo Municipal. “O que ocorreu é que na época em que o governo decidiu que tinha de haver cortes, cogitou-se de acabar não apenas com a Guarda, mas também com a Semsur e outras secretarias. “Mas entendemos que ela não poderia ser extinta, até porque conta com 124 concursados em seu quadro funcional”.

Segundo o líder do governo, a sociedade já vê a guarda de uma forma positiva, e que em nenhum momento a Câmara se posicionou contrária à continuidade do trabalho. “Os agentes de segurança trazem uma sustentação nos ambientes em que se encontram. E esse efetivo terá de ser aumentando, porque a população aumenta, e nós temos que fortalecer a Guarda”.

O vereador Adelmo Azevedo, o Adelmo do Sindicato, opinou que em se a Orla de Marabá é o principal cartão postal e turístico do município, é necessário uma atuação maior nesse local. “A população jamais poderia desejar que se acabe com a Guarda. A partir do momento em que se vê o trabalho e se mostra para a sociedade, ela é bem vista”.

Miguel Gomes Filho, o Miguelito, um dos vereadores mais antigos da atual legislatura, lembrou que a Guarda foi criada pelo município em 1997, e que ela passou até 2008 para ser instalada. “Houve apenas uma suposição da extinção, mas não existe como voltar atrás, temos que pensar em como melhorar a atuação e ampliação dela, não podemos retroceder”, vociferou Miguelito, pedindo que seja entregue pela Guarda Municipal um documento com propostas e as necessidades  para a melhoria do departamento à Comissão de Segurança Pública da Câmara, da qual ele é presidente.

Orlando Elias enfatizou que Marabá ainda continua sendo uma cidade violenta, mas com a presença da Guarda, passou a ser uma cidade melhor de se viver. “A Guarda vem ajudando na segurança e nas parcerias, nas blitz com o DMTU e Semma, dando suporte à Postura, inclusive zelando dos prédios públicos, como o da Câmara”.

Ronaldo Yara, morador da Folha 28, onde já existe uma atuação da Guarda na feira e em rondas, avaliou que a Guarda é importante para o município para garantia de segurança e direitos. “No centenário foi importantíssima a atuação da Guarda, porque ela inibiu a violência sem a presença de arma de fogo, pela forma de abordagem e pela presença amiga da comunidade. Não existe reversão na guarda”, sinalizou Yara.

Algumas professoras e diretoras de escolas do município estavam presentes e pediram para fazer uso da palavra. A primeira a usar a tribuna foi a professora Solange, que trabalha no colégio Irmã Teodora. Ela disse que a atuação da Guarda tem inibido a presença de meliantes nas escolas do complexo Liberdade/Laranjeiras. “Vivenciamos inúmeros problemas de violência na escola e a presença da Guarda é constante e tem sido uma parceira nossa. Eles já são parte da comunidade, diariamente o povo tem notado a melhoria do ambiente escolar a partir da presença de homens da Guarda, sempre atuando de forma humana, pelo menos no bairro da Liberdade tem sido eficiente”.

Darlene Oliveira, professora do Bairro São Félix, agradeceu a inclusão das rondas da Guarda nas escolas do outro lado da ponte, no Bairro São Félix, inclusive em um colégio do Estado, o Walquise Viana.

Ao fazer suas considerações finais, coronel Fernando respondeu alguns questionamentos. Observou que o patrulhamento nas praças e escolas tem sido intensificado e vem dando resultado positivo, principalmente coibindo a depredação do patrimônio público, de maiores utilizando brinquedos das crianças. “Até às 22 horas, o pessoal das bicicletas faz essas rondas nas praças”. Já houve apreensão de drogas e foi dado o encaminhamento previsto ao caso.  Fernando disse ainda que devido ao sucesso da implantação da Guarda em Marabá, outros municípios vizinhos como Nova Ipixuna e Parauapebas pediram auxílio para instalarem também suas respectivas instituições de segurança municipal. “Nosso trabalho principal é a prevenção. Quando os guardas estão presentes previnem e inibem possíveis problemas”, finalizou Fernando