Comissão de Desenvolvimento da Câmara debate turismo com agentes do setor

Vereadores discutem formas de impulsionar o segmento no município, que é polo regional

Criada no início deste ano para contribuir no crescimento da economia do município, a Comissão de Desenvolvimento de Marabá realizou no dia 17 deste mês mais uma reunião, desta vez com representantes do segmento do turismo. O presidente da Comissão, vereador Guido Mutran, abriu os trabalhos e cumprimentou as mais de 10 personalidades que compareceram à reunião, realizada na Sala de Comissão do Poder Legislativo. Ele destacou que esta é a quinta reunião promovida pela Câmara, a qual considera o turismo um setor estratégico para o desenvolvimento.

Segundo Guido, estão previstos para os próximos meses mais de R$ 437 mil para o setor de turismo de Marabá através de emenda do deputado federal Lúcio Vale, observando que é preciso que o município dê mais atenção a este setor, que impulsiona milhares de empregos.

O vereador Pedro Correa, secretário da Comissão de Desenvolvimento, reconheceu que o País passa por um momento de recessão, o qual deixa todos os segmentos preocupados e temerosos com o futuro. Todavia, entende que o diálogo pode ajudar a identificar soluções para superar as dificuldades em vários setores, como o de turismo, por exemplo. “Depois desta reunião, queremos promover um seminário para discutirmos todas as questões que põem entraves no desenvolvimento de nosso município”, informou Pedrinho.

Dauro Remor, presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes de Marabá, destacou que é preciso levar em consideração que Marabá, por suas características, é um polo regional e o turismo existe naturalmente, mas ainda falta que as autoridades tenham a noção clara do que representa o município no contexto regional, estadual e nacional do turismo.

Ele mostrou, através de uma apresentação, que O Centro de Convenções será, em pouco tempo, o principal atrativo para colocar Marabá como destino turístico nacional. “Não pensem que o rio e as praias nos colocam como destino nacional. Somos um polo de turismo regional porque as pessoas que vêm a Marabá estão a trabalho e isso faz da gente um turismo de negócios. Os nossos atrativos turísticos são fantásticos, mas não conseguimos passar de um polo regional”, explicou.

Remor considera que Marabá foi classificado erroneamente em um eixo turístico denominado Araguaia Tocantins, enquanto difere, e muito, de Conceição do Araguaia, por exemplo. “O governo do Estado não reconhece essa deficiência e nos coloca num roteiro muito difícil”, reclama.

Na previsão dele, quando o Centro de Convenções começar a funcionar, não será plenamente e por isso conclama os políticos e gestores do município para refletir, arregaçar a manga e trabalhar. “Um evento de grande porte, como requer esse Centro de Convenções, precisa ser trabalhado durante dois anos. Então, se o prédio for entregue em 2016, só deverão ser realizados pequenos eventos regionais. Os nacionais não poderão chegar antes de 2018 ou 2019. Essa é uma realidade e vamos ter quer criar um serviço e infraestrutura para dar apoio a esses eventos”, adverte.

Alfinetada

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes, é preciso reconhecer que em Marabá, atualmente, não há incentivo à cultura, música e artesanato. Quando chega um turista na cidade ele fica sem opção de diversão. “Aqui há pouco coisa para mostrar. Ele fica entre um a três dias e vai embora porque há poucos restaurantes, casa de espetáculos praticamente nenhuma, as casas de show são mal organizadas. Cabe a nós traçarmos as metas que vão nortear isso. Precisamos criar uma unicidade e toda comunidade tem de pensar em Marabá como um potencial turístico que já existe, mas que necessita apenas ser organizado”, reitera.

Pedro Correa lamentou a ausência de representante da Secretaria de Turismo na Marabá e reconheceu que a Câmara peca em não ter nenhuma comissão permanente responsável por discute os problemas do setor.

Lembrou que quando a Câmara recebeu o Orçamento para 2015, a Secretaria de Turismo teria apenas o valor de R$ 654.800,00, que ele considera um valor insignificante devido à importância do segmento. Ele propôs uma emenda com a inclusão de mais R$ 1 milhão para o turismo.

Francisco Arnilson, diretor do Sindicom (Sindicato do Comércio de Marabá), disse que participou recentemente da Feira Para Negócios, em Belém, organizada pelo Sebrae, a qual considerou um evento maravilhoso. “Vitória do Xingu foi muito bem representada, tem uma Secretaria de Turismo que funciona, enquanto Marabá fica muito atrás. Temos instrumentos turísticos para mudar esse quadro. Dispomos de 1.600 leitos de hospedagem, temos agências de viagem, um Centro de Convenções previsto para inaugurar em maio de 2016, um aeroporto que está sendo ampliado e precisamos apostar nesse potencial”.

Na concepção de Arnilson, Marabá possuía um Departamento de Turismo que não fazia turismo, mas sim cultura de eventos. Lembrou que em 2008 foi criada a Secretaria de Turismo, no governo de Maurino Magalhães, a qual funcionou relativamente bem nos três primeiros anos do governo. “Na gestão atual foi colocada uma pessoa que não tinha competência e não foi feito nada. Não podemos retroceder. É muito difícil imaginar Marabá sem a Secretaria de Turismo e tudo que o João Salame fala que vai fazer acaba não fazendo.

Hamilton Lopes Barros, presidente da Associação dos Barraqueiros da Praia do Tucunaré, lamentou que o turismo tenha sido abandonado pelo setor público e calcula que o aumento de frequentadores no principal balneário da cidade passa pela estratégias governamentais. “Torço muito para que isso dê certo e que essa reunião tenha algum proveito, para que o turismo volte com força ainda maior na Praia do Tucunaré”, disse.

Isis Mourão, coordenadora da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Mineração (Sicom) esse debate no setor de turismo é histórico em Marabá. Destacou que em 18 anos atuando neste segmento, nunca viu os atores sendo chamados para um debate na Câmara Municipal. “O turismo é, sim, uma economia de desenvolvimento para o município de Marabá e está muito claro isso com os próprios dados que o Dauro já nos passou. Os empresários e comerciantes têm ganhando dinheiro, mas sofrido uma série de consequências negativas também. No que diz respeito à gestão pública, o que nós temos atualmente é uma barganha politica e nós precisamos estar muito atentos para não deixar o setor enfraquecer”.

Isis reconheceu que empresários têm que se unir ao município e trabalharem de forma conjunta. Além disso, destacou que é necessário manter a capacitação permanente das pessoas envolvidas no segmento. Ela defendeu ainda a instalação de cursos profissionalizantes e também na universidade que deem ênfase ao turismo.

Hugo Rogério Hage, professor de Geografia da Unifesspa, prevê que Marabá será outro município com a instalação do Centro de Convenções e disse que em sua tese de doutorado está analisando as políticas de governo e questiona quem será o alvo dos eventos que ocorrerão naquele imenso espaço. “Concordo com o fato de que o governo do Estado errou de uma forma crassa no que se refere à regionalização da atividade turística. Pensar um polo regional onde junta cidades que historicamente foram formadas de maneira diversa é muito complicado”.

Na avaliação de Hage, deve-se refletir sobre a avaliação da atividade turística a partir de um único setor como turismo de negocio. Para ele, é preciso analisar o Centro de Convenções como espaço que se destina a um turismo de negócio. “Os eventos que serão desenvolvidos serão apenas para negócios ou os eventos culturais terão vez? As manifestações folclóricas dos diversos grupos culturais serão também levadas em consideração e em que medida isso vai ser considerado? São questões que eu acho muito importante para serem discutidas no seminário que a Câmara vai promover”.

Jeânia dos Santos, presidente da Federação das Entidades Comunitárias de Marabá, lembrou que a lei 15.218/98 criou o Conselho Municipal de Turismo, assinada pelo então prefeito Geraldo Veloso, criando o Fundo de Desenvolvimento do Turismo de Marabá; em julho de 1999 foi criado o Selo de Qualidade do Turismo; em 2009 foi dada uma nova redação à lei, e em 7 de março de 2014 foi alterada a lei 15.218, estabelecendo novas regras. “Eu acho que as associações de bairros são as maiores afetadas nesse setor porque a gente busca dentro das entidades e associações geração de emprego e renda e o turismo seria um segmento para atuação permanente”, disse.

Edvaldo Pereira, presidente do Sindicato dos Transportadores Marítimos de Marabá considerou que a Praia do Tucunaré está esquecida e é um lugar tão importante para as pessoas. “Na gestão passada o governo nos apoiou muito. Rabeteiros, barqueiros e barraqueiros ganharam muito dinheiro na praia. Já na gestão atual acho que o prefeito esqueceu de investir naquele balneário. Não temos nenhum evento na praia e não conseguimos ganhar o nosso dinheiro”.

Maurino Magalhães Lima Filho, presidente do Sindicato dos Taxistas de Marabá diz que há dois anos e meio é taxista e está preocupado porque com a crise instalada no município. “Muitos voos foram tirados daqui, o fluxo de passageiros caiu muito e nossa categoria foi prejudicada diretamente com isso. Eu tenho quase certeza que esses voos foram cancelados porque a cidade já não está mais tão atrativa assim. Fizeram a reforma no Aeroporto, mas ainda ficou com cara de rodoviária. “Sempre recebemos estrangeiros que vêm fazer pesquisa de mercado ou outra coisa por aqui e nós não sabemos falar inglês. O sindicato está procurando convênios para oferecer treinamento aos taxistas e assim possamos atender melhor os passageiros.

Nilva Resplandes, diretora comercial da Mabtur, destacou que o setor de turismo precisa é o apoio da gestão pública, dos vereadores, Associação Comercial e outras entidades para resgatar os voos que saíram de Marabá. Ela considera que demanda existe e que a pressão política pode ajudar.

Pedro Correa disse que uma pesquisa da Paratur em 2014 apontou que 55% das pessoas entrevistadas reconheciam que o avião era o principal meio de transporte para quem vem a Marabá. “Isso me preocupa bastante porque com certeza está diminuindo o número de turistas, inclusive o turista de negócio”, lamenta.

João Batista Carneiro, presidente do Sindicato dos Empregados no Comercio Hoteleiro de Marabá, avalia que Marabá está vivendo um momento de sazonalidade, onde o mercado está se adaptando a uma nova realidade.

Joseni Soares da Silva, gerente do Sebrae em Marabá, disse que a entidade que dirige abraça o projeto de turismo para Marabá. Inclusive, colocou no PPA 2016 a 2019 para priorizar o projeto de turismo para a região, formado principalmente no turismo de negócios e eventos. “Já existe um turismo de negócio, só que não é mensurado e pra isso se precisa trabalhar com registro na região. Para que isso aconteça, é necessário fortalecer as empresas que prestam serviços para o município. Realmente nós precisamos de capacitação e isso é a coisa mais importante para desenvolver o turismo, porque sem capacitação o turismo não se desenvolve. Temos muita dificuldade de implantar um curso de turismo aqui em Marabá. Tivemos recentemente uma parceria com o Sindtur e convidamos para participar dessa capacitação mais de 40 empresas do município. No final, ficaram nove empresas e isso tudo com subsídio do Sindtur e Sebrae”.

O gerente do Sebrae diz que é preciso haver comprometimento, porque ninguém faz turismo sozinho. “Acho muito importante esse seminário que os vereadores estão propondo para o turismo e trazer empresas especialistas nisso. Nós temos que saber fazer o marketing do nosso município e estarmos preparados para isso. A concorrência está a nível mundial e não somente local”, alertou.

Encaminhamentos:

Várias sugestões foram apresentadas para serem desenvolvidas, as quais ajudarão a melhorar o setor de turismo do município. Dauro Remor colocou como importante a ampliação da sinalização vertical e horizontal nas ruas da cidade, além de ações de incentivo à cultura, folclore e música; promover oficinas de aperfeiçoamento para a juventude, com programa de incentivo a apresentações culturais;

Isis mourão pediu que o governo municipal promova a capacitação empresarial para que o setor de turismo seja mais profissional;

Hugo Rogerio sugeriu a ampliação da discursão sobre a abrangência do Centro de Convenções, criando também um Plano Municipal de Turismo;

Maurino Filho falou sobre a capacitação da mão de obra e a importância de um treinamento básico de língua estrangeira para os taxistas, melhorando a infraestrutura e as rodoviárias da cidade;

Francisco Arnilson apresentou a proposta de manter a Secretaria de Turismo de Marabá funcionando plenamente;

Josenir Soares, do Sebrae, pediu a união de todos os atores do seguimento.