COMISSÃO DE SAÚDE AGENDA REUNIÃO PARA DISCUTIR AVANÇO DA LEISHMANIOSE EM MARABÁ

Doença já atinge grande parte dos cães da cidade e há impasse sobre ações de controle realizadas pelos órgãos de saúde

A Comissão de Administração, Serviços, Segurança Pública e Seguridade Social da Câmara Municipal de Marabá coordenou uma reunião nesta quinta-feira, 18 de maio, para ouvir da gerência do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), sobre a proliferação de casos de leishmaniose visceral canina na cidade.
Participaram da reunião os vereadores Ilker Moraes, Miguel Gomes Filho, Cristina Mutran, Cabo Rodrigo, Gilson Dias, Pastor Ronisteu, Priscila Veloso e Tiago Koch.
Deyse Araújo Mendes, uma voluntária que atua no combate à doença, disse que começou a fazer a primeira ação contra a leishmaniose há quase um ano, ajudando a vacinar 70 cães, e que mais de 42% apresentaram resultados positivos. De lá para cá, o CCZ tem feito um trabalho de monitoramento da situação. Revelou que na mais recente campanha foram vacinados mais de 300 cães no bairro Bela Vista. Ela solicitou que a Câmara peça um plano de ação para a Secretaria Municipal de Saúde, porque existem pessoas que estão morrendo com leishmaniose e que muitas estão batendo a porta do CCZ.
Deyse disse que o Centro de Controle de Zoonoses está tentando combater o mosquito palha, que transmite a doença, e não o cão, que é o hospedeiro e vítima da situação. “Não existe um plano para a situação e temos de combater. Precisamos ter um carro fumacê e uma ação pública efetiva”.
A voluntária pediu que a Câmara Municipal realize uma audiência pública para conclamar o poder Executivo: prefeito, vice e secretário de saúde para dar um esclarecimento à população.
Nagilvan Rodrigues Amoury, médico veterinário e atual diretor do CCZ, disse que aquela unidade foi implantada devido, principalmente, à raiva humana. Mas alertou que hoje a situação é difícil, revelando que entre 2015 e 2016 ocorreram cerca de dez mortes de pessoas devido à leishmaniose em Marabá. E em 2017, garante, já foram registradas três mortes.
Ele pediu que seja criada uma lei definindo a quantidade máxima de animais por domicílio e que o criador seja responsabilizado por eles, porque muitos deixam os animais nas ruas. Hoje, diz, a lei só age em situações de maus tratos.
Disse que no início deste ano de 2017 fez visitas a umas 30 pessoas que estão em tratamento contra a leishmaniose, uma doença que, segundo ele, é muito complicada de combater. “A borrifação é uma ação necessária. Se não tomarmos providência na base, teremos uma grande complicação. As pessoas mais suscetíveis são as crianças e os idosos, pela deficiência imunológica. Temos mão de obra deficitária para combater as doenças tropicais”, lamentou o médico veterinário.
Ele criticou a existência de muitos terrenos baldios que não recebem serviço de roço e que acumulam água e lixo e contribuem na proliferação do mosquito. Informou que a carrocinha do CCZ, que coleta animais errantes, tem tido dificuldade de encontrar animais neste ano, porque a limpeza pública vem sendo bem feita. “Antes, capturávamos de 20 a 30 animais por dia”.
Nagilvan Amoury disse que sua equipe faz coleta dos animas que as pessoas levam até o CCZ, às segundas, quartas e quintas-feiras, e ainda aos finais de semana. Todavia, voltou a insistir na necessidade de realizar borrifação. Revelou que há deficiência no fornecimento de veneno para combater o mosquito, garantindo que o centro fornece a mão de obra, com ajuda do Exército. “A borrifação seria realizada no interior das casas. Se houvesse um combate contínuo não teríamos tantos casos”, alegou.
Jonivelte Souza, veterinária de uma clínica particular, informou que geralmente recebe animais que são sintomáticos, e também não são sintomáticos. De cada 10, 5 ou 6 estão com leishmaniose. Ou seja, nas contas dela, 60% dos animais com leishmaniose são assintomáticos. “Uma das formas de ajudar a diminuir os mosquitos é colocar a coleira repelente. Além do fumacê e a borrifação, a distribuição da coleira para a população mais carente pode ser uma saída para diminuir a leishmaniose”, avaliou.
A médica e vereadora Cristina Mutran disse que sempre criou cães e que mais recentemente três contraíram leishmaniose. Mesmo tomando todos os cuidados, eles pegaram a doença. “É preciso conscientizar a população sobre os efeitos da leishmaniose. Todos precisam saber como combater a doença. Temos de cobrar ainda do Estado para fornecer o produto químico que falta. Deveria ser realizada uma campanha de castração de animais soltos pelas ruas e contratar mais funcionários para trabalhar no combate à doença”, sugeriu Cristina.
O vereador Gilson Dias disse que tem saudade do antigo SESP, quando, na visão dele, se combatia as doenças tropicais com efetividade. “Hoje se convive de uma forma ruim com elas. Peço para que se convoque o secretário de Saúde do município para que seja convencido a adquirir as coleiras. É preciso chamar o governo do Estado, co-responsável no combate à doença. O carro de fumacê seria muito importante. É preciso chamar a Sespa para explicar por que esse instrumento não é utilizado. Uma audiência púbica para discutir esse tema tem de ser feita”, analisa Gilson Dias.
O vereador Ilker Moraes disse que leu em um site o alerta para o crescimento de leishmaniose e que endossa o pedido de criação de uma lei para o combate da leishmaniose e outras doenças e concordou na realização de uma audiência pública, além de realizar uma campanha para difusão das informações para a população.
Pastor Ronisteu avalia que a situação endêmica está muito abafada e que pouco se houve falar da real situação da doença em Marabá. Para ele, é preciso uma campanha de conscientização da população para que todos tenham conhecimento dos efeitos e causas da doença, além de como combater.
O vereador Tiago Koch perguntou sobre atividade de combate da doença para a zona rural e Nagilvan Amoury disse existe um projeto e revelou que as vilas estão há dois anos sem receber vacinação antirrábica e que o CCZ pretende realizar o teste rápido quando puder ir a essas comunidades, informando que o Estado pretende suspender o teste rápido.
O vereador Miguel Gomes disse que é preciso partir para a solução, que existem duas propostas: uma para realizar audiência pública e outra para dar continuidade ao trabalho já realizado.
Ficou definido que será realizada uma reunião com a direção da Sespa, o secretário de Saúde de Marabá, a comissão que apresentou o problema à Câmara e os vereadores. Esta reunião ficou agendada para o dia 29 de maio, às 9h30, na Sala das Comissões. Serão convidados a Sespa, Secretaria Municipal de Saúde, CCZ e secretário de Meio Ambiente.