Estre Ambiental recebe críticas de todos os lados na Câmara Municipal

Antiga Leão Ambiental é foco das discussões logo na primeira sessão ordinária do ano

 

Na volta do recesso parlamentar, durante a sessão de instalação, nesta terça-feira, 18, do novo período ordinário da Câmara Municipal de Marabá, o prefeito João Salame Neto, que esteve presente durante todo o evento, pode colocar seus posicionamentos e ouvir as demandas e reclamações dos vereadores.

Um ponto muito abordado pelos parlamentares – e pelo próprio gestor - foi a atuação da empresa responsável pela coleta de lixo em Marabá, a Estre Ambiental. Não é a primeira vez que boa parte da Câmara reclama dos serviços que estão sendo executados na limpeza pública do município. De acordo com a maioria dos vereadores, a limpeza urbana de Marabá deve tomar novos rumos. Para eles, a empresa que hoje realiza o serviço no município deve ter seu contrato cancelado com a prefeitura por não atender a contento a população e pelo alto valor pago. Atualmente, pouco mais de R$ 2 milhões, que na visão dos legisladores oneram e muito os cofres públicos municipais.

Vanda Américo foi a primeira a se posicionar sobre o assunto. De acordo com ela, depois de visitar vários locais no município, constatou que a Estre não vem coletando o lixo de forma satisfatória. “Não posso compreender, essa empresa está ai fazendo um péssimo trabalho e continua. Temos que mudar a forma de fazer limpeza nessa cidade”. Ubirajara Sompré discursou no mesmo sentido, dizendo que o contrato com a empresa deve ser reavaliado. Para ele, é necessária a realização de uma nova licitação. “O prefeito já se mostrou favorável a verificar esse contrato”, explanou o vereador.

Pedro Correa se alongou mais no seu posicionamento, disse que os canteiros e ruas precisam de um olhar e ações mais efetivas. “As ruas tomadas por mato e cheias de areia, entopem os bueiros e os alagamentos se alastram, principalmente nesse período chuvoso”, enfatizou Correa. O vereador ainda expôs que em outros tempos, havia bem mais funcionários a serviço da limpeza pública em Marabá, e que hoje, tem certeza que a Leão não tem nem 200 funcionários nessa área. “O custo é alto para município e o serviço de baixa qualidade”.

A vereadora Irmã Nazaré reclamou da coleta de lixo. Para ela, a cidade está tomada de lixo, mas lembrou que é preciso também educar as pessoas para que o problema não se agrave ainda mais.

Após o posicionamento dos vereadores, ao final da sessão, foi disponibilizada a palavra para o gestor municipal, João Salame Neto. No que tange a respeito da coleta de lixo, o prefeito disse que é preciso separar o joio do trigo. Salame lembrou aos presentes que pegou o “bonde andando” e precisou manter e prorrogou contrato por um ano. No entanto, garante que não ficou parado durante esse tempo, fez várias visitas a outros municípios e elaborou um plano municipal de coleta de lixo. Disse, também, que existe um roteiro de audiências públicas, para que em 5 de abril se decrete um plano que terá de ser seguido por qualquer empresa de Marabá.

O prefeito ainda foi enfático ao afirmar sua decisão de fazer uma nova licitação. “Já decidi: licitação será feita”, garantiu. Salame disse que realmente o serviço é ruim e os preços altos. “O contrato tem preço unitário de cada produto. São valores altos e na nova licitação será definido novo preço”. O prefeito ainda disse que cumpriu com seu papel, avaliando que não poderia ser irresponsável, demagogo e populista, rompendo de imediato com a empresa, pois quem iria “pagar o pato” seria a comunidade. “Farei uma nova licitação com bases reais, sem prejuízos para a limpeza urbana”, definiu o gestor de Marabá.

Em 2013, a Prefeitura pagou mais de R$ 26 milhões para a Estre pela coleta de lixo, numa média de mais de R$ 2 milhões por mês.