Falta de merenda em escolas irrita vereadores

Comissão de Educação vai apurar o caso e exigir solução imediata do Executivo

O vereador José Sidney (PSDB) deu o tom do que seria o assunto principal na sessão de terça-feira, 1º de abril, na Câmara Municipal de Marabá. Novamente em pauta, a falta de merenda escolar nas escolas do município é problema que, de acordo com o vereador, já vem ocorrendo há um bom tempo e todos ficam calados. “Esse assunto vem incomodando. Não podemos sair na rua que todo mundo cobra a merenda. Há um ano e três meses o governo assumiu a gestão da educação e não podemos mais aceitar desculpa de problemas com a licitação”, explanou Sidney.

Para ele, estão brincando com os vereadores. “Somos culpados por não ajudar a resolver o problema. Aqui, o que a gente faz é pedir e nunca ser atendido. O governo tem de resolver o problema da merenda, o recurso vem e há crianças que só vão para a aula por causa da merenda”, disse o vereador, falando em seguida que, a desculpa dada pela Semed, de licitação, não tem mais cabimento.

A vereadora Vanda Américo (PSD) lembrou que fez vários pronunciamentos em relação à merenda escolar no Plenário da Câmara. Para ela, não seria produtiva uma reunião apenas entre vereadores e o secretário de Educação, mas com outros entes, como prefeito, secretário, coordenador do departamento de merenda escolar para que se compreenda a gravidade do problema e sejam sugeridas formas de solucioná-lo.

Vanda revelou que a Semed chegou a enviar Chilitos para a merenda de um Núcleo de Educação Infantil. Na última sexta, mandaram 40 pacotes do produto para o referido NEI e quando ela soube foi de casa direto para o Ministério Público denunciar o caso. “Estão debochando das nossas crianças pobres, que precisam da merenda”, criticou.

Por fim, Vanda disse que a Câmara não pode aceitar mais um ano e meio de desculpa em relação á licitação e avisou que vai ingressar com procedimento na Justiça Federal para que a Prefeitura resolva o problema da merenda “por bem ou por mal”.

O vereador Pedro Correa (PTB), que faz parte da Comissão de Educação da Câmara, disse que já houve várias reuniões para discutir a merenda escolar com a Secretaria de Educação. “A atual gestão introduziu o turno intermediário e não tem merenda nesse período do almoço, o que é grave. Vamos orar pelo futuro secretário de Educação, porque temos certeza que a competência dele vai ajudar a solucionar esse problema”, concluiu Pedrinho.

Ubirajara Sompré (Pros), presidente da Comissão de Educação, reconheceu que esse é um problema que tem que ser resolvido da forma mais breve possível. “Temos de estar mais ‘lincados’ nisso, já reunimos com o pessoal da merenda, cobramos e pensamos que a situação estava resolvida. Temos de cobrar mesmo. Nos informaram que em relação à licitação, as empresas que perderam recorreram. As crianças vão para a escola pensando na merenda. Temos que dar uma solução, e que a alimentação volte a ser oferecida para nossas crianças”, advertiu Ubirajara.

O vereador Guido Mutran (PMDB) se mostrou surpreso e disse que imaginava que a coisa já tivesse sido corrigida. “Não podemos nos limitar à denúncia. Cada colega tem que ter a responsabilidade de atuação. As crianças não podem ser penalizadas. O importante é que se encontre uma solução, caso contrário, a evasão escolar vai aumentar. Vamos ver se até amanhã temos uma posição clara sobre isso” opinou o vereador.

Na avaliação do vereador Orlando Elias (PMDB), a Semed ainda tem um segundo problema, que é a questão do pagamento do transporte escolar rural. “Os donos de ônibus estão há quase 15 dias sem receber os valores correspondentes a seus contratos. Temos de saber o que está ocorrendo. Não acredito que seja um problema de licitação. E a merenda, quando é fornecida, é de péssima qualidade”.

O líder do governo na Câmara, vereador Pedro Souza (Pros), reconheceu que vem ocorrendo problemas com falta de merenda escolar em algumas escolas, e explicou que isso ocorreu porque a empresa que ganhou a licitação deixou de entregar alguns produtos e muitos alunos acabaram penalizados. Contudo, garantiu que ainda esta semana o problema será resolvido de forma definitiva. “O prefeito João Salame também ficou irritado quando soube da falta de merenda em algumas escolas e exigiu que o caso seja solucionado urgentemente”, informou Pedro Souza.