Fechamento de biblioteca e Casa do Professor causa polêmica entre vereadores

Crise financeira na Semed é tema de debate na Câmara Municipal

Após o anúncio, feito na semana passada, pelo secretário de educação a um jornal local, de que a Secretaria de Educação (Semed) está à beira da falência, e está tendo problemas de gerenciamento e pagamento da folha com o atual orçamento, e por isso seria necessário alguns cortes na pasta, visando equacionar a saúde financeira, alguns vereadores se opuseram à forma como a Semed esta iniciando esse processo, fechando a Casa do Professor e a Biblioteca “Almirante Tamandaré”.

Boa parte dos vereadores, incomodados com o anuncio de fechamento desses setores, fez coro para que que o gestor municipal reveja essa situação. Para eles, essas instituições municipais, com cerca de dez anos de existência, serviam muito à comunidade da educação.

A primeira a abordar o assunto foi a vereadora Vanda Américo (PSD), que se disse “assustada” com as mudanças que estão sendo implementadas pelo governo do prefeito João Salame (PPS). “Fui à Semed questionar essa situação. Como é que se acaba com a biblioteca do professor, uma ferramenta de trabalho importante. No mundo inteiro não se acaba com bibliotecas. Se há muitas pessoas no setor, se reduz, não se coloca os livros dentro de caixas e se joga em qualquer lugar. No governo Maurino fecharam 7 bibliotecas nas escolas, e ele comprou R$ 7 milhões em livros”, disse Vanda.

Ela pediu que a Câmara se posicione contra essa distorção na tentativa de enxugar os gastos na Secretaria Municipal de Educação, inclusive aumentando a carga horária de alguns professores em 40% para demitir outros. “Gostaria de uma conversa com o prefeito Salame, diante de uma reforma esdrúxula dessas. Não podemos homologar as coisas erradas, queremos que o governo dê certo, mas não trabalhe de oitiva”.

O vereador Coronel Antônio Araújo (PR) também se mostrou preocupado com o fechamento da biblioteca e disse que apesar da crise no setor de educação, é preciso que se discuta essa decisão temerária.

Como educadora, a vereadora Irismar Araújo (PR) não fugiu do assunto fechamento da Biblioteca e Casa do Professor. Para ela, esse assunto deveria ter sido amplamente discutido e havia apenas boatos informais há cerca de 90 dias que antecederam o fechamento dos dois espaços. “Algumas decisões são terríveis, precisamos conter recursos, mas olha o tempo em que estes espaços existem e com prédios próprios. É preciso haver coerência, quando se fecha um espaço de educação se abre 10 presídios. Nosso apelo por sensibilidade para que essa questão seja revista Precisamos é avançar na criação de mais espaços como esses. Não existe argumento para essa posição, apesar da situação garantir que haja”.

A vereadora Antônia Carvalho (PT) considera precipitado o anúncio de que a Semed está falida, por parte do secretário municipal de Educação, Luiz Bressan. “Se administra com orçamento e não há como que manter  duas gratificações de mestres e doutores tão altas, com as quais não se pode arcar. Não podemos, no afã de tornar a folha mais leve, fechar espaços prioritários da educação. Se o prefeito decidiu colocar 5.500 novos alunos na rede, tem de enfrentar o resultado dela, aumentando a folha de pagamento. É preciso sabedoria para mexer sem interferir no sistema e qualidade de ensino”, advertiu.

Ao usar da palavra, a vereadora Júlia Rosa (PDT), presidente da Câmara considerou que o fechamento da Casa do Professor e Biblioteca do Professor é um retrocesso. Ela acredita que a Câmara deve se posicionar, mesmo levando em conta as mudanças que ocorreram na gestão anterior em relação ao inchaço da folha do município. “É preciso que haja clareza de que em projetos e ações que estão dando certo, ganhos na qualidade da educação do município não se pode mexer. Precisamos reunir com o prefeito para discutir o assunto administrativamente na Sala de Comissões, com participação da equipe técnica da Semed para avaliar onde podem ocorrer mudanças”.

Ela sugeriu que essa reunião aconteça tão logo uma equipe de vereadores retorne de Brasília nesta quinta-feira, “Sou base do governo, mas quero ter a clareza daquilo que estou votando.”

Aceita-se sugestão

Por sua vez, o líder do governo, Pedro Souza, remeteu o inchaço da Folha de Pagamento da Educação à gestão passada e disse que a medida a ser adotada neste momento é o controle nas contas públicas, apontando a Saúde e Educação como as duas que mais oneram a folha do município, e que a Prefeitura tem colocado mais de R$ 1 milhão todo mês para fazer jus ao pagamento dos servidores, aí já incluídos o repasse do Fundeb e os 25% de obrigação do Executivo Municipal. “Se não tomarmos medidas austeras, não vamos conseguir pagar o décimo terceiro salário no final do ano”, avisou Souza.

O líder do governo disse que a gestão municipal está aberta a sugestões para conseguir alternativas para diminuir o custo da folha da Semed em R$ 1 milhão por mês. Segundo ele, a economia mensal com o fechamento da Casa do Professor e Biblioteca representa cerca de R$ 60 mil. “Podemos mexer em qualquer lugar, menos nos salários dos servidores”, avisou.