Fim de convênio para oftalmologia gera polêmica na Câmara

Vereadores cobram atitude do município sobre atendimento de catarata e pedem solução para o caso

A clínica habilitada, no município, para o atendimento dos pacientes com problemas nos olhos, mais especificamente, no tratamento e cirurgias de catarata, que mantinha convênio com a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá (SMS), paralisou o atendimento e avisou a Comissão de Saúde da Câmara, que não pretende voltar a realizar o atendimento, pela forma como estava sendo tratado.

O caso tomou grande parte do expediente da sessão ocorrida na manhã desta terça-feira (27), no plenário da Casa. Alguns vereadores usaram a tribuna para criticar a suspensão dos serviços, e pediram uma atitude e um posicionamento da Secretaria de Saúde de Marabá, cobrando, da administração, uma solução urgente para o caso porque mais de 2.000 idosos estão na fila de espera pela cirurgia. Mais de 300 deles já tinham passado por triagem e aguardavam apenas o procedimento cirúrgico.

Primeiro a tocar no assunto, o vereador Pastor Eloi Ribeiro (PRB) lamenta a situação vexatória e reclama da falta de interesse do município em solucionar o problema, uma vez que a cirurgia custa R$ 700,00 pelo SUS e R$ 4.000,00 no particular. De acordo com ele, como o repasse que o governo faz é muito baixo, nenhum outro oftalmologista em Marabá tem interesse em prestar o serviço. “A comunidade carente nos cobra e precisamos dar uma resposta, não podemos ficar parados vendo nossos ‘velhinhos’ ficando cegos sem tomarmos nenhuma medida”, disse pastor Eloi.

Pedro Correa Lima (PTB), que já foi secretário municipal de Saúde, é outro vereador que se diz indignado com a situação. Ele disse que apesar dos esforços de uma comissão de vereadores ter ido à clínica do médico Luiz Madeira pedindo que ele relevasse a situação, este não voltou atrás de sua decisão e mostrou-se magoado com a forma com que tem sido tratado pela gestão atual da Prefeitura de Marabá. “Por falta da regularidade no pagamento, ele deixou de prestar o serviço”, lamenta Pedro Correa.

Miguel Gomes Filho (PP), outro vereador que já atuou como secretário de Saúde, disse nunca tinha visto isso acontecer na história recente da política de Marabá. Para ele, falta gestão ordenada da Secretaria de Saúde e crê que dificilmente Marabá vai conseguir outro profissional dessa especialidade para atender os casos urgentes e graves de catarata e outros procedimentos de oftalmologia. “Esse recurso é federal, não consigo compreender e conceber o porquê disso estar acontecendo, se o dinheiro já estava depositado na conta da SMS. Isso prejudica as pessoas de mais idade que estão querendo enxergar”.

Em carta endereçada aos vereadores nesta terça-feira, o médico Luiz Madeira fala em “atrasos rotineiros” no repasse dos recursos referentes às faturas e revelou que sua empresa já estava amargando títulos em protesto em cartório, nome da mesma no Serasa e atraso no pagamento de funcionários da clínica.

O médico também  a falta de justificativa plausível para os atrasos sucessivos no repasse dos recursos. Ele diz que 70% a 80% do seu tempo era dedicado ao atendimento de pacientes do SUS e que se desdobrava para atender a falta de outros profissionais para atender a grande demanda por serviços.  E que entre os meses de abril e maio, realizou mais de 200 cirurgias de catarata. “Há dez anos eu atendia pelo SUS em Marabá e saio com o sentimento de dever cumprido, apesar do desestímulo proporcionado pelo tratamento público com nossa pessoa”.