Irismar ingressa com Requerimento para CPI do Lixo e diz que está sendo ameaçada de morte

Vereadora consegue seis assinaturas para abrir investigação, mas ainda carece de um voto para instalação da comissão

Conforme anunciado na última semana, a vereadora Irismar Araújo Melo (PR) ingressou com um Requerimento na Sessão Ordinária desta terça-feira, 9, na Câmara Municipal de Marabá, pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre a Prefeitura Municipal e a empresa Estre (antiga Leão Ambiental), que há cinco anos é responsável pela coleta e destinação final do lixo na cidade.

Irismar lamentou que o lixo se espalhe pelas vias da zona urbana sem a devida coleta, causando alagamentos durante as chuvas. Ela lamentou que em muitas vilas, não haja o serviço de limpeza e que o município ignore o tratamento de resíduos sólidos, uma questão de sáude pública. Muitos dos problemas de saúde são oriundos do lixo que se acumula pelas ruas da cidade”, sentenciou.

A vereadora questionou a falta de um Plano Municipal de Resíduos Sólidos. “Fizeram a licitação há cinco anos com a promessa de termos a cidade mais limpa do País, mas está sendo a mais suja em todos esses anos”, criticou.

Irismar disse que é responsabilidade da Câmara investigar o que está acontecendo com o contrato milionário com a empresa responsável pela coleta do lixo. Para ela, toda semana há queixas da falta de coleta e isso vem irritando a população e os moradores. “A Rua Alfredo Monção, no núcleo Cidade Nova já foi feita duas vezes apenas nesta gestão e o trabalho não ficou bom, houve muitos alagamentos”, criticou.

O mesmo ocorre com a rua onde reside o prefeito, a Cuiabá. Ela está sendo asfaltada e um trecho que já recebeu a pavimentação sofreu muito no último domingo, por ocasião de uma chuva forte que caiu sobre a cidade por volta de meio dia. “A responsabilidade é do Executivo de realizar as obras, mas a Câmara tem o dever de cobrar, investigar e dar resposta à sociedade, que clama”, disse Irismar.

Ela lembrou que o contrato entre a Prefeitura e a Estre venceu no dia 31 de dezembro de 2012 e a gestão atual, segundo ela, não poderia fazer aditivo de contrato e não sabe como a relação de negócios entre as partes estão sendo mantida. “São mais de R$ 2,4 milhões pagos mensalmente para essa empresa executar um serviço lamentável. Não sabemos nada sobre esse contrato, escondem o montante de lixo arrecadado, os valores pagos até hoje e isso precisa nos intrigar enquanto vereadores. Recebo muitas denúncias de lixo espalhados pela cidade, inclusive pelo Facebook. Não houve um mês se quer que não tenha recebido reclamação. Precisamos fazer o que o povo nos cobra para fazer”, disse.

Irismar Araújo revelou que, por conta de seu posicionamento e movimentação para pedido da CPI, nos últimos dias, chegou a receber pressão e até mesmo ameaças de morte, mas não revelou de que forma e nem de quem teriam partido as ameaças. “Bastou eu anunciar que faria pedido da CPI do Lixo para causar um desconforto grande entre várias pessoas da cidade. A população me confiou mandato para exercer de forma plena e não vou retroceder”, garantiu.

Por sua vez, o vereador José Sidney elogiou a postura da colega Irismar Araújo e disse se pudesse assinar sete vezes o pedido de CPI, o faria e acredita que a CPI será uma ferramenta para mostrar a verdade do serviço que foi terceirizado.

O vereador Ronaldo Batista Chaves, o Ronaldo Yara, disse para Irismar que em casos de ameaças de morte, a Câmara tem a Comissão de Direitos Humanos que pode ajudar a investigar o caso, inclusive precisa ser avaliado se há necessidade de proteção de vida. “Da covardia e traição ninguém escapa. Não acredito que essa ameaça tenha partido do prefeito, mas de alguém inconsequente que não sabe o que fala. Independente de qualquer coisa, o caso precisa ser investigado”, opinou.

A vereadora Vanda Américo disse que o prefeito chegou a anunciar licitação para contratação de quatro empresas para realizar a coleta, para de uma hora para outra ela foi suspensa sem justificativa. “Quem levou prejuízo em isso tudo foi o prefeito de Marabá. Desde 9 de julho a cidade ficou mais suja ainda. A coleta não está fazendo efeito e não está tendo rotina do serviço, o que é preocupante”, criticou Vanda.

Com a falta de uma assinatura para viabilização a instalação da CPI do Lixo, Vanda deu um recado para seus colegas vereadores: “Se vocês não vão assinar o pedido de CPI, pelo menos chamem o prefeito, procurem saber o que está acontecendo porque o Legislativo não pode ficar conivente com essa situação e se omitir de investigar”.

Ela explicou que continuará aberto o período de assinatura da CPI e quem desejar poderá por seu nome nos próximos dias, inclusive após a eleição, quando muitos vereadores não terão mais compromisso de campanha. “É preciso resgatar a credibilidade do Poder Legislativo de Marabá”, disse Vanda.

Os vereadores que assinaram o pedido de CPI até agora são Vanda Américo, Antônia Carvalho, Irmã Nazaré, Pr. Eloi Ribeiro, José Sidney e a própria Irismar Araújo.

O vereador Gilsim Silva saiu em defesa do Poder Executivo e disse que é preciso, antes de abrir a CPI, convidar o prefeito para um diálogo e ouvir suas explicações sobre o caso para que não se cometa injustiças.

A vereadora Júlia Rosa, presidente da Câmara, se mostrou solidária à colega Irismar pelas ameaças que vem recebendo e disse reconhecer que a cidade não está limpa como deveria e que é preciso mais empenho de todos os lados para que haja transparência neste assunto.