MP e Câmara cobram Celpa

Audiência foi demorada, mas empresa prometeu cumprir acordos firmados

Na manhã da última quarta-feira, 30, antes da sessão ordinária que seria realizada na Câmara, os vereadores de Marabá se dirigiram a sede do Ministério Público para participarem de uma Audiência com  representantes da rede Celpa.

 Os diretores da concessionária de energia receberam uma saraivada de reclamações de serviços mal prestados, entre eles a cobrança exorbitante em faturas de energia elétrica. A reunião foi convocada pela promotora do Consumidor, Aline Moreira Tavares, e reuniu também o promotor de Itupiranga, Arlindo Cabral, e um grupo bastante representativo vereadores de Marabá, entre outras lideranças comunitárias.

O chumbo grosso contra a Celpa iniciou com o coordenador do Procon, José Ubiratan Sompré apresentar um relatório nada animador, mostrando que foram protocoladas este ano mais de 600 denúncias contra a Celpa, e que 90% delas se transformaram em multas contra a empresa. “Isso só aconteceu porque a resposta da Celpa nunca convence. A empresa só permite parcelamento e resolve o problema do consumidor queixoso. Alega que a instalação da residência está correta e não havia problema na leitura. Nos meses seguintes o mesmo acúmulo de consumo se repete, o que não é aceitável”, diz Sompré.

Ubiratan reclamou que a Celpa fez acordo com o Procon para não realizar cortes no fornecimento de energia de clientes que formulassem denúncia no órgão até que o caso ficasse definido, mas não está cumprindo.

Maria do Livramento Sá de Almeida, a Lia da Liberdade disse que várias residências daquele bairro não recebem fatura e seus proprietários precisaram correr para imprimir a partir da Internet.

Apagões e queda de energia na zona rural, segundo o vereador Alécio Stringari, são constantes e queimam aparelhos eletrônicos.

Nonato Dourado, também vereador, revelou que quando falta energia elétrica no núcleo São Félix, às vezes demora até três dias para ser restabelecida, o que ele considera um absurdo.

O vereador Orlando Elias (PMDB) disse na reunião que faltou energia no Km 7 naquela madrugada, por volta de 3 horas, e até 8h15 não havia retornado. “Temos um atendimento de péssima qualidade em nosso bairro”, sustentou.

O vereador Guido Mutran disse não entender por que a Celpa continua cobrando conta por estimativa. Ele explicou que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) diz que isso só pode acontecer quando a empresa não tiver acesso à unidade consumidora. Medidores estão nos postes e por que empresa não vai fazer a leitura? Eles que tiraram os medidores de dentro de nossas casas e puseram no poste. Estamos pagando ônus muito caro pela irresponsabilidade da Celpa”, alfinetou.

“Não há preparo para desligamento. As pessoas se acham o dono da verdade, não dizem que vão cortar a energia e nem por quê?”

Guido queixou-se também do corte de energia de forma aleatória, em véspera de feriado e final de semana, embora haja lei proibindo isso. “Parece que há uma vontade de a gente pagar taxa de religação. Se não mudar o procedimento de atendimento, não haverá satisfação para o consumidor”, ponderou Mutran.

Também presente à reunião no MP, a vereadora Júlia Rosa, presidente da Câmara, disse que a Celpa tem de ter condições de fazer a leitura e não é o consumidor quem tem de pagar por essa dificuldade da empresa. “Já pagamos a energia mais cara do País, sendo nós um estado produtor de energia. Conheço pessoas que alugaram residência e a estimativa foi feita no consumo de quem morava antes e a pessoa não tem condições de pagar a mesma taxa. A empresa tem de se adequar”, disse Júlia.

Augusto Dantas, diretor comercial da Celpa, revelou durante a reunião no Ministério Público, ontem, que os medidores de energia colocados nos postes são os principais responsáveis por pelas queixas dos consumidores de cobranças abusivas, e que serão retirados.

Segundo Dantas, o medido que a antiga controladora da Celpa instalou nos postes não é o ideal porque apresenta vários problemas de leitura. “Alguém já tentou fazer leitura do medidor após a chuva? Numa rua sem asfalto? Esses equipamentos estão chegando ao fim da vida útil. A Celpa, agora, adotou o padrão convencional, no muro ou parede da residência”, informou.

O diretor comercial disse que a própria Celpa vai pagar a transferência dos medidores e que o bairro da Nossa Senhora Aparecida, popular Coca Cola, será o primeiro bairro a receber a mudança porque trata-se de uma área sem asfalto, onde é difícil realizar a leitura por causa de poeira, que suja o equipamento e causa panes.

Sobre queixas dos danos elétricos nos aparelhos eletrônicos nas residências, ele disse que a empresa segue lei. O cliente precisa apenas ligar para 0800, que agora funciona em Belém e não no Mato Grosso, para ser atendido e ter seu problema dessa natureza avaliado para posterior ressarcimento. Ainda segundo Dantas, a nova central de atendimento recebe 99% das ligações em menos de dez segundos.

O promotor de Itupiranga, Arlindo Cabral, revelou que os problemas de apagões naquela cidade acontecem frequentemente e isso tem causado diversas reclamações ao Ministério Público. Quando o consumidor se sente lesado, precisa vir a Marabá porque naquela cidade não há agência para atendimento nem Procon para reclamação.

Em resposta, Augusto Dantas informou que a Aneel exige que todos os municípios tenham agências. “Se Itupiranga não tem, vai ser solucionado o problema. Toda agência tem de resolver tudo, não precisa ir a outra cidade”, garantiu.

Para diminuir as queixas sobre a demora para atendimento na única agência da Celpa em Marabá, localizada na Folha 33, a empresa garantiu que vai abrir uma nova na VP-7 já na próxima segunda-feira, 4 de novembro.

Com três faturas de energia recentes em mãos, o vereador Ubirajara Sompré disse que a conta de sua residência saltou de R$ 250,00 para R$ 600 e estagnou nessa casa e não entende por que a cobrança saltou para de 100%. “Eu imaginava que era uma cobrança porque tinham feito uma leitura por estimativa, mas isso não se justifica”, criticou.

Encaminhamentos

Após quatro horas de reunião, a Celpa se comprometeu em enviar a Marabá uma agência móvel para passar em todos os bairros ouvindo as reclamações da comunidade e analisando caso a caso para dar celeridade às queixas de toda ordem, principalmente de cobrança abusiva. Além disso, a Celpa assumiu o compromisso de não suspender o fornecimento de energia elétrica das unidades consumidoras que registrarem reclamação junto ao Procon até que seja feita a verificação das unidades in loco, bem como de não efetuar a inclusão dos nomes dos clientes nos órgão de proteção ao crédito.