Mulheres pedem mais respeito em sessão alusiva ao Dia Internacional da Não-Violância Contra a Mulher

Violência contra a mulher teve grande repercussão em 2017

A sessão ordinária desta quarta-feira, 29, foi dedicada a debater os dilemas vividos por mulheres em Marabá. O tema chegou à Mesa Diretora da Casa por intermédio de solicitação da Comissão de Defesa do Direito da Mulher, da Câmara Municipal de Marabá, que é presidida pela vereadora Priscila Veloso, para mostrar um painel do que a Rede de Atendimento à Mulher Vitimada tem encontrado no município. 
Estiveram presentes e usaram a tribuna, entre outras personalidades, Julia Maria Ferreira Rosa Veloso, coordenadora municipal da Mulher; Jane Costa Chaves, da Fundação Propaz; a advogada Cláudia Chini, representante da OAB Subseção Marabá; a psicóloga Josilene Rodrigues, da Semed, e Kalina, presidente Grupo de Mulheres Virtuosas Vila Santa Fé.
Primeira a usar a palavra, Cláudia Chini lembrou que a Lei Maria da Penha não é apenas proteção à mulher, mas principalmente aponta diretrizes e sinergia de ações de todas as instâncias de governo para a prevenção e enfrentamento. “Mas o que aconteceu foi que pouquíssimos municípios colocaram a lei como deveria ocorrer”, lamentou.
Ela pediu engajamento de todos os vereadores nas emendas direcionadas para a Secretaria de Assistência Social, que cuida de adolescentes que tiveram a mãe assassinada ou outro drama familiar. “Temos uma lei, mas também um feminicídio em nossa sociedade. A violência perpassa em nosso País em todas as searas. Precisamos que esta Casa desperte para as demandas existentes neste segmento”, ressaltou.
Jane Chaves, representante da Fundação Propaz e Delegacia da Mulher, elogiou Júlia Rosa por sua atuação à frente do Conselho da Mulher de Marabá, desenvolvendo várias ações neste ano de 2017. Disse que o governo do Estado está implantando o Propaz Integrado em Marabá, com ações do Propaz Cidadania e também do Mover, trabalhado com crianças, jovens, adultos e mulher vitimizados. “Uma mulher da terceira idade sofre as mesmas violências que uma da faixa etária dos 20 anos”, comparou Jane.
Jane disse que a delegada da Mulher, Ana Paula, está trabalhando para que o quadro de pessoal seja adequado para a Delegacia da Mulher. “O número de servidores é diminuto e as demandas são grandes e crescentes”, lamentou.
Júlia Rosa agradeceu a Câmara por abrir espaço para discutir as demandas relacionadas às mulheres. Revelou que a vereadora Irismar Melo disponibilizou parte de sua emenda impositiva para fortalecer as ações da Coordenadoria da Mulher. “Criamos um fluxograma da mulher fragilizada para buscar apoio dos órgãos afins, o que ajuda muito nas ações da Coordenadoria da Mulher”, disse.
A vereadora Priscila Veloso elogiou a Câmara pelo espaço para debater a violência contra a mulher. Ela agradeceu a todas as pessoas que atuam na defesa dos direitos da mulher e também os vereadores que compõem a Comissão do Direito da Mulher na Câmara Municipal. “Estamos tentando trazer a sociedade para discutir as demandas que temos pendentes, como cirurgias eletivas e mamógrafo”.
Priscila repudiou os casos absurdos de feminicidio – com mais de sete ocorrências desta natureza na cidade. “Estamos preocupados até onde esses crimes vão. Peço providência de segurança para desvendar os casos de feminicidio que ainda estão sem solução. Os homens têm de entender que existem outros meios de resolver suas questões pessoais e amorosas. "Não é batendo ou matando que vão solucionar suas crises emocionais”, desabafou.
O vereador Cabo Rodrigo sugeriu que o Condim leve a Rede de Proteção para comunidades da zona rural para esclarecer mulheres que vivem no campo sobre seus direitos. Ele parabenizou as mulheres que fortalecem a luta pelos direitos e anunciou que vai destinar parte de sua emenda impositiva ao Orçamento do município para beneficiar o Conselho da Mulher.
Ilker Moraes criticou o fato de a Delegacia da Mulher não abrir 24 horas, ressaltando que não é culpa da delegada Ana Paula, e sugeriu que se cobre do governo do Estado recursos humanos para atender as demandas do final de semana e período noturno. “Os membros das famílias precisam se respeitar mutuamente. Se há conflito dentro das casas, é preciso respeitar o interesse de cada um. Isso mancha nossa cidade”, lamentou.
O vereador Marcelo Alves lembrou que a violência contra mulher é histórica e as mulheres negras eram obrigadas a fazer aborto. “A discriminação das mulheres permanece até hoje. Até quando nossa sociedade vai ficar contra ela mesma?”, questionou.
Tiago Koch ponderou que quando se vê a violência contra jovens, negros, mulheres, nota-se que o tempo é ruim. “O que enxergamos nos últimos anos é só corrupção, mazelas, malversação. E não se vê um norte, um rumo ao País. Não há saída fora da política, não há meios fora da política. Estamos insatisfeitos e temos de convencer o eleitor, para trazer seu discurso e atenção para a não corrupção, e trazermos as pessoas de bem para dentro da política”.
Pastor Ronisteu parabenizou o movimento que as mulheres sempre têm feito, lembrando a responsabilidade que a sociedade tem com elas. “Falta ao país fazer com que as leis sejam aplicadas e tenham eficiência”, disse, observando que suas emendas contemplam políticas para as mulheres.