Obras no Bairro Araguaia serão retomadas nesta sexta

Garantia foi dada pela Sevop e Gratão para vereadores em reunião realizada na Câmara

Em uma reunião realizada na Sala de Comissões da Câmara Municipal de Marabá, entre vereadores, representantes da Sevop (Secretaria de Obras), empresa Gratão e populares do Bairro Araguaia e Coca-Cola, ficou definido que as obras relativas às condicionantes pela duplicação da ferrovia, deverão voltar já nesta sexta-feira, 4.

O encontro foi solicitado pela vereadora Vanda Américo, após um grupo de moradores dos bairros Araguaia, Coca-Cola e São Félix terem provocado o Poder Legislativo pela paralização das obras que fazem parte do pacote de asfalto previsto para os locais.

A vereadora Vanda Américo disse que solicitou a reunião para verificar sobre a paralização, e que uma equipe de moradores esteve na Câmara para saber o que realmente está acontecendo. “Tem sido veiculado que a empresa está há três meses sem receber, que o convênio não ficou bem fechado, e não se sabe de quem é a responsabilidade da drenagem. Queremos ouvir dos responsáveis para verificar o que está acontecendo”, frisou a vereadora.  

Vanda ainda disse que é preciso haver muito critério e fiscalizar das obras, para dar uma resposta para a sociedade. Ela também questionou a Gratão sobre quando a empresa dará início às obras no Bairro São Félix.

Antônio Pádua, secretário de Obras, disse que o corpo da Secretaria de Obras foi à reunião para esclarecer os pontos divergentes e tirar todas as dúvidas que possam surgir. Ele informou que a empresa Gratão foi a vencedora para executar a obra, que é uma parceria entre Vale e Prefeitura. E lembrou que as obras de parceria com a Vale têm 8% de contrapartida da Prefeitura. “São feitas as medições e as aferições dos serviços, tanto pela PMM quanto pela Vale, para liberar as medições. Quando chegam à SEVOP são questionadas e, às vezes, demora porque há dúvidas”.

Pádua disse que a Vale tem repassado os valores no prazo em que tem se estabelecido.  “Há menos de 10 dias saiu o pagamento da Vale, e no prazo máximo de 15 a 20 dias será liberada outra ordem de pagamento. A empresa não está recebendo em outros locais e está transferindo para cá o problema. A empresa, para tocar um projeto desse tamanho, tem de ter lastro para  continuar”, se mostrando surpreso com a paralização por parte da Gratão.

O secretário de Obras lembrou que em toda obra há problemas, e que não tem como mapear e identificar 100% do terreno. “Às vezes, as obras exigem reparos que não estavam previstos no projeto, e precisam de aditivos. Acho um desrespeito com a comunidade, fui pego de surpresa com a paralização, porque essa não é a atitude de uma empresa que quer ser parceira da cidade”.

Pádua reiterou que a empresa está se organizando para retomar a obra. “Segurei a medição porque existiam alguns problemas que identificamos, e só sai a medição quando for resolvido o problema. Temos duas medições com a SEVOP hoje, mas só quando eles retomarem as obras liberamos as medições. Tivemos a garantia de que a empresa Gratão volta a fazer a obra na próxima semana”, garantiu Pádua.

O vereador Orlando Elias disse que é morador da região há 28 anos. Falou que no dia a dia, existem ruas que começam a ser mexidas e depois param as obras, e mudam para outras vias. E por conta disso, quem paga o preço é a população. Inclusive, paralisando algumas ruas, por conta disso. Ele perguntou também o porquê de terem sido modificadas algumas ruas que seriam asfaltadas, e agora não serão mais. “É meio confuso essa situação”.

Guido disse que foi dito que a empresa voltaria o trabalho em São Félix em outubro, e questionou se o cronograma será mantido. “Quero saber se a empresa voltara e quando os trabalhos retomam? Se o aditivo para os pontos que não estavam previstos no projeto já está sendo discutido com a PMM?

 Wilson Fernandes Lima, presidente da Associação de moradores do Bairro  Araguaia, queixou-se das mudanças de ruas, que algumas pessoas pedem para mudar as ruas a serem pavimentadas e esse fica sendo o critério. “Por que mudar as ruas que seriam asfaltadas por pedidos de pessoas?”, questionou.

Wilson ainda questionou sobre o aterro retirado no canteiro central, onde de acordo com ele, fizeram crateras e não recolocaram no local, deixando a população ilhada, cometendo, ainda segundo ele, crime ambiental.

O presidente da Associação frisou também que já há asfalto danificado, e que a recuperação das vias está sendo feita através de tapa buraco. “O certo seria desmanchar tudo que está errado e refazer, não realizar o tapa buraco”.

 Representante da Vale, o analista de Projeto Lino Silva falou da participação da mineradora no convênio, e disse existir uma confusão grande. Ele afirmou que a Vale firmou acordo com o município para a execução de 32 km de asfalto. Mas que quem define o que vai ser feito e onde é a Prefeitura. “O Bairro São Félix tem um cronograma, não posso dizer quando começa porque o serviço é da prefeitura. Não temos prazo, mas temos participação de recurso”.

Lino Falou ainda, que não há pagamento em atraso. “Estamos extremamente dentro do prazo, temos repassado todos os valores devidos. Quando existe erro na medição é que há uma norma para o cumprimento do projeto, e refazer a obra, correção”.

Agenor Leal, assessor jurídico da Sevop, informou que a empresa notificou somente na última terça-feira a PMM sobre a paralização. E desde ontem a Sevop já entrou em campo com as tratativas. “Ao ser notificada, a empresa tem a obrigação de voltar e refazer a obra e entregar em perfeito estado. A medição só foi retida para que a empresa volte ao trabalho”, declarou o assessor jurídico, informando ainda que foram nove medições desde o início da obra, todas quitadas pela Vale e Prefeitura.

Representante da Construtora Gratão, Éder Paulo Alves colocou que a visão de que se tem é de que todas as falhas estão recaindo sobre a empresa. “Quando a gente chega a paralisar uma obra, infelizmente causa um transtorno, mas é necessário, porque existem alguns casos em que se faz necessário, pela situação que se apresenta”.

Éder ainda disse que pela dificuldade em alguns pontos na obra há custo, e a empresa precisa saber quando vai receber, para fazer esses pagamentos. “Os problemas que estão ocorrendo vão além do que visa o projeto”.

Éder declarou que a Vale diz que não deve nenhum pagamento, mas que existem medições em processo de análise. “Temos duas medições que estão travadas sem passar para a Vale. E isso cria desequilíbrio financeiro na empresa. Temos aproximadamente R$ 3  milhões a receber. Desses, R$ 2 milhões em aditivos. E temos dívidas no município em torno de R$ 1 milhão. E precisamos de um compromisso e de uma definição de como será recebido esse valor”, destacou Éder.

O representante da Gratão ainda frisou que a empresa está disposta  a prosseguir com o contrato. Falou que precisa pagar seus fornecedores, e que precisa receber as medições que estão na PMM. “Não é interesse da empresa ficar parada”.

Por fim, Éder garantiu que na próxima sexta-feira, 4, a obra será retomada