Polêmica da Praça da Liberdade ecoa na tribuna da Câmara

Vereadores têm opiniões divergentes sobre boxes que estão em construção no logradouro público

Durante sessão desta terça-feira, 24, o vereador Adelmo Azevedo, o Adelmo do Sindicato, usou a tribuna da Câmara para reclamar da construção, por parte da Associação de Moradores do bairro Liberdade, de boxes na praça do bairro para abrigar agentes da Guarda Municipal e DMTU (Departamento Municipal de Trânsito).

Segundo ele, a presidente da Associação, Maria de Almeida, a Lia, teria determinado a quebra de todos os bancos da Praça da Liberdade, sob a alegação de que os bancos estavam deteriorados, mas o vereador defende que esse papel cabe à Secretaria Municipal de Obras. Ele acusou Lia de tentar construir os boxes para a guarda e agentes do DMTU na marra, sem o consentimento dos agentes públicos. “A praça já é pequena e não tem espaço. Há documento assinado pelos vereadores se posicionando contra essa obra e depois encaminhado ao prefeito João Salame”, destacou.

Adelmo Azevedo pediu para que seus colegas possam agir e intermediar para a obra seja paralisada. Disse que vai encaminhar novamente o documento para o prefeito e pediu comprometimento dos colegas para isso.

 

Sobre o referido problema, a vereadora Vanda Américo acha que o prefeito não respeita o Poder Legislativo. Para ela, “um pedacinho” de praça não pode ser diminuído mais ainda. Vanda reclamou ainda que o prefeito não comunica o Legislativo e argumentou que o gestor está indo de encontro à decisão da Câmara. “Ele não respeita. Não importa se temos 21 ou 50 vereadores. Qualquer pessoa pode entrar numa praça e construir, só porque é líder de associação? Não se pode fazer anarquia dos bens públicos. Isso só acontece porque a Câmara deixa de agir, de cumprir seu papel”, criticou.

A vereadora Antônia Carvalho, a Toinha do PT disse que fica angustiada com a questão da Praça da Liberdade. Ela reconhece que a área é carente de espaço público, mas também há cabo de aço em que Lia estaria colocando a comunidade contra a Câmara, numa tentativa de desmoralizar o poder político. “Falar mal deste poder está virando um fato comum, principalmente no meio comunitário. Será que a comunidade da Liberdade está de acordo com esta construção que acaba com a praça? Não dá para fazer desta uma briga entre comunidade e o Poder Legislativo. Enquanto alguns se desgastam, outros estão tentando levar vantagem. Se houver outro terreno, vamos construir”, sugeriu.

Adelmo disse que ligou para o prefeito João Salame, o qual telefonou para o secretário Alberto Teixeira, que por sua vez alegou que não tem efetivo do DMTU nem da guarda Municipal para colocar na Praça da Liberdade, conforme pretende a Associação de Moradores do Bairro.

O secretário de Obras, Antônio de Pádua, por sua vez, disse que não deu autorização para construção da obra, que teria partido da SDU (Secretaria de Desenvolvimento Urbano). “A praça é local para criança brincar”, sustentou o vereador.

A vereadora Júlia Rosa, presidente da Câmara, disse que participou de várias reuniões na Câmara Municipal e ouviu de outras pessoas, lideranças do bairro Liberdade, que discutem a problemática da segurança e observou que há muita gente que é favorável à construção dos boxes. “Se há omissão da prefeitura em relação a esse aparato de segurança que está para ser construído no bairro, é preciso que haja ampla discussão entre as partes”, disse Júlia.

Para a presidente, a questão é polêmica e observou que no documento da Câmara, os vereadores reafirmam a temeridade de ter polícia armada na praça. “Neste complexo da Associação de Moradores, não há espaço para PM, mas DMTU e Guarda Municipal. Trata-se de um equipamento público e não é função da Câmara avaliar  onde deve ser construído ou não, mas o Executivo tem de se entender com a Associação de Moradores, nós só podemos mediar a discussão”.

O vereador Coronel Araújo disse que a Polícia Militar vai para outra local, já tem um espaço próprio, que não será na praça. A base que a Associação de Moradores está construindo é apenas para DMTU e Guarda Municipal. Mas advertiu que mesmo assim, vai atrair demanda de polícia e, numa situação dessas, crianças brincando podem ser vítimas de uma discussão de alguns que vão denunciar algum fato. “A praça não é local adequado para ter nenhum tipo de guarda. Defendo que se encontre um outro espaço, uma casa para abrigar essas pessoas”.