Priscila Veloso critica ato na porta de seu gabinete

Ataques pessoais em rede sociais também foram denunciados pela vereadora

Ao usar a tribuna da Câmara na sessão desta quarta-feira, 22, a vereadora Priscila Veloso comentou sobre o ato realizado por um grupo de pessoas ligadas ao movimento LGBT na última terça-feira, dia 14, na porta de seu Gabinete e ainda no Plenário do Poder Legislativo.
Devido à manifestação ofensiva, alguns vereadores usaram a palavra nesta quarta-feira e pediram para que os posicionamentos e críticas sejam voltadas às ações de cada vereador e não firam a honra da pessoa ou virem ataques pessoais. Os parlamentares ainda argumentaram que jamais houve qualquer forma de tolher, por parte da Câmara, nenhuma manifestação, e que todos os segmentos e classes sempre foram ouvidos pelo Poder Legislativo, respeitando o livre pensamento e a liberdade de manifestação e expressão. 
Pivô da manifestação ocorrida na semana passada, a vereadora Priscila Veloso foi a primeira a usar a tribuna e falar sobre o ato. Para ela, a manifestação que aconteceu no Plenário da Câmara e na porta de seu gabinete foge do senso ordeiro e civilizado, pela forma desrespeitosa e desonrosa que foi feita.
A vereadora destacou que a manifestação é legítima, mas o desrespeito tem que ser repudiado. “Mais de 1.800 pessoas acreditaram na minha ideia como política. Minha formação básica é cristã e não fugirei disso”, ressaltando ainda que entrou na política por acreditar ser um instrumento de transformação social.
Priscila Veloso solicitou que a Câmara a ajude no enfrentamento dos ataques que vem sofrendo, muitas vezes pessoais, que ferem sua honra e atingem sua família. “Isso não é uma coisa que se faça a uma mulher, e as coisas estão fugindo do campo das ideias e estão virando ataques pessoais”, criticou a vereadora.
Por fim, a parlamentar pediu que a Câmara tome uma atitude, por se sentir ameaçada, antes que algo pior aconteça.
Ilker Moraes ponderou que o que tem acontecido com a vereadora tem passado dos limites. Para ele, a perseguição, acusação e o baixo o nível do posicionamento de grupos não podem ser admitidos nos tempos atuais. “Infelizmente a sociedade tem banalizado os políticos. Os vereadores têm de ser respeitados pelo processo de eleição e da escolha democrática da população”.
Ray Athie disse que as ações estão correndo para o lado pessoal e que isso é perigoso, demonstrando não concordar com a forma com que estão ocorrendo as manifestações direcionadas por uma parte do grupo LGBT à vereadora Priscila Veloso.
Gilson Dias também mostrou solidariedade à Priscila. Para ele, é necessário resguardar ao vereador o seu direito de se posicionar e de pensar, dando condição para que ele exerça o papel para o qual a população o elegeu.
O vereador Márcio do São Félix, que já havia se posicionado de forma contundente e contrário à manifestação na sessão anterior, voltou a criticar como aconteceu a ação. Para ele, houve falta de respeito à colega e extrapolaram o respeito e a dignidade às manifestações democráticas. “Se for por pessoal, perde o direito. Devemos ser julgados por nossas ações coletivas, a vida pessoal e familiar da pessoa deve ser respeitada”.
Pedro Corrêa, presidente da Câmara, informou que após o término da sessão onde o imbróglio ocorreu, o grupo LGBT que estava no plenário foi chamado para uma conversa na Sala da Presidência e alguns encaminhamentos foram tirados. Dentre eles, a realização de uma reunião com o movimento LGBT e vereadores, juntamente com Priscila Veloso. “É natural que se faça manifesto, mas de forma ordeira”.
Tiago Koch se aprofundou em seu discurso e ampliou o debate, frisando que hoje, no Brasil, se vive um descrédito da nação em relação aos políticos. “A notícia que vemos todos os dias é violência, desemprego e problemas na saúde. Além disso, uma corrupção desenfreada. O cidadão que assiste o jornal fica com sentimento de ódio da política. Mas digo que, fora da política não há solução, e nos cabe a mudança, para que tenhamos melhores políticos e uma política melhor. Se a política está errada, temos de mudar, todos somos responsáveis ao elegermos quem nos representa”, argumentou o vereador.