Problemas da duplicação da BR-230 terá Reunião de trabalho com direção da Câmara

Proposição do vereador Leodato Marques foi discutida em audiência na Câmara Municipal com representantes de vários órgãos

 

Em Sessão Ordinária ocorrida nesta terça-feira, 26, a Câmara Municipal discutiu os problemas remanescentes da duplicação de um trecho de 5,9 km da Rodovia Transamazônica, na área urbana de Marabá. A discussão foi uma proposição do vereador Leodato Marques da Conceição Marques (Pros), que agradeceu a presença de representantes de alguns órgãos que foram convidados e lamentou a ausência de outros, como a Polícia Rodoviária Federal, CMT Engenharia e Ministério Público, que não enviaram representantes.

Em seu discurso inicial, Leodato apontou vários problemas que restaram da duplicação, entre eles o mais crônico: passagem dos moradores da Folha 33 para os demais bairros da Nova Marabá, que já causou várias polêmicas. Ele pediu instalaçõa de redutor de velocidade eletrônico em alguns pontos da duplicação por entender que muitas mortes já aconteceram em alguns locais por falta de sinalização adequada.

Ele também solicitou ao DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes o alargamento das vias marginais, porque quando para um ônibus, por exemplo, todo o trânsito fica engarrafado. Ainda sobre as marginais, pediu que a PRF pare de multar os veículos nessas vias por conta de estacionamento, porque os clientes só têm espaço para estacionar na calçadas das empresas daquele perímetro.

Leodato também defendeu a construção de um anel viário com viaduto para beneficiar os moradores da Folha 33 e pediu que haja desburocratização para que o problema que afeta milhares de moradores daquela folha seja resolvido o mais rápido possível. “Não se pode permitir que cidadão marabaense continue a morrer. Colocaram tachinhas que fazem os veículos tremer e prejudicam a suspensão dos mesmos, mas a solução definitiva nunca chega”. Para ele, caso a solução não se dê Marabá, é necessário que os vereadores encabecem uma reunião em Brasília, com a participação da direção do DNIT; PRF; MP: Secretária de Obras e DMTU, a fim de se solucionar os problemas que hoje afetam a população por conta da má execução da obra.

Por sua vez, o vereador Coronel Antônio Araújo (Pros) lembrou que atualmente os veículos têm dificuldades para sair da BR-230 para entrar na avenida Nagib Mutran, na Cidade Nova. Outro trecho com o mesmo problema é no final da ponte sobre Rio Itacaiúnas, para acessar o bairro Amapá. Ele Entende que não é viável um semáforo, mas com passarela, o trânsito será mais rápido e alerta que alguma solução precisa ser dada.

Araújo pediu que o DNIT retire a lombada eletrônica que está sendo instalada às proximidades do semáforo no cruzamento da Transamazônica com a Rua Simplicio Costa e faça a transferência da mesma para a Folha 33, onde a maior parte dos acidentes acontece no trecho urbano da rodovia em Marabá.

Solicitou o conserto da dilatação da ponte antiga sobre Rio Itacaiúnas, principalmente no sentido entre Cidade Nova-Nova Marabá. Araújo entende que a Polícia Rodoviária Federal não tem efetivo, e acredita que PRF deveria delegar ao DMTU para atuar no perímetro urbano do município.

O vereador Pedro Correa Lima (PTB) lamentou que p projeto de duplicação tenha sido modificado e o viaduto da Folha 33 retirado. Pediu mais cuidado com o paisagismo da duplicação, que também precisa plantar grama e árvores.

A vereadora Antônia Carvalho, a Toinha do PT, lembrou que foram feitas várias reuniões com o MPF e houve irresponsabilidade da gestão do município e do DNIT à época da construção da duplicação, e com isso as folhas 33 e 35 ficaram prejudicadas. Ela propôs que a saída é trabalhar campanha de educação no trânsito e acelerar processo de construção do elevado na BR-230.

O vereador Ronaldo Yara (PTB) advertiu que Marabá precisa de campanhas permanentes no trânsito, sim, mas alertou que é preciso multar com assiduidade os condutores que avançam o sinal para moralizar o trânsito. “A educação agora só resolve com multas pesadas e que não haja apadrinhamento político para retirá-las”.

O vereador Guido Mutran criticou o fato de alunos ficarem esperando para atravessar a pista da rodovia correndo porque não há lugar adequado para passagem segura. Ele vê pouca importância por parte do DNIT em não solucionar o problema, mesmo com tanta interferência dos vereadores e acha que não pode ficar só na tribuna discutindo o assunto. Ele pediu para elaborar documento e ir a Brasília para cobrar da comunidade. “Vamos mostrar que somos caboclos de Marabá e sabemos o que queremos”.

Rogério Matias, coordenador de Trânsito do DMTU, também lembrou que havia no projeto inicial da duplicação a construção de ciclovia, mas não entende por que foi retirado pela gestão do ex-prefeito Maurino Magalhães. Agora, para que ela seja inserida, vai precisar fazer intervenção e gastar mais dinheiro público.

Ele também criticou as vias marginais estreita e alertou que com a construção do Terminal de Integração para ônibus urbanos, na Folha 33, aquela via não vai comportar a entrada e saída dos veículos longos e pesados.

Matias disse que o DMTU tem urgência em estabelecer convênio com o governo federal para atuar na área urbana da Transamazônica, mas criticou também o fato de a Polícia Rodoviária Federal nunca ter se posicionado sobre o assunto.

José Martins da Silva,  representante do DNIT em Marabá, lembrou que a obra de duplicação foi realizada em parceria entre DNIT e Prefeitura Municipal, tendo a empresa Skill Engenharia como fiscalizadora. Ele alertou que a execução era da prefeitura e que as mudanças ocorridas no projeto inicial foram de responsabilidade da PMM, mas sem anuência dos técnicos do órgão federal em Marabá. “A ordem vinha de Belém para execução de mudanças no projeto. Acompanhei tecnicamente a construção do início ao fim, mas não fui favorável às alterações”, sustentou.

Ele disse não entender, por exemplo, por que as vias ficaram mais estreitas do que estavam previstas. “Essa alteração foi para Brasília e voltou com determinação de construção. Então, eu não podia fazer nada”, desabafou.

Ele disse que não pode autorizar mudança ainda porque obra não foi entregue pela Prefeitura de Marabá ao DNIT. “Não temos poder de fazer nenhuma obra ainda. Ela está sob gestão do município”, sustentou.

José Martins disse que há necessidade de projeto de viaduto ou elevado para o cruzamento da Avenida Nagib Mutran com a Rodovia Transamazônica, no núcleo Cidade Nova e considera essa sugestão melhor que um semáforo. “A Prefeitura de Marabá tem condição de elaborar um projeto e encaminhar ao DNIT para parceria e execução”, disse ele.