Rios de Encontro apresenta aos vereadores projetos que vão aos EUA

Coordenação pede apoio aos vereadores para que energia solar seja alternativa à Hidrelétrica de Marabá

Na abertura da sessão ordinária desta terça-feira, 24, a presidência da Câmara abriu espaço para que o projeto socioeducativo Rios de Encontro fizesse exposição de sua atuação no bairro Cabelo Seco, na Marabá Pioneira.

O presidente da entidade, Dan Baron, informou aos presentes que no dia 10 de maio deste ano, um grupo de 10 jovens vão a Nova Iorque apresentar para apresentar um espetáculo e promover oficinas com o tema “Deixe nosso rio passar”, abrindo discussão com outros estudantes americanos sobre a construção de hidrelétricas na Amazônia. “Vamos mostrar que falta debate sobre as consequências socioambientais desastrosas de uma hidrelétrica no Rio Tocantins”, disse Dan Baron.

Dan Baron apresentou Jessica Ertel, uma pesquisadora e colaboradora de Connecticut (EAU), que coordenou o projeto Gira Sol no Cabelo Seco e desenvolveu um trabalho de pesquisa com jovens do bairro sobre a utilização de energia solar através de placas.

Jessica atualizou os vereadores sobre o consumo e utilização de energia solar no mundo e no Brasil. Ela lembrou que no dia 31 de outubro de 2014 o Brasil realizou o primeiro leilão sobre energia solar, que deixou uma marca histórica para o País. Primeiro porque demonstrou que há potencial extraordinário para energia solar em todos os estados e, em segundo lugar, o custo da energia solar baixou ao preço mais baixo em todo o mundo.

“No início, o argumento era de que a energia solar era muito cara e não poderia utilizá-la. Agora está baixo. O país tem demanda para energia solar, por falta de água em vários estados, mas ainda estão preferindo as hidrelétricas, que causam muitos problemas ambientais”, lamentou Jessica.

A jovem pesquisadora observou que é possível ter uma planta de energia solar em Marabá daqui a um ano se os trabalhos iniciarem agora. Ela avalia que a Hidrelétrica de Marabá vai durar oito anos para ser instalada e podem ser construídas milhares de placas de energia solar com custo baixo em apenas um ano, ao invés de esperar a construção da hidrelétrica.

Dan Baron observou que o Japão vai abastecer todas suas escolas públicas com energia solar e o Brasil poderia entrar em colaboração com aquele País para entender as possibilidades de energia solar.

Ao final do evento, foram entregues calendários de 2015 do Projeto Rios de Encontro para cada um dos vereadores presentes à sessão.

O arte-educador disse que é preciso dialogar com o governo federal para que o Brasil se torne líder mundial de energia solar. Ele revelou aos vereadores que uma multinacional global fez doações para o projeto energia de vida no bairro Rios de Encontro.

Ele apresentou duas propostas à Câmara. A primeira é para abrir um debate para colocar em pauta a Hidrelétrica em Marabá e ainda sobre outras formas de energia limpa e renovável. “Não é tarde demais para repensar a política sobre energia. O mundo está incentivando a todos nós a iniciar debates sobre a questão energética. É possível reconstruir o Rio Itacaiúnas, que está morto e ainda evitar que o mesmo ocorra com o Tocantins”, disse Dan.

Por fim, ele convidar vereadores, jornalistas e demais membros da comunidade local para discutir a segurança da vida, entrando num financiamento colaborativo e ético-ambiental em favor da vida e contra a violência.

A vereadora Vanda Américo elogiou a forma como Dan Baron vem atuando no bairro Cabelo Seco e desejou sucesso na nova empreitada. Ela disse que não esquece a importância que o Rio Tocantins tem para toda a região, mas também não pode esquecer que não se pode ficar apenas com os impactos dos projetos. “Se as milhares de pessoas que vão às ruas não conseguem fazer com que o governo ouça reclamações sobre saúde, educação, imagine fazer com que a Dilma venha ouvir o clamor da Câmara de Marabá sobre energias alternativas”, disse.

A vereadora Antônia Carvalho, a Toinha do PT, também parabenizou a equipe do Projeto Rios de Encontro, que além de ser projeto ambiental, é de inclusão social. “Em qualquer espaço podemos fazer um trabalho social com a coragem que o Rios de Encontro desenvolve”, disse.

A vereadora agradeceu pelas informações e conhecimento sobre energia solar e disse que não sabia que ela não é tão cara quanto antes. “Este é o momento de dizermos que precisamos cuidar dos nossos rios e dos córregos que os alimentam. É preciso, sim, ampliarmos esta discussão e acho que a Dilma precisa ser sensibilizada, embora existam limites do poder. Há muitos interesses de empresários, que só querem a vida para si e a morte para o resto”, desabafou Toinha, dizendo que está disposta a dialogar e jogar este debate nas ruas.

Quem também saudou o projeto Rios de Encontro foi a vereadora Irismar Melo e disse a comunidade se transforma quando há projetos que envolvem jovens com atividades socioeducativos e ambientais. “Neste momento em que se discute a Hidrelétrica de Marabá, é preciso discutir também outras fontes de energia. A política energética do País é apontada para a hidrelétrica. Para mudarmos este cenário, será preciso uma política de governo”, reconheceu.

Irismar destacou que, como educadora, é preciso incentivar iniciativas que proporcionem debates e conhecimento como este, que fazem sentidos para a vida das pessoas. “Ter essas pessoas trabalhando em prol de uma comunidade marginalizada como a do Cabelo Seco é um privilégio muito grande para nós”, disse Irismar.