Servidores da extinta Sucam voltam à Câmara para pedir apoio do Legislativo

Mesa Diretora vai solicitar audiência com deputados federais para discutir as demandas dos contaminados por DDT

O movimento municipal de luta para garantir apoio e indenização aos servidores públicos contaminados por DDT - produto tóxico utilizado por décadas no combate à malária e outras endemias - recebeu nesta quarta-feira, 19, apoio dos vereadores da Câmara Municipal de Marabá por ocasião da sessão ordinária. O grupo veio pela primeira vez ao Legislativo em 6 de novembro do ano passado e apresentaram as demandas pela primeira vez aos vereadores.

Bento Ferreira da Silva, funcionário público do Ministério da Saúde, disse que, lamentavelmente, desde a década de 1990 eles vêm enfrentando uma grande dificuldade, quando foram confirmados os primeiros casos de intoxicação. Bento explicou que, atualmente, a faixa etária dos servidores intoxicados é acima de 50 anos de idade e a grande maioria está com saúde debilitada por causa da contaminação pelo DDT.

Francisco Pereira da Silva deu depoimento e pediu ajuda no debate e na luta que eles travaram há mais de uma década e que agora precisam da aprovação de um projeto de lei na Câmara Federal.

Jalila Barros Tavares, membro do Sindicato dos Servidores da Saúde Federal) disse que os servidores pediram ajuda dos vereadores para pressionarem os deputados da bancada da Amazônia no Congresso Nacional para que consigam o desarquivamento do Projeto de Lei 4973/09, que pede indenização às vítimas (os ex-guardas da extinta Sucam).

A vereadora Vanda Américo pediu que a Mesa Diretora entre em contato com os deputados federais solicitando audiência para discutir a demanda dos servidores que vieram à Câmara. “A gente sabe que a luta de vocês não é de agora, mas vem de décadas. O que esta Casa puder dar de apoio, com certeza daremos”, explicou.

Histórico

Atualmente, centenas desses trabalhadores tentam provar, na Justiça, que estão intoxicados por DDT. A Funasa, que incorporou os guardas da extinta Sucam, não aceita os laudos médicos apresentados por eles. Em 2001, a fundação criou um Grupo de Trabalho para avaliar, diagnosticar e tratar funcionários com suspeita de intoxicação pelo DDT. Porém, diante desta resistência, 600 trabalhadores de Rondônia, Tocantins, Acre, Pará e Mato Grosso recorreram à Justiça. Em 400 casos (muitos processos remontam 2004), a Funasa foi obrigada a pagar o tratamento de saúde, mas estas decisões são provisórias e muitas já foram revogadas.