Sessão avança discussões sobre transporte coletivo em Marabá

DMTU vai criar novas linhas e empresas vão colocar mais sete ônibus até dezembro

Na manhã desta quarta-feira, 16, a Câmara Municipal de Marabá realizou sessão especial para discutir a precariedade do transporte público coletivo no município, uma proposição do vereador Adelmo Azevedo de Lima, o Adelmo do Sindicato, o qual sugeriu a criação de um APP (aplicativo para celular) para que todos os usuários do transporte coletivo municipal possam monitorar o deslocamento do ônibus que pretende embarcar e saber sua localização exata em tempo real.

A sessão contou com a participação de representantes das empresas que exploram o serviço de transporte coletivo, membros do Conselho Municipal de Transporte, DMTU (Departamento Municipal de Trânsito e Transporte Urbano) e usuários do serviço de ônibus na cidade.

Adelmo lembrou que recentemente o prefeito João Salame autorizou o reajuste no valor da passagem, mas isso não refletiu na melhoria do serviço para a comunidade. Ele também reclamou o número muito baixo de paradas de ônibus – não chegam a 80 – e observou que em muitos bairros os usuários ficam esperando o ônibus no sol escaldante, ou então na chuva, no período do inverno.

Adelmo também criticou que entre Morada Nova e Cidade Nova os passageiros têm de pegar dois transportes coletivos, gastando R$ 10,00 para ir e voltar ao destino final, valor que ele considera muito alto.  É preciso criar uma linha direta, pelo menos, entre Morada Nova e Liberdade”, pediu.

O vereador Guido Mutran lembrou que a área para construção do Terminal Integrado de Passageiros está sub júdice desde o governo Maurino porque um empresário local se apresentou como proprietário da mesma. “Precisamos resolver o problema dessa área porque as empresas que exploram o serviço de transporte coletivo se prontificaram a ajudar a construir o terminal”, disse.

Na avaliação de Guido, é preciso sensibilizar o Judiciário para resolver o problema da área para construção do terminal integrado de passageiros. “As pessoas ficam várias horas nas paradas esperando o ônibus e isso vai irritando”, observa o vereador.

 

Beto Jamaica foi o primeiro inscrito a falar. Para ele, as discussões sobre o transporte coletivo só vão avançar quando for construído o Terminal de Integração de Passageiros. “Infelizmente, esse assunto vai pulando de governo para governo. Podem colocar 100 ônibus, mas não vão resolver a demora do veículo para passar nos pontos porque precisamos de um terminal”, disse Jamaica.

Vários cadeirantes se pronunciaram na sessão e apresentaram suas queixas em relação ao transporte público, que vão desde a falta de acessibilidade nas paradas, passando pelo descaso dos motoristas até aos ônibus que circulam com rampa de acesso danificadas.

Kátia Cunha, servidora municipal, disse que tem tido dificuldade em tomar ônibus porque nem todos estão adaptados. “Antes a gente ligava para a empresa, eles atendiam e davam um jeito de resolver. Agora, não atendem mais nossas ligações”, reclamou.

O vereador José Sidney cobrou do DMTU, órgão fiscalizador, DMTU, um trabalho efetivo para que as empresas não trabalhem do jeito que querem. “Cobramos, cobramos e não vemos resultados. As empresas prestam serviço péssimo para a comunidade e nós não vemos o poder público exigir mudança no sistema”, diz Sidney.

O vereador Ilker Moraes lembrou que Câmara se posicionou a favor de retirar a concessão das empresas que ganharam a licitação porque ocorreram muitos erros na concessão do transporte coletivo em Marabá. “Se dependessem do que colocamos no papel nesta Casa, teríamos todos os problemas listados aqui resolvidos. Ainda não vi um estudo técnico que demonstre a viabilidade do terminal integrado de passageiros”, contemporizou, lamentando a falta de um Plano Municipal de Mobilidade Urbana.

O vereador Leodato Marques perguntou por que não foi colocado em prática o bilhete de integração temporal, que segundo ele resolveria a situação dos usuários que precisam se deslocar. “Em Marabá já é lei e não foi colocado em prática. Isso amenizaria o caos até que venha o terminal de integração” analisou Marques, lembrando que o referido bilhete já existe em várias cidades.

Rogério Matias, coordenador de Trânsito do DMTU, disse que recentemente se reuniu com chefes de tráfico e discutiu todas as demandas, entre as quais o novo quadro de horário.

O novo sistema, segundo ele, tinha como base o terminal de integração no entroncamento dos três núcleos. “Tudo que faltava em termos técnicos foi resolvido. Hoje, no sistema, houve redimensionamento. Aumentaram os horários, houve extensão de linhas e os residenciais tiveram de ser atendidos. O Conselho Municipal de Transporte votou pela criação de um novo quadro de horário, o que deve ser implantado em breve. Será sexta edição do quadro de horário, que muda a cada três anos”, explicou Rogério.

Matias também observou que o projeto do terminal de passageiros prevê ônibus para todas as rotas a cada 10 minutos, evitando linhas demasiadamente longas. “Há linhas com 42 quilômetros, do Jardim União para o São Félix, com duas horas de viagem”.

Sobre a integração via cartão, disse que está sendo analisado para implantação, conforme sugeriu o vereador Leodato.

Jair Manoel Pessoa, gerente da Nassom Turismo, disse que as novas empresas que chegaram a Marabá fizeram o investimento de 15 milhões de reais, com compra de 41 carros novos, todos com elevadores, para atender as demandas com acessibilidade. “Manter esse sistema funcionando 100% com essa quantidade de poeira é quase impossível. Fazemos manutenção todos os sábados, para tentar evitar que a comunidade seja mal servida. Esse sistema de elevador custa em média de 35 mil reais”, explicou.

Segundo ele, não houve aumento exagerado no valor da passagem, explicando que de 2006 até agora houve um aumento de 75 centavos. Além disso, alegou que o transporte alternativo criou problemas financeiros para as empresas e o investidor ficou fragilizado.

Jair Pessoa observou que quando um vereador solicita nova linha, a maioria é em local que não tem acesso para entrada de veículos. “Como colocar um ônibus de R$ 300 mil numa estrada sofrível?”, questionou.