Sessão itinerante no Rio Preto ouve clamor de moradores por estradas e escolas

Moradores da região do Rio Preto fazem cobranças ao Executivo e vereadores prometem cobrar ações do governo

Cerca de 350 moradores de diversas vilas da região do Rio Preto compareceram à sessão itinerante, proposta pelo vereador  Alecio Stringari e realizada pela Câmara Municipal de Marabá, no Ginásio da Escola Adão Machado da Silva, na Vila Três Poderes, nesta quarta-feira, 27. Quatorze dos 21 vereadores estiveram presentes e ouviram as demandas de representantes de mais de 20 comunidades rurais daquela região, considerada a mais povoada da área rural do município.

O clamor por melhores condições das estradas, escolas de qualidade e até emancipação da região centralizaram os discursos dos líderes comunitários. Como é o caso de Josenir Silva de Jesus, do PA Nova Esperança, que reclamou das condições das estradas vicinais. “Muitos de nossos filhos não vão para a escola porque o transporte escolar não chega e aqueles que mais corajosos, têm de andar 7 km pra chegar à sala de aula”, disse Josenir.

Mariozan Rodrigues Quintão, líder comunitário da Vila Santa Fé, lembrou que a bacia leiteira da região é forte e por isso a boa condição das estradas é determinante para alavancar a produção de pequenos e médios produtores. Ele também pediu apoio dos vereadores para criação de um novo município na região do Rio Preto e para derrubar o veto da presidente Dilma Roussef sobre o projeto para criação de novas cidades no País.

Josivaldo Araújo Gomes, líder comunitário da Vila Três Poderes, lamentou que a obra da Escola Adão Machado esteja paralisada há cerca de um ano e meio e a Semed e prefeitura venham tratando a situação com descaso. Ele pediu que vereadores pressionem a prefeitura para retomar a obra e conclui-la logo.

Josivaldo enumerou ainda outras vilas com obras de escolas paralisadas ou por iniciar, como Piranheira, Sol Nascente, José Batista e Clara Nunes.

“Moramos numa região tão rica e vivemos numa situação pobre e triste”, lamentou.

Outra queixa de Josivaldo diz respeito ao turno intermediário em várias escolas da região, uma realidade que já deveria ter sido banida da rede pública municipal, pela formação sem qualidade.

O conselheiro tutelar Jonas de Lima Barros, do Conselho Tutelar da Cidade Nova, frisou que para se fazer uma denúncia por maus tratos a menores, a pessoa tem de sair da sua vila, gastar uma grande quantidade de dinheiro e ir até Marabá. Revelando ainda, que toda vez que apresenta requerimento à Seasp para fazer visita às comunidades rurais, sempre recebe um “não”.

Flávio Ferreira, presidente da Associação do Agronegócio da Vila União, informou que  há 86 casas para colocar energia na vila, e pediu que a Celpa atenda de imediato essa demanda.

A professora Maria de Fátima Conceição, da Vila Zé do Ônibus, disse que a comunidade espera pela solução da construção das escolas Clara Nunes e José Batista, além de um gari para coleta e destinação do lixo.

Em resposta às queixas contra a Celpa, Levi Albino Farias, representante da concessionária de energia em Marabá, reconheceu que a Celpa tem deixado a deseja nos últimos anos não só em Marabá, mas em todo o Estado e garantiu que a empresa deverá investir cerca de R$ 90 milhões nos próximos meses. “Para a região do Rio Preto, há um projeto aprovado que garante a construção de uma mini-subestação de energia, com um link pela cidade de Parauapebas. Em 2014, o programa Luz para Todos volta com força total para todas as vicinais da região”, falou Levi.

Manoel de Jesus Borges, vereador de Itupiranga, disse que dói muito ver o esforço da Câmara de Marabá ir à região e o povo não se fazer presente. “Temos uma população grande que sabe reclamar, mas deveria estar aqui presente, a hora é essa”.

Borges fez um desabafo e disse que ser produtor rural, vereador e cadeirante naquela região é difícil. “As estradas levam e trazem desenvolvimento e a gente não tem boas estradas”.

Ele denunciou motoristas de máquinas da Prefeitura de Marabá, que quando vão para aquela região se tornam “donos” das mesmas. “São vagabundos, vendem horas de máquinas e óleo. É um vício que acontece em Marabá, Itupiranga e Parauapebas. Os funcionários públicos prestam serviço e vendem o produto público. Quem leva a culpa é o secretário de Obras e o prefeito. Vocês deveriam colocar gente da própria região porque são as pessoas daqui que sofrem e não vão querer ficar sem o serviço”, sugeriu.

Posição dos vereadores

O vereador Alécio Stringari mostrou equilíbrio ao usar da palavra na sessão itinerante. Ele disse que não adianta ir para uma guerra sem antes dialogar com as partes. “Trouxemos agora a Secretaria de Obras, que se comprometeu em recuperar as estradas, precisamos de uma resposta no que diz respeito às escolas e o transporte escolar. No máximo em 10 dias daremos uma resposta para comunidade. Temos de ser inteligentes e sermos unidos, senão não seremos contemplados”, falou Alécio, em tom conciliador.

O vereador Carlos Roberto, o Beto Miranda, disse que a Câmara está atenta e vai cobrar das empresas responsabilidades sociais. Ele reconhece que há muitos problemas que a Prefeitura precisa resolver, e garantiu que vai cobrar melhores condições de saúde e educação.

Guido Mutran pediu a Manoel Borges que dê nome dos funcionários da prefeitura que estão vendendo combustível naquela região. “A atual gestão não aceita corrupção e várias pessoas já foram presas por venda de óleo”, disse.

Sobre a Rede Celpa, disse que tem acompanhado as contas exorbitantes que a empresa tem enviado aos consumidores da cidade. Com apoio do MP e Procon, as reclamações são feitas e a Celpa tem resolvido os problemas. Disse que vai pedir para equipe volante da empresa ir à região do Rio Preto para fazer o mesmo.

Irmã Nazaré também lamentou a situação por que passam os moradores e as condições das estradas. Ela estimulou os moradores a continuarem reivindicando seus direitos e garantiu que iria redobrar esforço para pleitear junto ao governo municipal melhorias para aquela região.

O vereador Pedro Souza, líder do governo na Câmara, lembrou que o município estava quebrado no início deste ano, mas garantiu que a gestão está melhorando e que o planejamento aponta para retomada várias obras para a comunidade. Sobre o anexo em algumas escolas, disse que ficou preocupado, inclusive com turmas intermediárias. “Se a casa do anexo não está boa, procurem outra e vamos alugar para dar melhores condições de educação para os filhos de vocês”, sustentou.

Por sua vez, o vereador Ubirajara Sompré recordou que a Câmara aprovou um empréstimo de R$ 60 milhões para a Prefeitura investir em todas as áreas do município e disse que todos têm direito de usufruir dele. Sompré criticou que até hoje o município não recebeu um centavo do governo do Estado. “Mas nossa obrigação é lugar por melhorias para vocês e contem comigo para essa empreitada”, disse o vereador indígena.

O vereador Ilker Moraes lembrou que já trabalhou naquela região e nos PA’s Gabriel Pimenta e Nova Vida. Acha que antes de um posto de saúde ser construído, porque vai demorar, a prefeitura precisa enviar uma ambulância para servir à comunidade. “Quando alguém adoece aqui, a família paga R$ 600,00 para alugar um carro e levar o paciente para a cidade”, lamentou.

Moraes pediu que a Secretaria Municipal de Agricultura coloque sua patrulha mecanizada na zona rural para atender os pequenos agricultores, para ajudar a aumentar a produção agrícola. “É preciso retomar o crédito rural, porque boa parte está pagando pela inadimplência de alguns. Mas também é preciso discutir o Minha Casa Minha Vida na zona rural para dar conforto às famílias dos pequenos agricultores”.