Sintepp alerta vereadores sobre possível fim de eleição para diretor de escola

Vereadores informam que nenhum projeto desse sentido deu entrada na Casa

Mediante o boato de que o Governo Municipal estaria propenso a enviar para a Câmara Municipal projeto de lei que extingue a eleição direta para diretores de escolas da rede municipal de Marabá, alguns representantes do Sintepp (Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública) estiveram na sessão ordinária desta quarta-feira, 30 de agosto, para se antecipar e enfatizar que o sindicato é contrário à pauta.
Joyce Rebelo, coordenadora do Sintepp, usou a tribuna da Câmara e disse que o novo debate sobre a eleição direta dos professores está preocupando a categoria. Argumentou que as perdas do PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) foram absurdas e que no primeiro contracheque, posterior à alteração do plano, em junho, a perda foi drástica, tanto para professores, inclusive percebida pela própria gestão municipal.
Joyce disse que existe um rumor de que o governo municipal está planejando voltar ao sistema de indicação para o exercício de direção das escolas. “Está havendo um debate em torno das eleições para diretores. A eleição não surgiu de graça. Foi um debate longo e árduo, de muita luta. Esse processo acabou com indicações políticas dentro das escolas e deu maior segurança e autonomia para os diretores”, afirmou.
A sindicalista disse que a comissão da eleição direta alterou para três anos o período de permanência dos diretores, gestores das escolas, justamente para que se avançasse e melhorasse o trabalho dentro do universo escolar. “Acabar com o processo de eleição direta é um retrocesso. Estão usando o discurso da briga interna dentro das escolas, como subterfúgio para acabar com a eleição direta para diretor e vice. No processo democrático os melhores projetos vencem. Isso representa o estado democrático de direito. Não existe também a narrativa de que é inconstitucional a eleição direta dos professores. Não podemos aceitar o engodo da inconstitucionalidade”, alardeou.
Joyce observou que tem certeza que ainda não chegou nenhum projeto para acabar com a eleição de diretores na Casa, mas observou que é dever do sindicato se antecipar nas discussões.
A presidente em exercício, Irismar Melo, esclareceu aos educadores que nenhum projeto de natureza de alteração da eleição para diretores de escolas deu entrada na Casa. Contudo, a vereadora opinou que o fim da eleição direta é um retrocesso e que será radicalmente contra, caso o projeto chegue à Câmara. “A eleição direta para diretores é uma conquista da comunidade escolar”, reafirmou Irismar.
O vereador Marcelo Alves opinou que retornar à indicação de diretores para a gestão das escolas é um retrocesso. “O espaço da educação deve ser democrático. Os diretores eleitos têm a garantia da manutenção e autonomia no cargo. Quando é indicação política, o diretor fica amordaçado”, enfatizou Marcelo.
Ilker Moraes disse que circula a informação da intenção do Executivo em acabar com a eleição para diretores nas escolas, o que, para ele, é um atraso. “A eleição faz a comunidade escolar participar e isso é importante para os alunos. Se esse debate chegar aqui, eu serei contrário ao projeto”, antecipou Ilker.
Alecio Stringari destacou que é necessário, primeiro, avaliar o teor do projeto e ponderar se ele realmente será encaminhado à Câmara. “É preciso ver se o projeto vem, porque até agora nada chegou na Casa sobre a eleição direta dos diretores. A categoria deve ter preocupação sobre qualquer coisa que envolva os educadores. E a Câmara sempre debateu de forma democrática tudo que diz respeito à comunidade e à educação”, colocou o vereador.