Vale apresenta aos vereadores detalhes do Projeto Salobo III

Parlamentares pedem investimento na área social como forma de condicionante para expansão do projeto

Na tarde desta quarta-feira, 5 de dezembro, foi realizada reunião na Sala das Comissões da Câmara Municipal de Marabá para apresentação, por parte de executivos da mineradora Vale, do projeto de ampliação da atividade de beneficiamento de minério no Projeto Salobo, denominada de Salobo III.

Durante a reunião, vários aspectos do projeto foram expostos, assim como a prospecção para implantação e operação desta nova fase do empreendimento.

Participaram da reunião os vereadores Pedro Corrêa, Frank Varão, Tiago Koch, Ilker Moraes, Cabo Rodrigo, Alecio Stringari, Gilson Dias, Cristina Mutran, Edinaldo Machado, Márcio do São Félix, Marcelo Alves e Priscila Veloso.

 

O presidente da Câmara, vereador Pedro Corrêa, disse que os vereadores reconhecem que a expansão do projeto será importante para Marabá do ponto de vista da arrecadação, mas que é preciso conhecer os impactos que ocorrerão.

João Coral apresentou parte do projeto aos vereadores. Ele disse que a empresa vive um novo ciclo de investimentos na região sudeste do Pará, citando que o projeto de expansão de mineração em Marabá é um deles. “Buscamos ser uma empresa que esteja preocupada com o meio ambiente e questões sociais, junto com a sustentabilidade. Temos uma participação e parceria importante com a Prefeitura e a sociedade marabaense”, justificou.

Plínio Tocchetto detalhou as mudanças que serão implementadas para ampliar o processo de enriquecimento e beneficiamento do minério do Salobo, para se tornar vendável e viável.

Ele explicou que a ampliação do beneficiamento irá incrementar a produção de cobre já existente na mina Salobo e viabilizar o beneficiamento de minério de baixo teor. “O empreendimento gerará 700 novos empregos durante a operação e, no pico, chegará até 3.200 empregos temporários, o que está previsto para ocorrer em 2020”, frisou Plínio.

Segundo ele,  o projeto consiste na construção de uma nova linha de beneficiamento com capacidade de 12 Mtpa (milhões de toneladas por ano), sem aumento da capacidade de lavra.

O vereador Tiago Koch questionou por que a região do Tapirapé ficou fora das condicionantes da expansão do projeto, uma vez que ele afeta a área e pediu que as vilas da região sejam beneficiadas. “Não temos postos de saúde e a carência maior é nesta área. Certamente teremos mais problemas com a assistência educacional. Em resumo, gostaria de que as comunidades daquela região fossem vistas pelo projeto, entre as quais as vilas Bandinha, Boa Vista e Serra Azul”.

O vereador Ilker Moraes colocou aos representantes da Vale que gostaria de retomar o diálogo para visitar, in loco, o projeto, para ver de perto a expansão e a barragem de rejeitos. “É preciso ter noção visual da amplitude do projeto e gostaria de saber sobre a estimativa de receita para Marabá até 2021, durante a fase de instalação e quais as condicionantes estão sendo discutidas”.

Em resposta, Plínio Tocchetto disse que os impactos em relação às vilas devem ser debatidos, uma vez que até agora elas não estão sendo contempladas neste diálogo. “Podemos avaliar o que é possível junto com o poder público de Marabá”.

ISS  E CONDICIONANTES

O gerente de sustentabilidade disse que a mineradora prevê que serão arrecadados para o município de Marabá cerca de R$ 60.000.000,00 durante os três anos de implantação do projeto e que o alvará para a expansão custou R$ 1.800.000,00.

Em relação às condicionantes do Salobo III, salientou que elas foram apontadas pelo próprio IBAMA, que recorre a vários órgãos para coletar as demandas.

João Coral informou que, em relação às condicionantes, não existe nenhum investimento social previsto, apenas na área ambiental. Disse que nos primeiros 10 anos, a partir da operação, haverá incremento da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) em torno de 30% para Marabá, dependendo do preço das commodities.

Coral argumentou que neste ano de 2018, até o mês de setembro, o projeto gerou para Marabá cerca de R$ 50 milhões. “Para a expansão, a Vale busca fornecedores e mão de obra locais, nas áreas que a região puder atender. Serão investidos R$ 4 bilhões só no projeto de expansão na terceira fase”, revelou.

PREOCUPAÇÃO

O vereador Alecio Stringari mostrou-se preocupado com o fato de que as condicionantes serão realizadas na área ambiental, sem a mínima discussão de investimentos sociais para Marabá. Ele disse que existem mais de 15 mil desempregados na cidade e que é necessário ter consciência da necessidade de contratação de mão de obra local. “Gostaria que a Vale tivesse um melhor relacionamento com a Casa, mais sensibilidade e o reconhecimento da necessidade de investimento no município, como contrapartida do projeto”, disse Stringari.

Edinaldo Machado questionou qual o percentual de vagas de emprego destinado para a população de Marabá e qual tipo de apoio haverá para entidades do terceiro setor com o projeto de expansão.

Por sua vez, o vereador Marcelo Alves fez um histórico sobre os projetos minerais já discutidos e vislumbrados para a região e falou da necessidade de cobrar investimentos, emprego e compra dos fornecedores de Marabá. Ele alertou que é necessário realizar compensação na área social, mediante a implantação do projeto.

Em resposta aos três questionamentos acima, João Coral disse que as vagas de emprego estarão abertas à sociedade e que a empresa estará em contato com os fornecedores locais. “Não podemos obrigar a contratação de pessoal só de Marabá, não há legalidade para isso. As empresas devem ter competitividade e base para fornecer para a obra”.

A vereadora Priscila Veloso, por outro lado, lamentou a falta de investimento na área social e disse que Marabá sonhava em reconstruir sua história como município rico também em desenvolvimento social. “Precisamos ter mais contato com esses projetos e conhecimento do que é feito pela mineradora. Não adianta oferecer cursos se a empresa não garantir o emprego para as pessoas daqui. Qual é o projeto de verticalização da Vale?”, indagou.

Gilson Dias lembrou que a Vale é muito poderosa e por isso fica difícil ela atender algumas demandas da região na área social. “A empresa mantém convênio com a agricultura familiar em Parauapebas e assentamentos e por que não faz o mesmo em Marabá?”, questionou.

Pedro Corrêa disse que pretende agendar, em breve, uma reunião para discutir a visita ao projeto Salobo e questionou sobre o estudo para verticalização do minério da região, que foi prometido pela Vale e até agora não cumprido. “Como podemos estimular o fornecedor e o prestador de serviço local para ser inserido nesta expansão do Projeto do Salobo?”, finalizou o presidente.

João Coral lembrou que o projeto de verticalização de produção de chapa de aço (como seria a Alpa) é muito mais próprio para o mercado interno, denominado ainda de polo metal mecânico. “Fizemos estudo de mercado, chegamos à conclusão de que há viabilidade e estamos buscando parceiro, esperamos trazer boas notícias em 2019”.

Sobre a agricultura familiar, garantiu que a Vale faz investimentos nesta área em Marabá, mas não descartou a discussão de novos projetos nesse sentido.