Vereador Coronel Araújo defende greve de policiais militares

Mulheres de praças estão articulando o movimento grevista em Marabá

Na sessão desta terça-feira, 8, na Câmara Municipal de Marabá, o vereador Coronel Antônio Araújo usou a tribuna para sair em defesa à greve dos policiais militares, que segundo ele é legítima, pacífica e não ultrapassa os limites da lei. Ele sugeriu um debate amplo sobre o assunto para esclarecer à população e aos vereadores que o movimento dos praças da PM ocorre desde a semana passada, enquanto o efetivo de Marabá aderiu desde o último sábado.

Araújo disse que há receio da possibilidade de represália por conta do governo do Estado, que ameaça abrir processo administrativo para o que chama de “motim e insubordinação”. Ele pediu que vereadores da base do governo do Estado façam contato com o governo para intermediar a negociação e pedir que o governador Simão Jatene seja flexível no trato com os policiais.

Embora seja coronel da reserva da PM, Araújo reconhece que deesde 2006 até ano passado houve uma defasagem muito grande no salário dos praças. Ele revelou que quando estava na ativa e comandada o policiamento da PM na região metropolitana, tinha sob seu comando 5 mil homens, e não achou justo, à época, porque uma determinação do governo do Estado previa aumento apenas para os oficiais da PM. Por sua defesa dos praças à ocasião, o secretário de Segurança o substituiu no comando. “Perdi o comando, mas a luta valeu a pena. A partir de 2006, o reajuste dos soldados ficou igual ao do salário mínimo. Com aumento vinculado do soldado até subtenente, eles têm aumento garantido.

Coronel Araújo questiona por que não houve diálogo desta vez, nem houve explicação às associações e aos praças. “O movimento hoje é no Estado todo. Governador foi mal assessorado pelo alto comando. Não pode haver rivalidade entre os dois segmentos. Quase houve agressão em Belém, na última semana, mas em Marabá foram pequenos problemas”, explicou.

Em Marabá, observou que os policiais estão garantindo o funcionamento da penitenciária, casas penais e haveria fuga em massa se assim não procedessem. “Isso mostra responsabilidade do movimento grevista, que está sendo comandado pelas esposas dos policiais”, ressalta, pedindo que ninguém se arvore para dizer quem é líder.

Araújo disse aos colegas vereadores que a Polícia Civil não faz policiamento ostensivo, mas mesmo assim ganha 100% do risco de vida em cima de seu salário, enquanto na PM recebem apenas 70% e a exposição ao perigo é bem maior. “É preocupante a situação que se instalou. Peço que os vereadores informem à sociedade o que realmente está acontecendo. “Não havia necessidade de paralisação, todos sofrem, mas os praças estão sofrendo muito mais”.

O coronel Araújo pediu que a Câmara encaminhe um documento solicitando que o governo do Estado possa resolver o problema com diálogo com a categoria.

O vereador Adelmo Azevedo disse entender que a classe policial é uma das mais penalizadas aqui no Pará e reconhece que a polícia é mal paga. “Não posso entender que achem que esse movimento é errado. Não posso entender que aumentem salário dos oficiais e não dos praças. O governador tem que sentar imediatamente com o movimento e achar uma saída”, sugeriu.

O vereador Leodato reconheceu que essa greve afeta toda a comunidade e lembrou que já solicitou que se construa vilas com moradias dignas aos praças. “Este é um serviço essencial para a sociedade. Quem vai pra esse embate tem que ter pelo menos a garantia de uma qualidade de vida melhor”, sustentou.

Usando a tribuna da Câmara, Iris disse que é esposa de militar e seu marido é cabo. Ela pediu que a Câmara interceda na situação junto ao governo do Estado para uma negociação pacífica. Disse que as esposas dos militares estão acampadas em frente ao quartel desde sexta-feira, menos os seus filhos. “Tenho a preocupação de haver rixa entre os oficiais e os praças. Surgiu um momento de muito mal estar. Me sinto humilhada. Fizemos isso, para mostrar a situação. Meu marido faz bico em ambientes ruins quando não está de serviço porque o salário que ganha é baixo. Nunca sei se meu marido volta. Só Deus sabe a hora que irá voltar”, desabafou.

Iris disse que sempre cobra do marido para que a polícia seja comunitária e amiga. Ontem houve um grande mal estar por termos fechado o portão de acesso ao quartel, e os oficiais fizeram o enfrentamento, e um deles me empurrou. Nós não precisamos passar por isso. Falei que a briga não era contra os oficiais, e sim com o governo. É muito humilhante o salário de um praça. Soubemos que em Belém pediram a prisão das esposas e dos maridos”, o que a gente repudia.

“Peço o apoio desta Casa. Estamos a todo momento sendo ameaçadas. Falaram pra gente lavar roupa. Já pensou se não houvesse polícia na rua? Eles estão trabalhando para não prejudicar a sociedade”, clamou Iris.