Vereador se diz preocupado com a situação na zona rural de Marabá

Preço do leite cai e não há incentivos à produção, segundo Alecio Stringari

Durante a sessão desta terça-feira, 17, o vereador Alécio Stringari voltou a se manifestar sobre a situação da zona rural do município de Marabá. Alécio enfatizou que a preocupação na região do Rio Preto é grande e usou como exemplo a produção leiteira da região, revelando que apenas a  Vila Capistrano de Abreu produz  65 mil litros de leite diariamente, e se levar em conta todo o aglomerado de vilas da área chega a um montante de 115 a 120 mil litros de leite. Stringari lamentou que o produto tenha perdido muito valor de mercado nos últimos meses, causando instabilidade no setor. “Em dezembro de 2014, o leite custava na região 71 centavos, mas caiu para 50 centavos agora”.

O parlamentar disse também que envolvendo tudo o que a zona rural tem de déficit dos governos em todas as esferas, a situação vem ao longo dos anos se complicando. “Cada dia que passa aumenta a evasão da zona rural em direção à urbana. Considerando todos os problemas, é difícil se ver onde está a luz no fim do túnel”, enfatizou Alecio.

Para o vereador, a preocupação tem de ser de uma maneira geral, já que os problemas de escoamento de produção e falta de estrutura na educação, saúde e outros elementos sociais afetam também a zona urbana. “Não é tão fácil! No ensino médio, que é responsabilidade do governo do Estado, não conseguimos avançar”.

Ele falou ainda da necessidade de se ter com o Incra parcerias com o município para execução de melhorias nas estradas, escolas, e no âmbito da saúde. “Os convênios são fragilizados. O município de Marabá tem mais de 80 assentamentos no esquecimento, no abandono, e quando querem justificar por que a pessoa abandonou o seu lote, é por que não tem condições de sobreviver lá”, argumentou.

Alecio ainda adiantou que está sendo formatado um seminário amplo, sem data ainda definida para tratar da agricultura familiar envolvendo a bacia leiteira da região. O objetivo é elaborar uma carta de intenção e enviar aos governantes, tendo como meta avançar nas estruturas sociais da comunidade e na melhoria da produção e da genética.

Pedindo aparte, o vereador Ubirajara Sompré disse que a produção rural é difícil. Para ele, a Câmara deve chamar os envolvidos no processo para uma ampla discussão, principalmente sobre o custo da produção.

Para ele, devem ser chamados os pequenos produtores e assentados. “O pequeno não pode ser comparado ao grande. Temos de fazer um levantamento sobre o custo/benefício da produção, inclusive com proposta de oferecer preço de insumos diferenciados aos pequenos produtores”.

Fazendo um adendo, Leodato Marques lembrou que quando o poder público autoriza um loteamento ou um residencial é necessário ter todos os aparelhos públicos, como escolas, creches, embora às vezes sejam deficitários. “Agora, questiono como se coloca pessoa no assentamento e não se garante o mínimo, que é estrada, educação e saúde? Temos de levantar essa discussão”, disse Leodato, para quem é necessário se ter uma área ampla para instalação dos aparelhos públicos nesses locais.

Alecio finalizou dizendo que se não fosse a intervenção e a boa vontade do prefeito municipal João Salame e da Secretaria de Obras (SEVOP), que não deixam cortar as estradas nesse período de  inverno intenso, a situação seria ainda pior.