Vereadora Vanda revela que pacientes temem a morte em fila para hemodiálise

Miguelito contemporiza e diz que culpa não é do município, mas do sistema, que não oferece profissionais qualificados

Durante a Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Marabá nesta terça-feira, 14, a vereadora Vanda Américo apresentou uma lista de dez pessoas que estão na fila de espera para atendimento na Clínica de Doenças Renais de Marabá. Ela disse que a clínica, situada na Nova Marabá, não tem espaço para atender mais pacientes, observando que dez pessoas que receberam recentemente de médicos indicação para hemodiálise não conseguem acesso ao serviço, garantido gratuitamente por lei.

Vanda lembrou que no passado recente, ela alertou que a construção de uma nova clínica na Nova Marabá não deveria fechar a primeira na Marabá Pioneira, embora o dono das duas fosse o mesmo que vende o serviço para o SUS (Sistema Único de Saúde) através da Secretaria Municipal de Saúde, que é quem deveria ter negociado para que os dois prédios continuassem oferecendo o serviço, diminuindo a demanda reprimida. “As máquinas antigas não deveriam sair da Velha Marabá, mas o município não ouviu o meu alerta e agora temos uma fila muito grande de espera”, disse Vanda.

Em sua avaliação, não houve interesse por parte da Secretaria Municipal de Saúde para manter o serviço nos dois prédios. Os renais não podem esperar. A pessoa precisa fazer a hemodiálise a cada dois dias. Espero que possamos sentar com Nagib (Mutran, secretário de Saúde) para resolver esse dilema que pode redundar em várias mortes. É muito difícil para pessoa pobre sair de Marabá e ir para Imperatriz, Ulianópolis, Araguaína e outros municípios para se submeter permanentemente a sessões de hemodiálise quando no município em que ela mora existe esse serviço. “Precisamos encontrar uma solução para esse grave problema e dar uma resposta para a clínica e pacientes que nos procuraram”.

O vereador Miguel Gomes Filho, o Miguelito, líder do governo na Câmara Municipal, reconhece que há uma fila de espera e o número de máquinas de hemodiálise não é suficiente para resolver essa demanda. Todavia, argumentou que a solução para o problema não parte diretamente da Prefeitura de Marabá. Ele apontou Ulianópolis, a 300 km de Marabá, onde também há serviço de hemodiálise, como uma saída para os marabaenses, mas observou que ninguém quer ir para lá para o tratamento.

Parauapebas, segundo Miguel, também tem máquinas de hemodiálise, mas elas não funcionam porque o município não consegue contratar nefrologista (médico especialista em hemodiálise). “A legislação limita o número de máquinas por profissional. Não encontramos nenhum outro nefrologista que queira vir para cá, não há no mercado”, disse Miguelito.

Ele observou que, com isso, a quantidade de paciente para hemodiálise só vai aumentando. Com isso, em Marabá, passou a acontecer algo até perigoso para os pacientes, que deveriam ficar quatro horas na máquina, mas só estão ficando duas horas. “Isso é grave, mas ninguém tem varinha de condão para resolver o problema de uma hora para outra”, disse Miguel.

Além da Clínica de Doenças Renais, em 2009 o Hospital Regional Público do Sudeste também implantou o serviço, que conta com 22 máquinas de diálise que fazem o procedimento de filtragem do sangue, e destinada uma máquina específica para pacientes portadores da Hepatite B.

São atendidos cento e vinte e seis pacientes, de dez municípios da área de jurisdição do HRPA. O setor conta com equipe de três médicos nefrologistas, três enfermeiras; vinte e dois técnicos de enfermagem; uma assistente social; dois nutricionistas e uma psicóloga.

Entenda

A hemodiálise é um procedimento realizado em pessoas com insuficiência renal crônica que filtra o sangue para retirar substâncias que, em excesso, trazem prejuízos ao corpo como uréia, potássio, sódio e água.