Vereadores aprovam nota de repúdio contra a Vale

Motivo é a falta de ação da mineradora para fechar vãos que já provocaram várias mortes na ponte rodoferroviária

Após a morte de duas mulheres na noite do último domingo, 1º de setembro, caindo da ponte rodoferroviária sobre o Rio Tocantins, levantou-se, mais uma vez, a polêmica sobre os vãos que existem entre as duas pistas rodoviárias e a ferroviária, que já foram motivo de várias mortes.

Na Câmara Municipal, o assunto alcançou ampla repercussão e o vereador Miguel Gomes Filho, o Miguelito (PP), propôs um voto de repúdio contra a Vale por entender que a mineradora é a responsável pelas mortes porque foi ela quem construiu a ponte na década de 1980 e deixou dois buracos negros e sem proteção entre a parte rodoviária e a ferroviária. “Não posso conceber que a Vale ainda deixe um espaço entre as três partes da ponte para pessoas morrerem. Essa é uma empresa assassina, ela é responsável pelas mortes que ocorreram na ponte, e nas minhas contas já foram ceifadas cerca de 10 vidas e ninguém diz nada”, alardeia Miguelito.

Miguelito sugeriu que a Vale coloque uma tela de proteção embaixo dos dois vãos para evitar tragédias futuras. Essa nota de repúdio vai servir para mostrar à Vale que nós não aceitamos essa passividade dela. A mineradora ganha muito dinheiro e elaborar um projeto para resolver um problema de vida ou morte não é nada para ela”, avalia a vereadora.

A vereadora Irismar Araújo elogiou o posicionamento de Miguelito e lembrou de fatos antigos dessa mesma ordem sobre as mortes na ponte. Para ela, a Vale precisa ser responsabilizada, juridicamente, sobre essa situação. “Há quantos essa ponte existe? Ela não tem sinalização, iluminação e isso traz prejuízos às pessoas”, lamentou Irismar.

O voto de repúdio contra a Vale foi assinado por todos os 20 vereadores presentes à sessão da última terça-feira, dia 3.