Vereadores cobram da Superintendência de Polícia Civil solução ao caso Calixto Yaghi

Poder Legislativo também vai exigir do Executivo que conserte câmeras de vigilância com defeito

 

Na manhã desta quarta-feira, 23, 13 dos 21 vereadores da Câmara Municipal de Marabá estiveram na Superintendência de Polícia Civil do Sudeste do Pará para cobrar empenho nas investigações e prisão para os responsáveis pela morte do odontólogo Calixto José Yaghi, encontrado em uma cova rasa em uma estrada vicinal, às proximidades da Vila Sororó, km 35 da BR-155, na quinta-feira, dia 19 de abril.

A visita à Superintendência foi proposta pela vereadora Vanda Américo na sessão ordinária desta terça-feira, 22, quando foi feito um minuto de silêncio em memória a Calixto Yaghi.

Os vereadores foram recebidos na Superintendência pela delegada Simone Felinto, que representava o superintendente Ricardo do Rosário, que está em viagem para Belém. Com ela, participaram da audiência o delegado Rayrton Carneiro, que preside o inquérito que investiga o assassinato de Calixto, mais o investigador Wallac França, que também atua no caso.

A presidente da Câmara, Júlia Rosa, explicou à delegada Simone Felinto que os vereadores e a sociedade local estão preocupados com os recentes crimes contra homossexuais que vêm ocorrendo e disse que a Câmara está estendendo a mão para ajudar no que for preciso no aspecto político. “O Calixto era uma pessoa muito querida em Marabá e desconhecemos que houvesse uma pessoa que nutrisse ódio e sentimento de vingança contra ele. Apelamos para que a polícia se empenhe no esclarecimento dos fatos. Não podemos concordar que esse tipo de crime volte a acontecer”, disse Júlia Rosa.

A vereadora Vanda Américo lembrou que a Câmara tem lutado durante sua história contra esse tipo de crime e diz querer saber como andam as investigações, se é necessário reforço de policiais de Belém para ajudar na elucidação do crime. “É inaceitável vermos uma situação dessas acontecer. Ele (Calixto) tinha sua preferência sexual, e precisamos saber se o crime foi latrocínio ou por motivos passionais”, questionou.

Vanda pediu ainda que o inquérito policial seja bem feito para que, por ocasião do julgamento, não haja reclamação de falhas no processo de investigação e apresentação de provas.

O jornalista e ex-vereador João Chamon Neto, representando a Imprensa local, também se mostrou preocupado com as investigações e disse que a comunidade local continua impactada com as condições em que Calixto morreu e foi encontrado. Ele reconheceu que há carências no aparelhamento da Polícia Civil em Marabá e se colocou à disposição para cobrar das autoridades do Estado as condições necessárias para esclarecer o crime e prender o culpado ou culpados. “Pedimos a apuração com um certo rigor para que possamos dar resposta à sociedade”, disse Chamon.

Ao usar da palavra, a delegada Simone Felinto agradeceu o empenho dos vereadores em acompanhar o caso e garantiu que a Polícia Civil está se empenhando para esclarecer o assassinato de Calixto Yaghi e as investigações apontam para uma pessoa que teria envolvimento afetivo com a vítima. “Nossa equipe está empenhada quase 24 horas nesse caso. Lamentavelmente, a justiça não concedeu o pedido de prisão preventiva do acusado, mas estamos juntando mais elementos para que este assassinato seja elucidado”, destacou a delegada.

Por sua vez, ao usar da palavra, o delegado Rayrton Carneiro garantiu que as investigações estão avançadas e revelou que na noite desta terça-feira o suspeito se apresentou na delegacia em companhia de seu advogado e foi colhido seu depoimento por mais de três horas. Ele teria caído em contradição em algumas informações e eles estão reunindo mais provas para pedir novamente a prisão dele à justiça.

A vereadora Vanda Américo questionou se as câmaras de vigilância da cidade estivessem funcionando, se ajudariam a esclarecer o assassinato, o delegado Carneiro reconheceu que sim, uma vez que poderia avaliar em que circunstâncias o carro de Calixto teria passado pelo Km 6, por exemplo.

Todos os vereadores presentes reconheceram que será necessário cobrar do Executivo Municipal celeridade para consertar as câmeras que estão com defeito para que a polícia tenha mais condições de monitorar a cidade e a esclarecer alguns crimes que são cometidos.