Vereadores criam Comitê Pró-UPA de Marabá

Parlamentares querem maiores informações do Poder Executivo sobre a falta de recursos para funcionamento da Unidade de pronto Atendimento

Assunto recorrente nas últimas sessões e debates na Câmara, o anúncio, por parte do Executivo, de que está em tratativas para realizar a devolução de recursos investidos na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Marabá fez com que grande parte dos vereadores usasse a tribuna na última sessão ordinária do semestre para criticar o ato. Vários vereadores se posicionaram contra a ação e fizeram coro para que se busque alternativas para que a unidade seja implantada da forma como orienta o Ministério da Saúde.

A vereadora Irismar Melo subiu à tribuna e advertiu que o prédio da UPA não pode sofrer desvio de finalidade, e que sua utilização deve ser para o atendimento da população. Irismar lembrou que o governo do município informou que pretende utilizar o prédio para atendimento oncológico, preterindo o pronto atendimento. “Queremos, sim, o serviço de oncologia, mas não pode comprometer o prédio da UPA para isso. Não podemos colocar serviço de extrema necessidade como oncologia e medir força com a Unidade de Pronto Atendimento”, frisou a vereadora, dizendo que está sendo criado um Comitê Pró UPA, com apoio da comunidade.

Irismar finalizou seu discurso pedindo que o município busque parcerias junto aos governos Federal e Estadual e suscitou a possibilidade de se debater o assunto em audiência pública, com a participação da comunidade.

Marcelo Alves salientou que o tema UPA é relevante e de grande impacto para a cidade. “A sociedade está sensibilizada, agora é hora de sensibilizar o governo”. O vereador disse, ainda, que obteve informação de um representante do Conselho Municipal de Saúde que foi convocada uma reunião às pressas do prefeito Tião Miranda com o Conselho Municipal de Saúde (CMS) para referendar a devolução dos recursos. “Há dias governo tenta aprovar devolução do dinheiro, mas não consegue. Precisamos agendar reunião com o CMS”.

Alves também sugeriu que haja um debate maior em relação a UPA, nem que seja em audiência pública.

Gilson Dias considerou que a saúde de Marabá evoluiu muito pouco nesses anos. Ele criticou a atuação do governo do Estado no processo. “Se a UPA entrar em funcionamento vamos desafogar o Hospital Municipal. Não tem essa de dizer que não tem dinheiro para financiar a UPA. O Governo do Estado trata a saúde de Marabá como brincadeira”, criticou.

Para a vereadora e médica Cristina Mutran, é importante realizar estudo atual dos gastos financeiros necessários para a manutenção da UPA. “O objetivo da UPA é estabilizar o paciente que chega acidentado ou com outro problema e posteriormente dá os encaminhamentos necessários para o hospital ou centro de saúde”, explicou.

Como médica, Cristina ainda explicou que a UPA que está construída em Marabá é do tipo 3, que só existe em Belém: Ela deve funcionar com 9 médicos, 15 leitos, com capacidade para 350 atendimentos diários. “Nos outros município são do tipo 2 ou do tipo 1”.

Cristina lembrou os colegas que o atual prefeito de Marabá é aliado do governador do Estado e que poderia buscar apoio para a manutenção, até porque Marabá é um polo de atendimento na região e que geraria um ganho no atendimento da população. “É preciso um amplo estudo ou que se prove que não existe como manter a UPA. O prédio não pode funcionar para serviços administrativos, burocráticos”, criticou a vereadora.

Pedro Corrêa, presidente da Câmara, relembrou de quando foi secretário de Saúde, conseguiu viabilizar a criação e funcionamento do hospital Materno Infantil de Marabá (HMI). Pedrinho, como é conhecido o presidente da Câmara, enfatizou que foi uma meta sua e que montou uma equipe para que o projeto pudesse ser realizado. “Na época, o grande gargalo era a questão do custeio do HMI, mas conseguimos realizar a obra”.

Por fim, Pedrinho disse que após a construção do prédio, ele trouxe o ministro da Saúde a Marabá para ver a obra, e informou que estava fechado por falta de recurso, e fez a mesma coisa com o Governo do Estado, conseguindo, assim, o apoio necessário para a inauguração dos serviços. “Cada município é uma realidade, e precisamos entender qual a nossa dificuldade e daí buscar sugestões”.

Finalizando, Corrêa avaliou que, caso não seja possível a manutenção de uma UPA tipo 3, que o seja readequado para uma tipo 2 ou tipo 1. “Temos que buscar uma solução para que a população tenha o serviço da UPA”, disse o vereador.