Vereadores criticam mais uma vez passividade da Vale em Marabá

Alpa e hidrovia são o foco das discussões

Os vereadores da Câmara Municipal de Marabá estão mesmo decididos a lutar pela hidrovia e a cobrar da Vale uma melhor relação com o município. Na sessão da última terça-feira, 9, vários vereadores se posicionaram mais uma vez sobre a mineradora.

Para a vereadora Antônia Carvalho, a Toinha do PT, a licença ambiental para a duplicação da Estrada de Ferro Carajás não deveria ter sido dada sem antes discutir com a comunidade as ações mitigatórias. Ele opinou que será preciso um grande movimento para ocupação da ferrovia e todos os setores da sociedade terão de estar envolvidos. “Ou fazemos ações práticas ou nada mais será feito de concreto. Os parlamentos desta região precisam se unir para realizar as mudanças que a sociedade espera no sudeste do Pará”, destacou.

O vereador Guido Mutran (PMDB), ressaltou que o desenvolvimento precisa vir, mas junto com ele é preciso ser oferecido às pessoas a qualificação da mão de obra existente em Marabá. “Vamos dialogar e discutir a melhor forma de cobrarmos dos responsáveis uma ação prática para que nosso povo tenha condições de trabalho”, salientou.

A vereadora Júlia Rosa (PDT) entende que a ocupação dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás vai exigir uma capacidade de mobilização muito grande de todos os setores do município, classe política e dos trabalhadores. Ela reconhece que esse movimento é inevitável e a Câmara tem de desempenhar seu papel nesta mobilização.

Por sua vez, a vereadora Vanda Américo (PSD) advertiu os colegas que todos precisam ter conhecimento para lutar pelas grandes causas do município e reconheceu que não se pode permitir que a Vale ainda tenha o monopólio da ferrovia. “Só ficamos com o ônus social dos grandes projetos. É preciso uma compensação que alcance a todos os cidadãos deste município”, disse ela.

O vereador Antônio Araújo (PR) avalia que a Vale vai fazer de tudo para empurrar com a barriga a construção da Alpa (Aços Laminados do Pará). “Embora ela (Vale) diga que vai fazer a derrocagem do canal do Lourenção, isso não é verdade. Vão apresentar um projeto desconexo”, prevê.

A criação de uma Frente Parlamentar pela Mineração é a sugestão da vereadora Irismar Araújo para manter uma vigilância permanente em relação à atuação da Vale e outras mineradoras em território marabaense.

O vereador Miguel Gomes Filho, o Miguelito, disse aos colegas que a Vale informou à Presidência da República que a derrocagem custaria R$ 1,6 bilhão, com duas vias de 70 metros pelo Lourenção, mas isso seria inviável, segundo técnicos da UFPA. “A Vale acabou com Distrito Industrial I, III e IV e a Associação Comercial de Marabá quer tomar dela o terreno da extinta Ferro Gusa Carajás para passar para Votorantim, mas a mineradora não quer. “Precisamos cortar o monopólio da ferrovia. Se viabilizarmos a hidrovia, haverá a quebra do monopólio da ferrovia automaticamente”, avalia Miguelito.

A vereadora Irmã Nazaré opina que ou a Vale toma um rumo em relação a Marabá ou andará errada pra sempre. “Que bom que estamos vendo o tamanho dos estragos deixados por essa mineradora. Pra nós, é Vale do rio amargo e não doce”, ironizou.