Vereadores reclamam de qualidade das obras da Praça São Francisco

Eles também se queixam de lentidão e alto valor por metro quadrado

A sessão desta terça-feira, 23 de novembro, foi marcada pelas queixas de quatro vereadores sobre as obras das praças São Francisco, no bairro Cidade Nova; São Félix, na Marabá Pioneira; e Praça da Juventude, no Km 7, Nova Marabá. As obras estão paradas ou em ritmo muito lento e não deverão ser concluídas neste ano.

Segundo o vereador Guido Mutran, a situação mais polêmica, atualmente, é a da Praça São Francisco, cujas obras iniciaram em março deste ano e deveriam ser concluídas no dia 15 deste mês de novembro, ao custo espantoso de R$ 3.154.273,55. A obra está sendo executada em banho-maria pela empresa Cactus Construções Ltda. Passados quase dez dias após o prazo de entrega, até agora só foram executados 33% do total.

Segundo o vereador quando os tapumes foram retirados da parte que estava em obra, a comunidade foi tomada pelo espanto: a praça se transformou em um deserto de concreto sem nenhuma benfeitoria que justificasse o emprego de mais de R$ 1 milhão até agora.

Além da demora para execuação das obras, o tema Praça São Francisco deixou vereadores irritados. Entre eles, Guido Mutran resolveu ir atrás. Convocou o engenheiro civil Charles Augusto dos Santos, contratado pelo Legislativo para acompanhar obras executadas pelo o município, e pediu um laudo.

Charles identificou várias falhas na obra, como rachadura no piso por falta de junta de dilatação. “O piso é em concreto estampado no qual apresentam diversas trincas, falhas entre as etapas de execução e ausência de junta de dilatação”, concluiu.

O engenheiro também ficou espantado com a ausência de bancos para assento no trecho da obra já concluída até aqui, sem contar que falta iluminação, pois à noite aquele trecho da praça fica no escuro.

Nesta terça-feira, 21, alguns bancos apareceram na praça, mas Charles os condenou, dizendo que não há encosto e são fáceis de serem roubados porque não estão fixos no chão.

Por fim, ele avaliou que até agora, cada metro quadrado da obra está custando R$ 536,44. Como só foram executados 1.960 metros quadrados dos 5.880, o deserto de concreto já custou mais de R$ 1.050.000,00. “O dinheiro do município está sendo mal empregado em uma obra que não acaba nunca e que tem qualidade questionável”, vocifera Guido Mutran.

O parecer do engenheiro Charles não distoa do assinado por seu colega de profissão Laércio Moussallem, da Controladoria Geral do Município.

Moussallem também identificou rachaduras e alertou para a necessidade de resolver o problema. “A contratada deve dar continuidade à correção das trincas e rachaduras mas placas moldadas dos tentos em concreto, que se deslocaram do piso novo ou sofreram acomodação no terreno por ação das chuvas ou tráfego prematuro nas proximidades”.

O engenheiro da Congem recomendou celeridade nas obras para equilibrar o cronograma físico e o investimento maior de insumos e mão de obra no empreendimento. “Além disso, recomendamos primar pela qualidade na execução dos eventos planilhados, atendendo da melhor forma a expectativa da comunidade e da municipalidade”.

Nesta terça-feira, o secretário de Urbanismo, Claúdio Feitosa Felipeto, responsável pela obra das praças São Francisco e São Félix, não compareceu à Câmara para reunião com os vereadores, conforme estava agendado. Enviou um ofício alegando que estava viajando e não informou quando poderia vir ao Legislativo.

A vereadora Irismar Araújo Melo disse que Feitosa lhe revelou no último sábado que não é mais secretário de Urbanismo do município.

Guido Mutran disse que já tentou em vários órgãos municipais, mas não consegue informações sobre a Praça São Félix, que tinha custo estimado inicialmente de R$ 600 mil, mas já teria sido aditada para mais de R$ 1 milhão e não foi concluída até agora. “Agora, a Câmara vai convocar o secretário Cláudio Feitosa. Não será mais convite”, enfatizou Mutran.