Câmara discute reabertura de guseiras no Distrito Industrial de Marabá

Reunião mobilizada pelo vereador Leodato Marques reúne empresários de Açailândia e Marabá

Na última sexta-feira, 16, a Câmara Municipal de Marabá recebeu uma reunião de trabalho mobilizada pelo vereador Leodato da Conceição Marques, que objetiva reativar algumas guseiras do Distrito Industrial de Marabá. Para tanto, ele convidou empresários e sindicalistas de Açailândia, onde há uma experiência adiantada no processo de revitalização do setor e que está mudando a história do distrito industrial daquela cidade.

Na avaliação do vereador Leodato Marques, Marabá não pode mais ficar sem tomar iniciativa para recuperar os postos de trabalho que foram perdidos, como ocorre com o Distrito Industrial. A reunião, disse, serviria para pontuar um diagnóstico dos problemas no DIM. “Não nos conformamos com a situação em que se encontra o Distrito Industrial de Marabá e, consequentemente, com a perda de tantos postos de trabalho”.

Leodato disse que é metalúrgico e atuou em uma época em que havia apenas duas siderúrgicas em Marabá. Ele considera que o DIM é perfeito do ponto de vista da logística, servido por aeroporto, três rodovias federais, ferrovia, uma hidrovia que está quase para sair do papel. “Fomos buscar a experiência de Açailândia, que conseguiu manter seu Distrito Industrial funcionando, apesar da crise”.

Disse que do ponto de vista político, Marabá está bem representada e que os atores desse setor precisam abraçar a causa de revitalização do Distrito Industrial.

Neiba Nunes, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Marabá, considerou que o debate é tardio, mas que deve ser feito. Disse acreditar que há solução para revitalização do setor e que o grande desafio é produzir e revender com baixo custo, além de enfrentar o problema ambiental, que é outro gargalo. “A fórmula adotada em Açailândia precisa ser copiada em Marabá. Vamos aprender como se faz gusa com preço baixo e ainda competir com o mercado internacional”.

Ítalo Ipojucan, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, reconheceu que o parque industrial sucumbiu. Acredita que a interatividade é importante, e que o DIM precisa, sim, de diversificação. Lembrou que o gusa sempre sofreu sazonalidade e alertou entre 2005 a 2007 que o Distrito Industrial poderia sofrer porque não tinha diversificação de sua cadeia produtiva.

“Em 2007, não levaram a sério a sugestão que foi dada. A solução que vejo para o DIM é a diversificação para agregação de valores na cadeia produtiva”, disse, apontando a Sinobras como grande referência nessa área.

Na avaliação de Ipojucan, o gusa é uma parte no processo que precisa ser avaliado. Para ele, é importante ouvir as particularidades de Açailândia, mas garantiu que a ACIM está empenhada em buscar meios para revitalizar o DIM. “Ouvi de todos os papas do setor de siderurgia, que garantem que o setor está prejudicado porque não consegue mercado para seu produto”, adverte.

Por fim, Ítalo sugeriu convidar o secretário de Desenvolvimento de Parauapebas, experiente na área siderúrgica e que está com recente estudo sobre o retorno das atividades do gusa em Marabá e Açailândia, alimentando as siderúrgicas com gás, construindo dutos para alimentar as plantas industriais de Marabá e Açailândia, dando condição de competitividade, abandonando o carvão vegetal.

Zeferino de Abreu Neto, do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa, Marcelo Araújo, secretário municipal de Indústria, Comércio e Mineração, Francisco Arnilson, diretor do Sindicom, entre outras autoridades, demonstraram interesse em ver o setor de gusa fluir novamente e consideraram a experiência de Açailândia interessante, mas que precisa ser analisada cuidadosamente.

Claudio Queiroz, consultor da Secretaria de Indústria e Comércio de Açailândia, Sicam, disse que naquele município muitos empresários sugeriram que abandonassem o setor siderúrgico, que estava entrando em bancarrota inevitável. Todavia, eles seguiram firme nesse propósito e alcançaram êxito.

“A iniciativa privada está construindo, atualmente, um aeroporto internacional que deverá complementar o modal em nosso município. Há ainda duas empresas que vão se instalar para montar aeronaves”, disse Queiroz.

Segundo ele, algumas coisas estão acontecendo no município graças à união de entidades e o poder público. Ele animou os defensores da ideia de revitalizar o Distrito Industrial de Marabá com a guseiras que estão fechadas e comparou que aqui havia 22 alto fornos funcionando, enquanto em Açailândia existiam 15 e hoje apenas 9 fornos estão ativados.

Uma aciaria está sendo construída no Distrito Industrial de Açailândia e deverá iniciar sua produção em 2017. Ela vai consumir a produção de ferro gusa, o que deverá contribuir para dobrar o PIB (Produto Interno Bruto) do município. “Essa situação fez com que a gente mobilizasse as entidades e a sociedade de um modo geral e elaboramos um documento e entregamos para todos os deputados estaduais, federais e senadores do Maranhão. O mercado alternativo para o gusa por alternativa fez com que o setor guseiro de Açailândia se mantivesse, as alternativas foram em investimentos em florestas para resolver o gargalo da fonte energética, com o aproveitamento do fino, a escoria para fabricação do cimento”.

Charles Adelino, presidente do Sindicato de Metalúrgicos de Açailândia analisou que a magnitude do problema de Marabá é superior a de Açailândia. Na cidade maranhense, houve investimento em florestas e mineradoras, o governo do Estado contribuiu com a infraestrutura e houve participação de políticas públicas voltadas para os empreendimentos.

Uma nova reunião será agendada para discutir como negociar com a Vale o subsídio do minério de ferro para produção do gusa, além de dialogar com o governo do Estado a carga tributária do setor e ainda a formas de garantir a matriz energética para as guseiras durante um certo período.