Câmara vai retomar discussão sobre Hidrelétrica de Marabá

Vereadores estão preocupados com implantação do empreendimento sem nenhuma compensação social

Durante a sessão ordinária desta terça-feira, 3, os vereadores voltaram a discutir a implantação da hidrelétrica de Marabá por parte da Eletronorte, o que está previsto de acontecer a partir de 2015. No ano passado, a Câmara realizou uma ampla mobilização social para discussão do assunto, trazendo para mesa de debates a direção da Eletronorte, governo do Estado, prefeitos e vereadores de outros municípios que serão impactados e empresários.

O vereador Leodato da Conceição Marques relembrou a grande luta que o Legislativo travou no ano passado sobre o assunto e disse que é hora de retomar essa discussão para que os entes envolvidos se fortaleçam e as condicionantes sociais do projeto sejam garantidos, apesar de o Ibama e Eletronorte se posicionarem contrários a essa demanda. Segundo ele, 54% da energia do Brasil vai sair do Pará nos próximos anos e não há compensação para o povo do Estado, como uma tarifa de energia social, uma vez que o valor da tarifa cobrado aqui é muito alto.

A vereadora Vanda Américo pediu à presidente da Câmara para enviar um ofício para o diretor de Gestão Corporativa da da Eletronorte,  Adhemar Palocci, para que a empresa não mantenha diálogo sobre o assunto apenas com o prefeito de Marabá, João Salame, e com o indígenas da Terra Mãe Maria, mas também com os vereadores que estão dispostos a dialogar sobre os impactos sociais e ambientais na implantação do projeto.

A vereadora Júlia Rosa, presidente da Câmara, Júlia Rosa lembrou que CMM chamou todos os atores para discutir a implantação da hidrelétrica de Marabá, inclusive a AMAT (Associação dos Municípios do Araguaia Tocantins), e garantiu que o tema será retomado e que a Eletronorte terá de vir a Marabá reabrir o diálogo iniciado no ano passado. “Vamos enviar ainda esta semana um documento solicitando à Eletronorte o agendamento de uma data para reiniciarmos as discussões”, destacou.

Dimensões

Afetando 40 mil pessoas e com um prazo de construção para oito anos, o projeto tem um custo estimado em dois bilhões de dólares e atingirá 12 municípios dos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. A Hidrelétrica de Marabá terá a capacidade de produção de 2.160 Megawatts de potência, formando, para isso, um lago de 3.055 km², bem maior que o formado pela Hidrelétrica de Tucuruí. Do total inundado, 110 mil hectares são de terras férteis, segundo dados da própria Eletronorte.