Comissão da Mulher coordena nova reunião sobre gravidez na adolescência

Próxima reunião está marcada para o dia 11 de Julho

Na manhã desta quinta-feira, 14 de junho, a Comissão da Mulher da Câmara Municipal de Marabá esteve reunida com diversas entidades e Poder Executivo para debater políticas públicas voltadas para o atendimento de adolescentes, mais especificamente para criação de um plano de ação para reduzir a gravidez não planejada na adolescência.

Essa foi a terceira reunião da comissão, que luta para diminuir os índices de gravidez na adolescência e infância, e dar suporte e acompanhamento no pós-parto dessas adolescentes.
A advogada Cláudia Chini reconheceu que trabalhar a prevenção é muito importante, mas acredita que é necessário avançar no debate. “As crianças estão engravidando, não são nem adolescentes e a maior incidência está na periferia”, diz ela.
Elisângela Gomes, membro da Coordenadoria de Políticas Públicas da Mulher, advertiu que é preciso dar acompanhamento às meninas não apenas na escola, mas também na área social, oferecendo oportunidade de vida aos jovens da periferia. “Não adianta só informar, tem de dar oportunidade e meta de vida para elas”.
A vereadora Priscila Veloso disse ser fundamental o debate para a redução da gravidez na adolescência e que é preciso fazer um link com a educação no enfrentamento do problema. “Precisamos saber que tipo e a quantidade de profissionais que estão disponíveis na saúde e educação do município, para atuarem nessa direção nas escolas”.
Cristina Mutran lembrou que ações desse tipo em escolas acontecem há muito tempo, e que o grupo deve inserir a família no debate, como forma de dar maior amplitude ao processo, por se tratar de um problema que envolve muitas variáveis sociais. 
A presidente da Coordenaria de Políticas para Mulheres, Júlia Rosa, salientou que é necessário realizar um diagnóstico das áreas geográficas com maior incidência de gravidez na adolescência em Marabá, para que as ações sejam eficientes. 
A vereadora Irismar Melo lembrou que a Câmara Municipal de Marabá é indutora de ações educativas, mas não executa. “Quem tem condições de alavancar esse processo é a Prefeitura, sugeriu”.
Fábio Rogério Rodrigues, diretor de Ensino da SEMED, lamentou que essa temática tenha sido, infelizmente, tratada de forma natural nas escolas, ponderando que o público alvo nesse processo são os jovens. “A concepção dos adolescentes não varia muito de classe social. Não pensem que é um problema só da periferia”.
O representante da SEMED lembrou que o condutor desse problema social sempre foi a educação. Fábio também reconheceu que as escolas do 6° ao 9° ano do Ensino Fundamental têm o maior índice de gravidez na adolescência. Ele garantiu que a Secretaria Municipal de Educação se compromete em envolver todos os orientadores educacionais, mas com apoio da Secretaria de Saúde, que poderá trabalhar a formação com um grupo de educadores e discutir a temática em rede e não centrar apenas nas escolas periféricas. “Podemos envolver as 37 escolas do 6° ao 9°, onde há crianças em idade entre 12 a 14 anos. Antes, devemos montar um plano de trabalho junto com a Secretaria de Saúde com ações que envolvam a todas as escolas”, disse Rogério.
A psicóloga Tábata Veloso sustentou que as escolas têm necessidade de trabalhar esse tema, mas falta estrutura. Ela disse que o ideal seria que cada unidade escolar tivesse um psicólogo para desenvolver um trabalho técnico e de qualidade com os estudantes sobre o problema.
Dármina Duarte, diretora de Média e Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Saúde, lembrou que o número de escolas nas redes municipal e estadual é enorme e que é necessário alcançar o maior número possível. Ela propôs que a SMS faça a formação dos multiplicadores que trabalhão nas escolas. “Devemos trabalhar a perspectiva de vida de quem engravida na adolescência, além de combater a gravidez. No ano passado, no grupo de meninas de 10 a 14 anos foram realizados 36 partos, enquanto de 15 a 19 anos ocorreram 519 partos no Hospital Materno Infantil”, revela.
O secretário municipal de Saúde, Marcones Santos, disse estar motivado com o envolvimento de vários atores na discussão de um problema crônico e que precisa ser enfrentado. “Precisamos saber por que as políticas públicas, muitas vezes, não têm a eficiência necessária. Precisamos iniciar um projeto piloto em Marabá e, para isso, precisamos partir para a coleta de informações, para que se construa um plano de ação.
Gesiane Cavalcante, representante da Unifesspa, contou que nos bairros de Marabá pelos quais percorre existe incidência alta de violência, gravidez na adolescência, entre outras questões sociais que devem ser enfrentadas.
O vereador Cabo Rodrigo disse que é necessário envolver as famílias, Delegacia da Mulher e igrejas no debate, salientando que o projeto precisa ser pensado a longo prazo. 
Orlando Morais, secretário adjunto de Educação, lamentou que todos os problemas sociais, em geral, desembocam na escola. Para ele, uma escola que não consegue ensinar não tem expectativa de crescimento. “Atualmente, temos muitas atividades ocorrendo nas escolas, como a revisão da grade curricular e a e outros temas que os professores precisam executar. Com isso, eles não têm fôlego para implementar outras discussões que não sejam a de ensinar”.
Por outro lado, Orlando sustentou que é preciso estabelecer uma ação integrada, criando um plano de ação com protagonismo para o grupo inteiro e dando ênfase aos jovens.