Professora usa a tribuna da Câmara e denuncia racismo estrutural

Rosimeire Lima Bezerra, professora da entidade Coletivo Consciência Negra em Movimento há 10 anos, usou a tribuna na última terça-feira, 26, para falar do Novembro Negro, que trabalha o dia 20 de novembro, em que se comemora o Dia da Consciência Negra, para denunciar tudo que é feito para denegrir a imagem dos negros e o preconceito na sociedade.

“A data é da morte de Zumbi dos Palmares, grande figura de resistência e o Dia Nacional da Consciência Negra. A consciência humana, por muito tempo, nunca considerou o negro como ser humano”.

Rosimeire ressaltou aos vereadores que é preciso discutir as questões que envolvem o que denominou de “racismo cultural e estrutural”, por conta de questões como os 26 mil jovens negros assassinados no Brasil e a violência contra a mulher negra, que só aumenta. “Temos um racismo estrutural na sociedade brasileira, na medida em que a estrutura social, seleção de emprego, atendimentos privilegiados, o encarceramento do negro é maioria no Brasil. Temos uma sociedade machista, racista e elitista”, decretou a professora.

Rosimeire citou a filósofa socialista Ângela Davis, dizendo que em uma sociedade racista não basta não ser racista. É necessário ser antirracista. “Se as questões sociais fazem distinção, temos de pensar nas questões sociais. Para falar em igualdade tem de haver equidade, o que pressupõe que partimos do mesmo ponto. Caso contrário, deveríamos implantar políticas que atuem no combate à desigualdade. Se a maioria da população não recebe políticas públicas, temos o que ocorre no país, um racismo estrutural”.

Por fim, a professora do Coletivo Consciência Negra lembrou que no dia 20 de novembro foi realizado em Marabá um ato em memória da consciência negra, no bairro Cabelo Seco, onde a cidade nasceu e que até hoje não tem acesso às políticas que valorizem o local e a condição dos habitantes.

O vereador Gilson Dias concordou com a fala da professora Rosemeire. “Seu discurso condiz com a realidade do país. Isso é fato, a discriminação existe no Brasil”.

Priscila Veloso opinou que é preciso fazer uma discussão em Marabá sobre políticas sociais para diminuir as desigualdades.

Ilker Moraes valorizou a atuação do grupo e considerou que as pessoas têm presenciado momentos devastadores e com forte preconceito em todos os sentidos no País. “É preciso que a sociedade tenha maturidade em reconhecer que todos têm o seu valor, independente de qualquer coisa”.