Vereadores querem audiência pública com presidente da Vale em Marabá

Temor de que siderúrgica do grupo Cevital não seja implantada no DIM motiva mobilização do Legislativo

 

A incógnita sobre a instalação de uma siderúrgica do grupo argelino Cevital em Marabá polarizou os discursos de vereadores na sessão desta terça-feira, 6, no Plenário da Câmara Municipal. Eles querem a realização de uma audiência pública com a participação da mineradora Vale, governo do Estado e deputados federais em Marabá.

O assunto foi levantado pela vereadora Irismar Araújo Melo, que mostrou-se preocupada com o tema abordado no Jornal CORREIO, dando conta que o novo presidente da Vale, Fábio Schvartsman, esteve reunido com o governador do Estado, Simão Jatene, na última semana, para discutir os elementos que ainda travam a implantação de uma siderúrgica da Cevital em Marabá,

Irismar Melo lembrou sobre uma reunião recente dos vereadores com o senador Paulo Rocha, em seu gabinete, em Brasília, quando discutiram a implantação da Cevital. “Naquele momento, avaliamos a necessidade de termos a presença dos deputados em nossa região, para união de esforças para que a Cevital seja implantada em Marabá”, disse.

A vereadora sustentou ainda que desde a vinda de representantes do grupo argelino a Marabá, juntamente com o governador do Estado, Simão Jatene, ela ficou com “pé atrás”, porque não percebeu real comprometimento da Vale com Marabá, com o desenvolvimento humano. “Existe um protocolo de intenções assinado entre as empresas, o qual tem uma cláusula de confidencialidade. Embora tenha assumido a função a menos de um mês, Schvartsman precisa ouvir logo o clamor do povo de Marabá para entender a importância desta siderúrgica para a região onde a empresa tem os maiores negócios do País”, alertou Irismar.

Ela observou a seus colegas e às pessoas que estavam no Plenário que o grande dilema para a Cevital está no valor do minério. No protocolo de intenções, a Vale garantiu venda de mais de 2 milhões de toneladas por ano a um preço abaixo do mercado. Posteriormente, a Cevital informou que só lhe compensaria comprar minério se fosse acima de 3 milhões de tonelada. “Aí criou-se um impasse, porque a Vale disse que acima do que estava registrado no protocolo de intenções ela não venderia ao mesmo preço, o que precisa ser resolvido o quanto antes”, pondera.

A vereadora Irismar sugeriu trazer a Marabá a bancada paraense da Câmara dos Deputados, o governo do Estado, o presidente da Vale, da Cevital para uma audiência pública na Câmara. “Hoje, terça-feira, o deputado Lúcio Vale (PR) vai conversar com todos os deputados da bancada paraense para marcar data para audiência pública”, revelou.

Para ela, se os rumos da Cevital estão nas mãos do novo presidente, a sociedade local precisa pressionar a mineradora também. “O governador do Estado conversou com o presidente da Vale, mas os demais atores políticos devem ser envolvidos nesse processo”.

O vereador Alecio Stringari lamentou que a bancada paraense seja fragilizada e não dê resposta à região. Ele reconhece a importância de trazer a audiência para Marabá e que a Vale precisa ser chamada a atenção pelos moradores do polo Carajás. “Até hoje tivemos muita paciência com a Vale. A empresa nunca honrou todos os compromissos que fez conosco. Ficam apenas na conversa, protelando esse assunto. Precisamos providenciar data para realizar essa audiência para forçar anúncio dos investimentos”.

O vereador Edinaldo Machado também se mostrou preocupado com os rumos da siderúrgica da Cevital, que pode ir para Barcarena “Precisamos nos reunir para cobrar a Vale, que causa prejuízo ambiental grande em nosso município. Ela deveria ser uma grande parceria da cidade, mas a gente sente que as coisas não andam se não for sob pressão”.

Na visão do vereador Ilker Moraes, os políticos estão atuando de forma desarticulada e por isso a Vale tem ganhado os embates. Para ele, a mineradora reúne-se com vereadores e faz um discurso, com o prefeito utiliza outro, com empresários e deputados outro e acaba enrolando a todos. “Precisamos unir Executivo e Legislativo e o prefeito precisa assumir esse debate, chamando deputados federais. As discussões têm de ser em Marabá. Estamos sendo enrolados há anos, décadas e décadas. Os segredos de confidencialidade são para garantir o quê?”, questiona.

O vereador Marcelo Alves foi mais radical e sugeriu que se faça radicalização sobre o caso Cevital, inclusive com fechamento dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás. “Isso tem de ser levado a sério”, conclamou.

O vereador Thiago Koch, de forma sucinta, disse reconhecer a capacidade do novo presidente da Vale em negociações e espera que ele seja habilidoso para tratar do assunto Cevital, não deixando privilegiar a instalação da siderúrgica do grupo argelino em Marabá.