Vereadores recebem moradores do Del Cobra e promovem reunião com o prefeito

por André da Silva Figueiredo publicado 15/10/2019 21h16, última modificação 15/10/2019 21h16
A sessão desta terça-feira, 15, foi marcada pela participação de moradores da comunidade localizada ao lado do campo de futebol Del Cobra, no Bairro Santa Rosa, na Marabá Pioneira, que foram alvo de desocupação de residências pelo Departamento de Postura na última sexta-feira (11). Eles pediram apoio dos vereadores contra a medida das autoridades e reivindicando a permanência no local. 
Uma das principais queixas dos moradores é a de que a intervenção na área foi feita sem nenhum tipo de notificação prévia. Ao usar a tribuna, Ronaldo Cavalcante, residente da Avenida João Salame, no Del Cobra, disse que este tipo de ação é um desrespeito com as famílias que moram na localidade. “Nós moramos na região há onze anos. Não temos para onde ir. São pessoas, pais de família que apostaram todos os seus sonhos e suor do trabalho na construção destas casas e do nada eles chegam e destroem tudo? Estamos aqui para pedir socorro”, afirmou.
Ainda segundo o morador, a região já é bem desenvolvida, contendo cerca de 100 casas erguidas e outras ainda em construção, o que torna a desocupação ainda mais delicada. “Eles dizem que as casas que estão em construção e sem ninguém dentro vão ser destruídas, e que os moradores residentes vão ser remanejados sabe se lá para onde e quando. Mas as coisas não são assim. É a nossa vida. Por isso estamos aqui representando tanto os moradores ativos como os que estão construindo suas residências no Del Cobra”, resume.  
DILEMA DA COTA 82
Presente à sessão, a convite da Mesa Diretora da Câmara, o superintendente de Desenvolvimento Urbano, Mancipor Lopes disse que é preciso fazer esclarecimento à população e que não se pode “deixar envolver por qualquer fuxico ou tapinha nas costas, visto que se aproxima uma nova eleição”.
Lopes reafirmou que não irão tirar pessoas de casas habitadas, mas apenas as casas que não há pessoas residindo. “Estamos cumprindo a lei que não permite que haja moradias em áreas abaixo da cota 82. Quando se discutiu altimetria em Marabá, para não se ocupar essas áreas, em 2005, tínhamos 150 famílias, enquanto hoje são 4 mil famílias”, alardeou.
Ele revelou que alguns moradores levaram documento de parte da área do Del Cobra e que ficou abismado ao perceber que se tratava de um título definitivo expedido em uma semana, no final de 2008. “Vou aguardar apuração, mas sobre este documento, tudo levar a crer, preliminarmente, que há várias irregularidades. Abrimos processo administrativo ontem mesmo para investigar o caso”, sustentou.
O vereador Ilker Moraes (PHS), afirmou que existe uma pressão por parte do governo municipal, do Estado, por meio da Polícia Militar, assim como do Ministério Público Estadual para desalojar os moradores. “As ações estão sendo realizadas de forma truculenta, atingindo até áreas privadas. Infelizmente, os mais pobres são os mais desrespeitados nesse país. Esperamos que o Ministério Público abra um diálogo, pois não é quebrando barraco que vamos resolver a questão de moradia da população de Marabá”, pontua.
O vereador Ray Athie (PCdoB) também se colocou contra a retirada dos moradores de suas casas e criticou a forma como a desapropriação está sendo conduzida. “As informações que tinham sido repassadas era que antes de qualquer retirada de trabalhador e proprietário de suas casas, haveria uma conversa, um debate sobre a situação. Então, é imprescindível que façamos uma reunião com os moradores para articular um encontro com o prefeito Tião Miranda”, defende. 
O vereador Badeco do Gerson disse que antes de as casas serem derrubadas e as pessoas retiradas, deveria ocorrer um amplo debate sobre a situação. Pediu reunião entre moradores e o prefeito Tião intermediada pela Câmara para discutir o dilema, ressaltando que o problema da cota 82 tem prejudicado muita gente na cidade.
Primeiro a discursar sobre o problema na tribuna da Câmara, o vereador Miguel Gomes Filho, o Miguelito, disse que avisou sobre o problema que traria para a população que reside nessas áreas uma ação desse tipo, sem um processo amplo de informação e debate da ação. Ele ainda avaliou que muitas pessoas de baixa renda residem em áreas abaixo da cota 82, e que é preciso cuidado e atendimento às famílias, e não apenas chegar derrubando e retirando os moradores de suas casas.
O presidente da Câmara, Pedro Corrêa, disse que estão retirando moradores de suas casas e que a informação preliminar era de que só iriam derrubar as casas sem habitantes. Por isso convidou o superintende da SDU para falar sobre a situação.
O vereador Gilson Dias disse que o trabalho a delimitação de cota é importante, mas que não pode ser inflexível. Disse que no Plano Diretor deveria ser revista a questão da Cota 82 para proteger quem mora abaixo da Cota 82. “Marabá precisa preservar as áreas ambientais, principalmente as EIAS, mas temos também de ter a sensibilidade de ver que as pessoas que moram nesses locais por necessidade não podem ser afetados bruscamente”.
A vereadora Priscila Veloso revelou que marcou uma reunião com o Mancipor Lopes, da SDU, para discutir quais os próximos passos que iriam ser tomados em relação à cota 82, e o superintende disse que nada seria feito sem a participação da Câmara. “Depois, tomam a atitude sem conversar com ninguém, sem diálogo com a Câmara e os vereadores”, lamentou ela.
Após a sessão plenária na Câmara, cinco representantes dos moradores do Del Cobra foram levados, pelos vereadores, para uma reunião com o prefeito Tião Miranda (PTB). No encontro, os moradores solicitaram que a prefeitura realize uma inspeção em cada casa construída ou em construção na região para avaliar se elas devem ser demolidas. O prefeito se comprometeu a discutir com o Ministério Público a situação levada a ele e afirmou que a Prefeitura Municipal de Marabá está ao lado da população e que não vai tirar ninguém de suas casas sem diálogo e busca de alternativas para a população que já mora na localidade. Tião Miranda alegou, porém, que novas edificações na área não serão permitidas - e que qualquer ação nesse sentido será coibida, e convidou a população a fiscalizar novas invasões na área.