Câmara cobra Aegea após crise no abastecimento de água em Marabá
As falhas no abastecimento de água em Marabá voltaram ao centro do debate público na tarde da última terça-feira (28), quando a Câmara Municipal reuniu vereadores e representantes da Aegea Saneamento, empresa responsável pelo serviço no Pará, para cobrar explicações sobre os recentes colapsos no fornecimento e discutir soluções para ampliar a cobertura nos bairros e comunidades ainda desassistidos.
A reunião foi conduzida pelo presidente da Câmara, vereador Ilker Moraes, na Sala de Comissões do Parlamento de Marabá, e teve como foco esclarecer a dinâmica de distribuição de água nas residências, entender as causas das interrupções registradas nos últimos meses e apresentar perspectivas de investimentos no sistema de abastecimento do município.
Ao abrir as discussões, Agnaldo Vilas Boas, diretor de Relações Institucionais da Aegea Saneamento, apresentou um panorama da atuação da empresa no Brasil e no Pará. Segundo ele, a Aegea é hoje a maior empresa de saneamento do país, com atuação em 15 estados e 890 cidades. No Pará, a operação é feita por meio da Águas do Pará, subsidiária presente em 96 municípios e responsável por um contrato de concessão de 40 anos com o Governo do Estado.
“Com origem no interior de São Paulo, a Aegea Saneamento é a maior empresa do saneamento do Brasil, atuando em 15 estados do território nacional e 890 cidades. A Águas do Pará é uma subsidiária da Aegea e estamos presentes em 96 municípios do estado. Temos um contrato de concessão de 40 anos com o Governo do Estado e, durante esse período, pretendemos realizar um trabalho de excelência junto aos nossos clientes. Assim que assumimos, encontramos um estado que partilha dos maiores défices sanitários do país, onde mais de 2 milhões de pessoas vivem sem acesso a água potável. Em um prazo de 7 anos, pretendemos mudar essa realidade, levando 90% de cobertura de água e esgoto nas cidades que atuamos. Nosso compromisso é fazer com que o saneamento chegue a todas as pessoas e pretendemos cumpri-lo”, declarou.
Responsável pela Regional Marabá, o diretor executivo da Águas do Pará, Felipe Caldeira, detalhou os principais desafios encontrados desde o início da operação no município. Segundo ele, a empresa assumiu a gestão em 8 de dezembro de 2025 e encontrou uma estrutura comprometida, com impacto direto no fornecimento de água nas residências.
Felipe afirmou que, em cinco meses de atuação, houve melhora na distribuição, resultado de investimentos em equipamentos, veículos e reforço da equipe técnica. De acordo com ele, a regional conta hoje com 180 funcionários, em sua maioria trabalhadores locais, o que também contribui para movimentar a economia de Marabá.
“Quando assumimos em 8 de dezembro de 2025, encontramos uma estrutura bem danificada, interferindo de maneira negativa no abastecimento nas residências. Com a estrutura que tínhamos, captávamos apenas 1.800 metros cúbicos por hora. Com os investimentos feitos, melhoramos essa realidade e hoje já chegamos a um total de 2.400 metros cúbicos por hora, operando 24 horas por dia. Temos investido em novos equipamentos, veículos e mão de obra qualificada e isso faz toda a diferença na prestação de um serviço de qualidade”, enfatizou.
Questionado sobre as recorrentes crises de abastecimento, Felipe Caldeira atribuiu os episódios à falha e à danificação de equipamentos elétricos e mecânicos. Segundo ele, os problemas já foram corrigidos com substituição de peças e implantação de sistemas de reserva para evitar novos colapsos.
“Tivemos algumas crises de abastecimento desde que assumimos. Lá em 2025, não tínhamos uma estrutura com bombas reservas de captação. Hoje, essa realidade mudou, já estamos prevenidos com aparelhos reservas para impedir que a água falte nas residências. Mais recentemente, tivemos outra crise, que foi causada pela danificação de transformadores de energia. Não tínhamos de prontidão o transformador reserva, mas corremos atrás e solucionamos o caso em definitivo. Garanto aos senhores que esse problema não existirá mais, estamos preparados e aptos a enfrentar essas intercorrências”, afirmou.
Morador do complexo São Félix/Morada Nova, o vereador Márcio do São Félix (PSDB) cobrou da empresa ações concretas para atender a região, que, segundo ele, ainda enfrenta carência histórica de estrutura sanitária.
“Temos em nosso estado diversas realidades, inclusive hídricas, e Marabá também carrega essa máxima. Trago aqui o exemplo do complexo São Félix/Morada Nova, que partilha de uma falta de estrutura sanitária. Imagino que a empresa tenha planos para essas comunidades, que possam melhorar a vida das pessoas. O saneamento básico pede socorro e estamos esperançosos que essa realidade mude”, destacou.
Outro a cobrar melhorias foi o vereador Ubirajara Sompré (MDB). Em sua fala, o “Índio Guerreiro” reconheceu avanços desde o início da concessão, mas afirmou que os resultados ainda estão distantes do necessário.
“Os principais gargalos existentes em Marabá são falta de água, acompanhada de baixos índices de saneamento. Historicamente, enfrentamos isso. Quando a concessão foi anunciada, ficamos esperançosos para a melhora na oferta desses serviços. De início, temos visto alguns avanços, porém não estão sendo suficientes. Esperamos que essa realidade mude. Nossa população é carente de muitos serviços e muitos desses são básicos, como é a água. Sabemos que os desafios são muitos, mas não podemos enxergá-los como justificativa para a prestação de um trabalho de má qualidade”, enfatizou.
Com atuação voltada às comunidades rurais, o vereador Marcos Paulo da Agricultura (PDT) questionou os representantes da concessionária sobre as políticas de abastecimento destinadas às vilas de maior porte de Marabá.
“Dentro do contrato de concessão da empresa, quais as ações estão previstas para as vilas de maior porte existentes em Marabá? Digo isso porque conheço a realidade daquelas pessoas e sei que muitas delas não têm condições de cavar um poço para que tenham um sistema de abastecimento próprio. Essas questões precisam ser levadas em consideração”, cobrou.
Ao encerrar a reunião, Ilker Moraes (MDB) reconheceu avanços desde o início da operação da Águas do Pará, mas reforçou que ainda há bairros em Marabá sem acesso regular à água, situação que classificou como urgente.
“Assim que a empresa assumiu, se deparou com uma realidade muito difícil. Em meu ponto de vista, houve um progresso significativo nos últimos 5 meses de gestão. Em Marabá, temos alguns bairros que infelizmente ainda não têm acesso à água. É uma realidade muito delicada, contradizendo ao contexto hídrico existente em nossa cidade, que é cercada por dois grandes rios. Precisamos mudar essa realidade. Essas pessoas estão esperançosas por um novo momento e, nesse contexto, essa esperança está nas mãos de vocês. Estamos torcendo por dias melhores e essa Casa de Leis é parceira nessa causa”, concluiu.