Comissão de Saúde discute crise no atendimento a pacientes com TEA

Comissão de Saúde discute crise no atendimento a pacientes com TEA

por Adriano Ferreira Carvalho Moura publicado 15/05/2026 19h10

 

A falta de medicamentos para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a possível suspensão de terapias em clínicas conveniadas ao município voltaram a pautar discussões na Câmara Municipal de Marabá. Na manhã de quarta-feira (13), a Comissão de Administração, Saúde, Serviços, Segurança e Seguridade Social reuniu mães atípicas, representantes da Prefeitura de Marabá, membros do 13º Centro Regional de Saúde do Pará (Sespa) e integrantes da sociedade civil para buscar soluções para os problemas enfrentados pelas famílias.
Participaram da reunião os vereadores Ubirajara Sompré (MDB), Maiana Stringari (PDT), Marcos Paulo da Agricultura (PDT), Cabo Rodrigo (PL), Jimysson Pacheco (PL), Márcio do São Félix (PSDB) e Marcos Andrade (PSD). Representando o Executivo municipal estiveram presentes a secretária municipal de Saúde, Lícia Souza, e o procurador do município, Luiz Flavio Pamplona. O encontro também contou com a participação de Irlândia Galvão, representante do 13º Centro Regional de Saúde do Pará (Sespa), além de mães atípicas e membros da sociedade civil organizada.
Ao abrir a reunião, o presidente da Comissão, vereador Ubirajara Sompré, destacou que o objetivo do encontro era buscar respostas e encaminhamentos para a falta de medicamentos e para a ameaça de interrupção dos atendimentos terapêuticos nas clínicas conveniadas ao município.
“Durante a Sessão Ordinária de ontem, recebemos as mães atípicas, trazendo inúmeras reivindicações e questionamentos, principalmente acerca da contínua falta de medicações nos postos de saúde de Marabá e da suspensão das terapias nas clínicas conveniadas ao município. Enquanto representantes do povo, estamos mais uma vez reunidos, buscando respostas e soluções para isso. Marabá partilha de uma saúde financeira robusta, com recursos em conta, e esses recursos devem ser usados em favor do bem-estar das pessoas”, afirmou.
Durante a reunião, mães relataram dificuldades enfrentadas diariamente para garantir atendimento e medicação aos filhos.
Caroline Santos afirmou que faltam profissionais especializados na rede pública de saúde e que a ausência de medicamentos tem sido recorrente nos postos de distribuição.
“Temos no sistema público de saúde de Marabá a ausência de diversos profissionais, como neuropediatra, neuropsicólogo, terapeutas e fonoaudiólogos. Além disso, a falta de medicações é constante nos postos de distribuição. Essas questões precisam ser resolvidas. Tenho um filho de 5 anos que, recorrentemente, está desassistido desses serviços. Isso impede o desenvolvimento intelectual e social dessa criança. Estamos aqui mais uma vez pedindo socorro. Estamos sofrendo juntamente com os nossos filhos. Queremos uma solução para essas situações”, declarou.
Katia Cristina também cobrou explicações do Poder Executivo sobre a falta de medicamentos voltados às pessoas com autismo. Segundo ela, a situação piorou desde o início da atual gestão municipal, em 2025.
“Ao longo desses últimos meses, temos ouvido sempre a mesma história por parte da Prefeitura de Marabá. A medicação está em falta. Mas está em falta por quê? Não tem dinheiro? É falta de gestão? Queremos respostas. Raramente, quando tem essas medicações nos postos de distribuição, temos que correr para garantir esses remédios, porque não tem para todos os usuários. Isso é o mais puro reflexo da falta de planejamento. Ontem eu chorei, porque fiquei sabendo que meu filho vai ficar sem atendimento, pois, segundo o proprietário, a prefeitura não pagou a clínica conveniada que faz esses acompanhamentos. De 2025 para cá, as coisas pioraram drasticamente em Marabá. Precisamos de ações concretas. Temos uma gestão que prega uma evolução do sistema público de saúde nas redes sociais, mas, na prática, não é isso que está acontecendo”, afirmou.
Outra mãe a se pronunciar foi Marlene de Jesus, que relatou as dificuldades enfrentadas por famílias que dependem dos serviços públicos de saúde. “Tenho dois filhos atípicos, que têm sofrido, como muitas outras crianças, com a falta de atendimentos e medicamentos. Queremos respostas e resoluções para isso. Estamos apenas lutando para que os nossos direitos e o bem-estar das nossas crianças sejam garantidos. Esse já é o terceiro momento, apenas nos últimos dias, que estamos na Câmara de Marabá, lutando, chorando, sofrendo e, até o momento, não tivemos resposta alguma”, enfatizou.
Os vereadores presentes também se manifestaram durante a reunião.
Márcio do São Félix afirmou que os relatos das mães evidenciam problemas na saúde pública municipal. “O choro dessas mães comprova ainda mais tudo aquilo que temos certeza. A saúde pública de Marabá precisa melhorar. Estamos vendo muitos pontos negativos nessa gestão e a falta de medicamentos é um dos mais preocupantes. Todas as cobranças aqui são válidas e pertinentes. Ter um atípico em casa é um desafio gigante e todo esse gigantismo carece de auxílio. Entendo que esse suporte deve ser feito pelo poder público e, até o momento, não é o que estamos vendo. Seguiremos firmes, juntos e contritos, buscando o melhor para nossa população”, declarou.
Jimysson Pacheco afirmou que os problemas apresentados já são conhecidos pelo Executivo e pelo Legislativo. “Muitos pontos foram expostos aqui e todos eles já são conhecidos, tanto da Gestão de Marabá quanto desta Casa de Leis. Precisamos de soluções para essas questões de maneira urgente”, disse.
Marcos Paulo da Agricultura defendeu mais rapidez na resolução dos problemas apontados pelas famílias. “É muito importante ter a presença de todos aqui. Esse é um tema muito delicado, que afeta a vida de muitas famílias. A Prefeitura de Marabá, por meio da Secretaria de Saúde, precisa urgentemente agir, sanando as questões expostas por todas essas mães. Nossos atípicos merecem ser tratados com dignidade”, afirmou.
A vereadora Maiana Stringari destacou o compromisso do Legislativo em acompanhar a situação. “Estamos vereadores e é nossa obrigação lutar pelo direito de nossa população. Esse é um tema pertinente e deve ser tratado como tal. Essa Casa de Leis tem uma responsabilidade para com a população de Marabá e iremos buscar resoluções para uma possível falta desses serviços. Entendemos a dor dessas mães, porque é algo justo, e juntos, de maneira coletiva, buscaremos soluções para toda essa demanda”, declarou.
Líder do governo na Câmara, o vereador Cabo Rodrigo afirmou que as cobranças apresentadas pelas famílias são legítimas e precisam de resposta do município.
“Diante de tudo que foi dito, me solidarizo a todas as mães presentes. A Prefeitura de Marabá tem por obrigação resolver essas questões. Vocês, enquanto cidadãos e contribuintes, têm todo o direito de cobrar e buscaremos soluções para tudo que foi dito aqui”, afirmou.
O vereador Marcos Andrade também destacou a necessidade de fortalecimento da rede de atendimento às pessoas com TEA. “A causa autista é muito nobre e deve ser tratada de forma prioritária. Temos percebido crescentes índices de atípicos na sociedade e é dever das gestões se adequarem a essa realidade. Marabá precisa se atentar a essas questões, criando mecanismos para atender com excelência tanto os portadores quanto seus familiares”, pontuou.
Ao final da reunião, a secretária municipal de Saúde, Lícia Souza, afirmou que o município está buscando alternativas para solucionar os problemas relatados pelas famílias.
“Escutar que as mães não estão tendo acesso às medicações e tratamento me traz uma angústia muito grande. Estamos todos os dias, enquanto Secretaria de Saúde, lutando de maneira conjunta para sanar de maneira definitiva todas essas questões. Comparado às gestões anteriores, na gestão atual temos uma crescente demanda de pacientes com TEA, e isso é um fator extremamente relevante. Sabemos que no setor público enfrentamos questões burocráticas que, infelizmente, têm nos impedido de levar a essas pessoas um atendimento amplo e digno, da maneira que elas merecem. Mesmo diante dessas adversidades, seguiremos firmes buscando a melhora desses atendimentos”, concluiu.