Crise no tratamento de crianças com TEA indigna vereadores de Marabá

por Adriano Ferreira Carvalho Moura publicado 29/04/2026 09h21, última modificação 29/04/2026 09h21

A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Marabá voltou a colocar em pauta, na segunda-feira (*27) a situação da saúde pública no município. A reunião foi marcada por relatos emocionados de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que denunciaram falhas no atendimento e cobraram a continuidade de serviços considerados essenciais para o desenvolvimento dos filhos.

Durante a sessão desta terça-feira (28), o vereador Márcio do São Félix destacou a presença de mães atípicas e de representantes de empresas responsáveis por terapias voltadas a crianças autistas. Segundo ele, o encontro foi marcado por forte comoção diante dos relatos apresentados na sala das comissões.

“Estamos falando de mães que estavam chorando na sala das comissões diante da falta de serviços essenciais para seus filhos”, afirmou.

Márcio relatou que as mães apontaram dificuldades no acesso aos atendimentos, atrasos na prestação dos serviços e impactos diretos na própria saúde emocional. A principal preocupação apresentada durante a reunião é a possível suspensão das terapias em razão da falta de pagamento às empresas prestadoras.

O vereador Ilker Moraes também se manifestou sobre o cenário enfrentado pela saúde pública em Marabá e afirmou que os problemas são recorrentes e têm se agravado. “A população está cansada. Os números apresentados pela gestão não refletem a realidade vivida pelos moradores”, declarou.

Entre os pontos debatidos na reunião, vereadores também trataram de denúncias relacionadas ao pagamento de empresas responsáveis por atendimentos terapêuticos.

De acordo com o vereador Ubirajara, uma das empresas já recebeu recursos, enquanto outra, mesmo após apresentar toda a documentação exigida, ainda aguarda o pagamento referente ao mês de março.

O parlamentar destacou ainda que as mães presentes na Comissão defenderam a continuidade dos atendimentos e cobraram tratamento igualitário entre as prestadoras de serviço. Ubirajara também relatou críticas em relação à realização de auditorias concentradas em apenas uma das empresas.

Outro dado que chamou atenção durante a reunião foi a redução no número de cirurgias eletivas realizadas no município. Em 2024, Marabá registrou 1.340 procedimentos. Em 2025, esse número caiu para 105.

A ausência de atendimento oftalmológico na cidade há cerca de dois meses também foi apontada durante a reunião, ampliando as preocupações apresentadas por vereadores e moradores.

O debate na Comissão de Saúde foi marcado por cobranças por mais transparência, regularidade nos atendimentos e maior eficiência na condução da saúde pública municipal. As mães pediram, na reunião de segunda, a manutenção dos serviços e o fim das interrupções, enquanto os parlamentares reforçaram a necessidade de respostas imediatas para garantir atendimento à população de Marabá.