Raytha Solares pede criação de categoria inclusiva às trans em corridas de rua

Raytha Solares pede criação de categoria inclusiva às trans em corridas de rua

por Adriano Ferreira Carvalho Moura publicado 23/06/2026 09h27

 

 

A necessidade de ampliar a inclusão nas corridas de rua realizadas em Marabá foi tema de manifestação na tribuna da Câmara Municipal durante a Sessão Ordinária da última terça-feira (16). A promotora cultural e presidente do Miss Marabá, Raytha Solares, pediu aos organizadores dos eventos esportivos a criação de uma categoria específica voltada à participação de pessoas transexuais, relatando situações de impedimento, constrangimento e desgaste enfrentadas por atletas durante as competições.

Ao ocupar a tribuna do Parlamento municipal, Raytha afirmou que pessoas transexuais que já concluíram o processo de transição de gênero têm encontrado dificuldades para participar das provas na categoria feminina. Segundo ela, a criação de uma categoria específica nas corridas realizadas no município contribuiria para ampliar o acesso e evitar situações constrangedoras.

Em seu pronunciamento, ela destacou que o debate ultrapassa a realidade local e atinge participantes em diferentes regiões do país.

“Hoje subo a essa tribuna para tornar público alguns problemas acerca da inserção das pessoas transexuais, participantes das corridas de rua, não só em Marabá, mas também em todo o território nacional. Estamos enfrentando inúmeras dificuldades em acessar essas corridas e isso tem nos prejudicado bastante. Há mais de 10 anos, fiz todo o protocolo necessário e concluí minha transição de gênero, e espero ser aceita assim. Quando essas corridas acontecem, sou impedida de competir nas categorias femininas, sob a alegação de eu não ser mulher. Diante desses fatos, venho aqui pedir aos organizadores das corridas do nosso município que criem uma categoria LGBTQIA+. Isso evitará inúmeros constrangimentos. Em uma edição recente, fui vaiada pela organização e participantes daquela corrida, sendo impedida de receber o meu prêmio. Precisamos evoluir no que tange a essas questões e peço aqui publicamente o apoio desta Casa de Leis”, declarou.

Ao reforçar o pedido apresentado por Raytha, o vereador Dean Guimarães (PSD) afirmou que a reivindicação representa uma demanda coletiva e que outras pessoas também buscam o reconhecimento de direitos semelhantes. Durante sua fala, o parlamentar lamentou que situações desse tipo ainda ocorram.

“Sua luta não é só sua, é uma causa coletiva. Todas as suas reivindicações causarão resultados coletivos, que beneficiarão inúmeras pessoas. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade bastante preconceituosa, que denigre a imagem das pessoas homoafetivas e isso está totalmente errado. Essa é uma luta nossa e seguiremos firmes em busca de uma sociedade plural, onde todos os grupos sejam respeitados e aceitos”, enfatizou.

Por fim, a vereadora Vanda Américo (União) classificou a atitude de Raytha como um gesto de coragem e resistência. Ao se manifestar na tribuna, a parlamentar defendeu que atitudes homofóbicas sejam eliminadas do convívio social e destacou a importância de fortalecer políticas de inclusão.

“Falar da Raytha é falar em resistência. Sabemos das suas contribuições para a sociedade marabaense e, mesmo diante disso, até os dias atuais, ainda nos dá sinais de preconceito. As políticas de inclusão estão aí e precisamos colocar em prática. Atitudes homofóbicas devem ser erradicadas em nosso convívio social”, concluiu.