Raytha Solares pede criação de categoria inclusiva às trans em corridas de rua
A necessidade de ampliar a inclusão nas corridas de rua realizadas em Marabá foi tema de manifestação na tribuna da Câmara Municipal durante a Sessão Ordinária da última terça-feira (16). A promotora cultural e presidente do Miss Marabá, Raytha Solares, pediu aos organizadores dos eventos esportivos a criação de uma categoria específica voltada à participação de pessoas transexuais, relatando situações de impedimento, constrangimento e desgaste enfrentadas por atletas durante as competições.
Ao ocupar a tribuna do Parlamento municipal, Raytha afirmou que pessoas transexuais que já concluíram o processo de transição de gênero têm encontrado dificuldades para participar das provas na categoria feminina. Segundo ela, a criação de uma categoria específica nas corridas realizadas no município contribuiria para ampliar o acesso e evitar situações constrangedoras.
Em seu pronunciamento, ela destacou que o debate ultrapassa a realidade local e atinge participantes em diferentes regiões do país.
“Hoje subo a essa tribuna para tornar público alguns problemas acerca da inserção das pessoas transexuais, participantes das corridas de rua, não só em Marabá, mas também em todo o território nacional. Estamos enfrentando inúmeras dificuldades em acessar essas corridas e isso tem nos prejudicado bastante. Há mais de 10 anos, fiz todo o protocolo necessário e concluí minha transição de gênero, e espero ser aceita assim. Quando essas corridas acontecem, sou impedida de competir nas categorias femininas, sob a alegação de eu não ser mulher. Diante desses fatos, venho aqui pedir aos organizadores das corridas do nosso município que criem uma categoria LGBTQIA+. Isso evitará inúmeros constrangimentos. Em uma edição recente, fui vaiada pela organização e participantes daquela corrida, sendo impedida de receber o meu prêmio. Precisamos evoluir no que tange a essas questões e peço aqui publicamente o apoio desta Casa de Leis”, declarou.
Ao reforçar o pedido apresentado por Raytha, o vereador Dean Guimarães (PSD) afirmou que a reivindicação representa uma demanda coletiva e que outras pessoas também buscam o reconhecimento de direitos semelhantes. Durante sua fala, o parlamentar lamentou que situações desse tipo ainda ocorram.
“Sua luta não é só sua, é uma causa coletiva. Todas as suas reivindicações causarão resultados coletivos, que beneficiarão inúmeras pessoas. Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade bastante preconceituosa, que denigre a imagem das pessoas homoafetivas e isso está totalmente errado. Essa é uma luta nossa e seguiremos firmes em busca de uma sociedade plural, onde todos os grupos sejam respeitados e aceitos”, enfatizou.
Por fim, a vereadora Vanda Américo (União) classificou a atitude de Raytha como um gesto de coragem e resistência. Ao se manifestar na tribuna, a parlamentar defendeu que atitudes homofóbicas sejam eliminadas do convívio social e destacou a importância de fortalecer políticas de inclusão.
“Falar da Raytha é falar em resistência. Sabemos das suas contribuições para a sociedade marabaense e, mesmo diante disso, até os dias atuais, ainda nos dá sinais de preconceito. As políticas de inclusão estão aí e precisamos colocar em prática. Atitudes homofóbicas devem ser erradicadas em nosso convívio social”, concluiu.
