Vereadores voltam a cobrar celeridade nas cirurgias eletivas em Marabá
A situação da saúde pública em Marabá voltou ao centro do debate político nesta segunda-feira (9), durante reunião entre vereadores da Câmara Municipal e representantes da Secretaria Municipal de Saúde. O encontro foi convocado pela Comissão de Administração, Saúde, Serviços, Segurança e Seguridade Social para discutir problemas recorrentes no atendimento à população, com destaque para a longa fila de cirurgias eletivas, a estrutura do Hospital Municipal de Marabá (HMM) e a prestação de serviços do Hospital Santa Terezinha ao município.
A reunião foi conduzida pelo presidente da comissão, vereador Ubirajara Sompré (MDB), e contou com a participação dos vereadores Maiana Stringari (PDT), Marcos Paulo da Agricultura (PDT), Marcos Andrade (PSD), Priscila Veloso (PSD), Vanda Américo (União Brasil), Jocenilson Silva (PRD) e Jimmyson Pacheco (PL).
Representando a Prefeitura de Marabá estiveram presentes a secretária municipal de Saúde, Lícia Souza; a diretora do Departamento de Doenças de Média e Alta Complexidade da Secretaria Municipal de Saúde, Luana de Jesus de Oliveira; a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ana Lucia Farias; além do médico nefrologista Thiago Barros.
Ao abrir a reunião, o presidente da comissão explicou que o encontro foi convocado diante da falta de avanços em discussões anteriores sobre a saúde pública do município. “Convocamos essa reunião, tendo como pautas principais a serem discutidas, as cirurgias eletivas que não estão sendo realizadas pela Prefeitura de Marabá, a prestação de serviços por parte do Hospital Santa Terezinha ao nosso município, além das questões estruturais do atendimento oferecido no HMM”, destacou Ubirajara Sompré.
Entre os temas mais discutidos esteve a paralisação das cirurgias eletivas desde o início de 2025, considerada uma das situações mais urgentes da rede municipal. Atualmente, cerca de 6 mil pacientes aguardam na fila por procedimentos.
A secretária municipal de Saúde, Lícia Souza, explicou que a baixa realização de cirurgias no último ano ocorreu principalmente por limitações estruturais da rede pública e que a prefeitura busca alternativas para ampliar a oferta desses procedimentos.
“Ano passado, fizemos um pequeno número de cirurgias, muito por conta da falta de estrutura. Como alternativa para sanar essa situação, temos a locação de hospitais aqui do município, onde enxergamos como principal instituição o Hospital Santa Terezinha. Atualmente, estamos no estágio final nas questões burocráticas para darmos seguimento a esses processos. A nossa perspectiva é que, finalizados os processos, façamos 300 cirurgias mensais e, com isso, em um ano, sanemos essa demanda, que atualmente é mais de 6 mil pacientes”, afirmou.
Durante a reunião, vereadores também demonstraram preocupação com a demora na oferta de serviços de saúde. A vereadora Cristina Mutran, que possui formação médica e experiência na área da saúde pública, destacou a necessidade de mudanças mais efetivas na condução dessas políticas.
“Durante todo o ano passado, quase não vimos avanços nas questões sanitárias em Marabá e, mais especificamente, no que tange à realização das cirurgias eletivas. Esperamos que essa realidade mude. Muitas pessoas encontram-se aguardando esses serviços, que se avolumam todos os dias. Essa situação nos causa aflição, pois tomamos conhecimento de casos muito tristes, principalmente com nossas mulheres. Precisamos que esses casos sejam resolvidos urgentemente”, clamou.
A vereadora Vanda Américo também reforçou a preocupação com as condições enfrentadas pelos usuários do sistema público de saúde. “Os temas apresentados aqui já vêm sendo discutidos desde o início de 2025 e, sinceramente, continuam na mesma condição. Espero que ainda este mês esses procedimentos comecem a acontecer, bem como muitos serviços de saúde que infelizmente não têm acontecido. O básico não está sendo oferecido nas unidades de saúde pública em Marabá. Algo de urgente precisa ser feito. Nossos munícipes não merecem viver essa realidade. Espero que não estejamos brincando de fazer saúde, pois vidas humanas estão correndo perigo”, enfatizou.
Na mesma linha, a vereadora Maiana Stringari apontou que a lentidão na resolução de problemas já identificados tem dificultado a vida da população que depende do sistema público.
“No início do ano passado nos foi apresentado um panorama de como estava a saúde pública no município e, diga-se de passagem, era algo preocupante naquele momento. Foi nos passado também quais eram as perspectivas para a resolução daqueles problemas, mas infelizmente não vimos muitos avanços nessas esferas. Enquanto representantes do povo, devemos cobrar junto à Prefeitura soluções imediatas para toda essa problemática, tal qual está sendo feito”, afirmou.
O vereador Jimmyson Pacheco também cobrou respostas diante da grande quantidade de pessoas que aguardam por procedimentos cirúrgicos. “Segundo dados da própria Secretaria Municipal de Saúde, existem mais de 6 mil pessoas aguardando um procedimento cirúrgico em Marabá. Isso é deveras preocupante. Sabemos dos desafios existentes na saúde pública de nosso município, são muitos e, enquanto representantes do povo, devemos buscar soluções para os mesmos”, concluiu.
Como o encontro tinha uma pauta extensa, nem todos os temas previstos puderam ser debatidos. Diante disso, os participantes concordaram em realizar uma nova reunião na próxima semana, para dar continuidade às discussões sobre as demais demandas da saúde pública municipal.
Também ficou definido que será criada uma comissão conjunta, formada por representantes do Poder Legislativo e da Secretaria Municipal de Saúde, com o objetivo de acompanhar os encaminhamentos e buscar soluções que acelerem a resolução dos problemas apresentados.
